A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) anunciou a suspensão do leilão de 11 andares de sua propriedade no edifício Ventura Corporate Towers, localizado no Centro da capital fluminense. O certame, agendado para esta sexta-feira (06), não prosseguiu devido à completa falta de propostas de interessados até a última terça-feira (03), prazo final para manifestação de interesse nas unidades. Apesar da ausência de lances, a UFRJ reafirmou seu compromisso com a alienação do imóvel, informando que já está em processo de revisão do edital. O objetivo é tornar o leilão UFRJ Ventura Corporate mais atraente para o mercado imobiliário, com um novo cronograma previsto para ser divulgado em data oportuna, sem que a estratégia institucional seja comprometida.
Histórico do leilão e adiamentos
Primeiro adiamento e busca por competitividade
O processo de alienação dos andares da UFRJ no Ventura Corporate Towers não é recente e já enfrentou um adiamento prévio. Inicialmente, a abertura dos envelopes com as propostas estava marcada para ocorrer em novembro do ano anterior. No entanto, às vésperas da data estipulada, a universidade decidiu postergar o certame. A justificativa apresentada na ocasião foi a necessidade de “ampliar a competitividade do certame”, embora detalhes específicos sobre eventuais propostas recebidas ou as razões para a busca de maior concorrência não tivessem sido divulgados naquele momento.
A recente suspensão do leilão, agora por ausência total de propostas, marca o segundo revés no processo de venda desses imóveis. Este novo cenário reforça a percepção de que as condições atuais do edital ou do mercado não se alinham com os interesses dos potenciais compradores. A UFRJ, contudo, demonstra persistência na sua estratégia, ao optar por revisar os termos em vez de desistir da iniciativa, sinalizando uma adaptabilidade para superar os obstáculos encontrados e atrair o interesse desejado na próxima fase.
O patrimônio em questão: 11 andares no Ventura Corporate
Origem da posse e importância estratégica
Os 11 andares que a Universidade Federal do Rio de Janeiro pretende leiloar representam uma área significativa de 16,6 mil metros quadrados no imponente Ventura Corporate Towers. Inaugurado em 2010, o complexo de escritórios foi erguido em um terreno que, originalmente, pertencia à própria UFRJ. Como parte do acordo de desenvolvimento, a instituição recebeu uma porcentagem do prédio em permuta pelo uso de seu terreno. Atualmente, a universidade utiliza parte desse espaço para sediar atividades de sua renomada Escola de Música, enquanto a maior parte do complexo é destinada à locação para diversas empresas privadas, consolidando o Ventura como um dos centros empresariais mais importantes da cidade.
A posse desses andares, portanto, não é meramente um ativo imobiliário, mas um legado de um acordo de desenvolvimento de décadas atrás. A decisão de aliená-los reflete uma reavaliação estratégica da universidade sobre a melhor forma de gerir seu patrimônio e recursos, buscando otimizar a infraestrutura para suas atividades acadêmicas e de pesquisa em outras unidades. A complexidade dessa operação reside não apenas no valor de mercado dos imóveis, mas também na intrínseca relação histórica e funcional que o edifício possui com a UFRJ desde sua concepção.
Motivações da UFRJ para a alienação do imóvel
Altos custos de manutenção e condições inadequadas
A decisão da UFRJ de abrir mão dos 11 andares no Ventura Corporate Towers é motivada, primariamente, pela busca por eficiência na gestão de seus recursos e pela otimização de sua infraestrutura. A universidade aponta que os custos de manutenção desses espaços são consideravelmente altos. Anualmente, cerca de R$ 5 milhões do orçamento da instituição são destinados ao pagamento da taxa de condomínio do complexo, um valor que a reitoria considera um encargo financeiro pesado e que poderia ser realocado para outras prioridades acadêmicas e operacionais.
Além do impacto financeiro, a UFRJ argumenta que o prédio não oferece as condições ideais para as atividades pedagógicas e artísticas da Escola de Música, que atualmente utiliza parte do espaço. Essa avaliação sugere que a infraestrutura e o ambiente de um edifício corporativo podem não ser os mais adequados para as necessidades específicas de uma instituição de ensino e cultura, que requer espaços adaptados para salas de aula, estúdios, ensaios e apresentações. A alienação do imóvel, portanto, visa não apenas aliviar o ônus financeiro, mas também possibilitar investimentos em ambientes mais apropriados e funcionais para suas atividades essenciais.
A estratégia de permuta por novas obras e reformas
Projetos de infraestrutura para modernizar a universidade
A intenção da reitoria da UFRJ, em troca dos andares a serem leiloados, é a de viabilizar um ambicioso plano de melhoria de infraestrutura que contempla dez obras em diversas outras unidades da instituição. Este projeto estratégico visa modernizar e adequar espaços existentes, além de criar novas estruturas. As intervenções planejadas abrangem sete projetos no campus da Cidade Universitária, dois no Centro do Rio de Janeiro e um no campus de Macaé.
Essas ações são variadas, incluindo desde a construção de novas edificações até a reforma e revitalização de espaços já utilizados pela universidade. A estimativa é que essas obras atinjam uma área total de 84 mil metros quadrados do patrimônio da UFRJ, representando um investimento significativo na qualidade das instalações para alunos, professores e técnicos administrativos. A universidade busca, com essa permuta, não apenas resolver a questão dos altos custos de manutenção do Ventura, mas também promover uma ampla requalificação de sua infraestrutura física, otimizando o ambiente de ensino, pesquisa e extensão em múltiplos campi.
O futuro do patrimônio da UFRJ e seus impactos
A suspensão do leilão dos 11 andares da UFRJ no Ventura Corporate Towers, embora represente um contratempo, reafirma a estratégia da universidade de buscar a melhor forma de gerir seu vasto patrimônio. A decisão de revisar o edital para torná-lo mais atraente ao mercado demonstra a flexibilidade e o empenho da instituição em concretizar a alienação. Este movimento é crucial para liberar recursos e investir na modernização de sua infraestrutura principal, prometendo melhorias significativas em diversos campi. O projeto de permuta, que visa a realização de dez obras estruturais, é um indicativo claro do compromisso da UFRJ com o desenvolvimento e a otimização de seus espaços para o benefício da comunidade acadêmica. O aguardo pelo novo cronograma do certame mantém a expectativa sobre o futuro de um ativo estratégico e a realização de um plano que visa impactar positivamente milhares de metros quadrados de edificações universitárias.
FAQ
Por que o leilão dos 11 andares da UFRJ foi suspenso?
O leilão foi suspenso devido à ausência total de propostas de interessados até o prazo final de manifestação de interesse. A universidade busca agora revisar o edital para atrair o mercado.
Qual o principal objetivo da UFRJ ao leiloar esses andares?
O principal objetivo é reduzir os altos custos de manutenção dos imóveis (cerca de R$ 5 milhões anuais em condomínio) e usar o valor da alienação para financiar dez obras de infraestrutura e reformas em outros campi da instituição.
Quando o leilão será relançado?
A UFRJ informou que está revisando o edital para torná-lo mais atrativo e prometeu divulgar um novo cronograma do processo em data “oportuna”, sem especificar uma data exata no momento.
Qual a área total dos andares que seriam leiloados?
Os 11 andares que seriam leiloados somam uma área de 16,6 mil metros quadrados no edifício Ventura Corporate Towers.
As obras planejadas pela UFRJ irão beneficiar quais campi?
As dez obras planejadas, em troca da alienação dos andares, incluem sete intervenções no campus da Cidade Universitária, duas no Centro e uma no campus de Macaé, abrangendo um total de 84 mil metros quadrados do patrimônio da UFRJ.
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Fonte: https://temporealrj.com



