O Rioprevidência, fundo previdenciário dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, anunciou a contratação de uma auditoria externa independente para examinar seus contratos, investimentos e procedimentos internos. A decisão foi comunicada pelo presidente interino da instituição, Nicholas Cardoso, durante uma reunião com representantes de entidades de servidores, incluindo o Fórum de Servidores Estaduais do RJ (Fosperj) e o movimento Recomposição Salarial Já. Cardoso admitiu publicamente a existência de problemas de governança e reconheceu fragilidades nos mecanismos de controle do fundo, que administra um dos maiores patrimônios previdenciários do país. A medida ocorre em um contexto de questionamentos crescentes sobre um investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master.
Ações para aprimorar a governança
Reconhecimento de fragilidades
Durante o encontro na sede do Rioprevidência, Nicholas Cardoso detalhou a necessidade urgente de aprimorar as práticas administrativas do fundo. Ele enfatizou que os mecanismos de controle existentes mostraram-se insuficientes para lidar com o volume e a complexidade das operações financeiras realizadas pela instituição. A admissão de problemas de governança sinaliza um compromisso com a revisão de processos e a implementação de medidas que visem a aumentar a transparência e a segurança dos recursos geridos, que são cruciais para o pagamento de aposentadorias e pensões de milhares de servidores estaduais. Este reconhecimento público atende a uma demanda antiga das categorias representadas, que há tempos cobram maior clareza sobre a gestão dos ativos do fundo.
O investimento sob escrutínio
Detalhes da aplicação no Banco Master
Nos últimos anos, o Rioprevidência expandiu significativamente sua participação em ativos de crédito privado, buscando rentabilidade superior àquela oferecida pelos títulos públicos. Entre essas operações, destaca-se o investimento de cerca de R$ 1 bilhão em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Esse montante, distribuído em diferentes aplicações, representa uma parcela considerável da carteira do fundo, levantando preocupações entre especialistas do mercado financeiro e entidades de controle. A estratégia, embora justificada pela busca de equilíbrio atuarial em um cenário de restrição fiscal, gerou alertas sobre a concentração de capital em uma única instituição e os critérios de diversificação e análise de risco adotados pela gestão do Rioprevidência. A exposição relevante a papéis de uma só entidade é vista como um ponto de vulnerabilidade em qualquer carteira de investimentos.
Histórico de riscos do fundo
O histórico do Rioprevidência não é isento de desafios. Em períodos anteriores, o fundo enfrentou episódios de alta exposição a operações estruturadas e antecipações de receitas futuras, particularmente relacionadas a royalties de petróleo, que impactaram negativamente seu fluxo de caixa. Embora a atual gestão afirme que os investimentos foram realizados em conformidade com as normas vigentes, a memória de crises passadas alimenta a desconfiança e a exigência por maior transparência por parte do funcionalismo público. A pressão por clareza sobre os critérios técnicos que embasaram as decisões de investimento no Banco Master reflete a necessidade de assegurar a solidez e a sustentabilidade do fundo previdenciário a longo prazo.
Novas regras e o papel da auditoria
Endurecimento das normas
Em resposta às fragilidades identificadas e à pressão externa, a diretoria executiva do Rioprevidência aprovou uma nova portaria destinada a endurecer as regras para o credenciamento de instituições financeiras que desejam operar com os recursos do fundo. As novas diretrizes incluem a exigência de parâmetros mais rigorosos de governança corporativa, avaliação de risco e compliance. Essa medida visa a selecionar parceiros financeiros mais robustos e confiáveis, minimizando a exposição do fundo a riscos desnecessários e protegendo o patrimônio dos servidores.
Objetivos da análise independente
Paralelamente à revisão das normas internas, foi iniciada a contratação de uma auditoria externa independente. Esta auditoria terá a missão de realizar uma varredura completa nos contratos financeiros, nas operações de investimento e em todos os procedimentos internos do Rioprevidência. Segundo o presidente interino, o objetivo principal dessa iniciativa é “restabelecer a confiança” na gestão do fundo e fortalecer de forma abrangente os mecanismos de controle. A decisão de recorrer a uma auditoria externa é um passo estratégico para demonstrar compromisso com a transparência e a integridade, especialmente em um momento de intensa pressão política e institucional sobre a administração dos recursos previdenciários. A análise independente deverá fornecer um diagnóstico claro e objetivo da situação atual, orientando futuras decisões.
Recuperação de valores e diálogo contínuo
O caso CredCesta
Durante a reunião, Nicholas Cardoso também informou sobre avanços em uma ação judicial que resultou na recuperação de aproximadamente R$ 80 milhões. Esses valores estão relacionados a empréstimos consignados da empresa CredCesta, que possui ligações com o Banco Master. O montante recuperado encontra-se depositado em uma conta judicial, aguardando a finalização do processo. O episódio envolvendo a CredCesta intensificou as críticas sobre a necessidade de um monitoramento mais rigoroso das operações financeiras vinculadas a instituições privadas e ressalta a importância de mecanismos de controle mais eficazes para proteger os recursos do Rioprevidência.
Iniciativa da mesa permanente
Para fomentar uma gestão mais participativa e transparente, foi proposta a criação de uma mesa permanente de diálogo entre o Rioprevidência e as entidades representativas dos servidores. Essa iniciativa busca estabelecer um canal contínuo de prestação de contas e de acompanhamento das decisões estratégicas do fundo. A mesa de diálogo visa a promover a colaboração e a troca de informações, permitindo que os representantes dos servidores possam participar ativamente da fiscalização e da construção das políticas de investimento, reforçando a governança e a confiança na administração dos recursos previdenciários.
Conclusão
O Rioprevidência demonstra, com a contratação da auditoria externa e a implementação de novas regras, um movimento em direção a uma gestão mais transparente e rigorosa. As ações visam a sanar as fragilidades de governança reconhecidas pela própria instituição e a responder aos questionamentos sobre investimentos significativos, como o realizado no Banco Master. A auditoria independente será fundamental para avaliar responsabilidades, revisar as práticas atuais e traçar os rumos da política de investimentos. O estabelecimento de um diálogo contínuo com os servidores também reforça o compromisso do fundo com a prestação de contas e a recuperação da confiança em sua administração dos vastos recursos públicos.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Por que o Rioprevidência contratou uma auditoria externa independente?
O Rioprevidência contratou uma auditoria externa após o presidente interino, Nicholas Cardoso, admitir problemas de governança e fragilidades nos mecanismos de controle internos. A medida busca revisar contratos, investimentos e procedimentos, visando a restabelecer a confiança e fortalecer a transparência na gestão do fundo, especialmente após questionamentos sobre um investimento de R$ 1 bilhão no Banco Master.
2. Qual foi o valor do investimento questionado no Banco Master?
O Rioprevidência investiu aproximadamente R$ 1 bilhão em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Esse montante, aplicado em diferentes operações, gerou alertas sobre a concentração de recursos em uma única instituição e os critérios de diversificação e análise de risco.
3. O que a nova portaria do Rioprevidência busca?
A nova portaria aprovada pela diretoria executiva do Rioprevidência visa a endurecer as regras para o credenciamento de instituições financeiras que operam com os recursos do fundo. Ela exigirá parâmetros mais rigorosos de governança, avaliação de risco e compliance, com o objetivo de selecionar parceiros mais robustos e confiáveis e minimizar a exposição do fundo a riscos.
4. Houve recuperação de valores relacionada a esses investimentos?
Sim, o Rioprevidência informou que uma ação judicial já resultou na recuperação de cerca de R$ 80 milhões. Esses valores estão relacionados a empréstimos consignados da empresa CredCesta, ligada ao Banco Master, e estão depositados em uma conta judicial enquanto o processo tramita.
Para mais informações sobre a gestão dos recursos previdenciários e as próximas etapas da auditoria, acompanhe as atualizações oficiais do Rioprevidência.
Fonte: https://diariodorio.com



