San Francisco – Em um evento na Coreia do Sul, o Presidente Donald Trump interrompeu seu discurso sobre a expansão de data centers e a criação de empregos nos Estados Unidos para mencionar um nome: Jensen Huang, CEO da Nvidia. Trump questionou a presença de Huang no local, demonstrando uma proximidade inesperada com o executivo.
Poucas horas depois, em Washington, Huang retribuiu os elogios, destacando a atuação da Casa Branca na desregulamentação e no estímulo a investimentos em inteligência artificial (IA). Segundo Huang, Trump “mudou completamente o jogo” para o setor. O CEO da Nvidia inclusive tentou se juntar a Trump na Coreia do Sul.
Essa troca de afagos sinaliza uma relação singular entre a administração Trump e o mundo dos negócios: uma parceria entre um engenheiro do Vale do Silício e um magnata imobiliário de Nova York.
A Nvidia, fabricante de chips essenciais para projetos de IA, foi uma das primeiras empresas de tecnologia a atender aos apelos de Trump para trazer a manufatura de volta aos EUA. Trump, por sua vez, acompanha o desempenho da Nvidia no mercado de ações, reconhecendo seu valor como a empresa de capital aberto mais valiosa globalmente.
Além disso, os chips da Nvidia proporcionaram ao presidente uma ferramenta de negociação com países como Arábia Saudita, Reino Unido e China, influenciando até mesmo mediações de paz. Inspirado na oferta de tecnologia nuclear para fins pacíficos nos anos 1950, o governo Trump considerou a venda de tecnologia de IA para nações dispostas a resolver conflitos, incluindo Armênia e Azerbaijão.
Após a mediação de um acordo de paz entre Armênia e Azerbaijão, Michael Kratsios, do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, se reuniu com autoridades dos dois países para discutir IA e futuras colaborações tecnológicas. O ministro da Indústria de Alta Tecnologia da Armênia, Mkhitar Hayrapetyan, ressaltou que essa cooperação tecnológica atingiu “um novo nível de desenvolvimento” sob a liderança de Trump e do primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan.
Recentemente, o Cazaquistão aderiu aos Acordos de Abraão e anunciou um investimento de US$ 2 bilhões em data centers de IA com chips da Nvidia. Um funcionário dos EUA admitiu o papel dos chips da Nvidia nas negociações, evidenciando como a IA se tornou um instrumento da diplomacia americana.
Embora um porta-voz da Casa Branca tenha reconhecido o relacionamento de Trump com Huang, ele minimizou a ideia de que essa parceria seja definidora do governo. Um porta-voz da Nvidia reiterou o apoio da empresa aos esforços de Trump para fortalecer a produção de semicondutores nos EUA.
Para Huang, cultivar essa relação com Trump é estratégico, considerando o poder do presidente sobre a regulamentação internacional e doméstica da Nvidia. Trump controla as licenças de exportação para mercados importantes, como a China, e pode auxiliar os clientes da Nvidia a obter acesso à energia necessária para alimentar seus chips.
As políticas da Casa Branca impulsionaram os negócios da Nvidia. Espera-se que a empresa divulgue lucros trimestrais superiores a US$ 30 bilhões, superando gigantes como Amazon e Apple.
No início do governo Trump, a relação com Huang era incerta, mas floresceu após a promessa de investimentos significativos em fábricas nos EUA. Em abril, Huang anunciou um investimento de US$ 500 bilhões na fabricação nos EUA e acompanhou Trump em viagens internacionais, facilitando a venda de chips para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.
Trump passou a se referir a Huang como “meu amigo”, elogiando seu trabalho e expressando orgulho em tê-lo nos EUA. Os acordos no Oriente Médio serviram de modelo para o uso de chips de IA como ferramenta de política externa.
Em outubro, Huang presenteou Trump com um chip de IA fabricado no Arizona, contrastando com a Apple, que não cumpriu a promessa de produzir um produto nos EUA. O presente ocorreu em meio a esforços para persuadir Trump a permitir a venda de chips avançados para a China.
Apesar da proximidade, a declaração de Trump sobre a venda de chips avançados para a China gerou críticas e objeções por motivos de segurança nacional. O incidente demonstra os limites da relação entre Huang e o presidente, revelando que as preocupações com a segurança nacional podem prevalecer sobre as perspectivas financeiras das empresas de tecnologia.
Fonte: www.infomoney.com.br



