Uma análise recente aponta para uma preocupante disparidade na distribuição da verba de saúde do estado do Rio de Janeiro, gerando um intenso debate sobre a equidade nos repasses públicos. Dados revelam que a capital fluminense, com sua vasta população, teria recebido significativamente menos recursos per capita do Fundo Estadual de Saúde em comparação com municípios alinhados politicamente ao governo estadual. Este cenário, observado no período entre 2020 e outubro de 2025, sugere que a destinação de fundos essenciais para a saúde pode ter seguido critérios partidários em detrimento de necessidades técnicas e demográficas. A situação levanta questões cruciais sobre a gestão dos recursos e o impacto direto na qualidade dos serviços de saúde oferecidos aos cidadãos.
A disparidade nos repasses de saúde no Rio de Janeiro
A distribuição do Fundo Estadual de Saúde entre 2020 e outubro de 2025 revelou uma discrepância notável nos repasses de verbas estaduais para os municípios do Rio de Janeiro. A capital fluminense, lar de uma das maiores populações do país, teria recebido, por habitante, uma quantidade de recursos consideravelmente inferior em comparação com cidades administradas por gestores alinhados ao governador Claudio Castro. A análise detalhada dos repasses destinados aos Fundos Municipais de Saúde sugere que a lógica por trás dessa distribuição pode ter sido pautada mais por alianças político-partidárias do que por critérios de necessidade ou proporção populacional.
O foco na capital fluminense e a desvantagem per capita
A cidade do Rio de Janeiro, com uma população estimada em 6,7 milhões de moradores, recebeu R$ 2,2 bilhões em verbas de saúde no período analisado. Essa quantia se traduz em aproximadamente R$ 332 por habitante. Apesar de ter 76% mais habitantes que a Baixada Fluminense, por exemplo, a capital recebeu 61% menos recursos totais, o que acentua a desvantagem per capita. A capital, atualmente administrada por Eduardo Paes (PSD), que é apontado como pré-candidato ao Palácio Guanabara, encontra-se em uma posição política de oposição ao governo estadual, o que alguns observadores apontam como um fator determinante para a disparidade nos repasses.
Cidades aliadas e o benefício na Baixada Fluminense
Em contraste com a situação da capital, municípios governados por partidos da base aliada do governo estadual foram amplamente beneficiados na distribuição dos recursos do Fundo Estadual de Saúde. Dos R$ 1,9 bilhão distribuídos até outubro de 2025, cerca de 88% foram concentrados em cidades administradas por partidos como PP, MDB, PL e União Brasil – todos com forte ligação com o governo de Claudio Castro. Essa concentração beneficiou, em particular, a Baixada Fluminense, região que serve como principal base eleitoral para muitos desses grupos políticos. Os 13 municípios da Baixada, somando aproximadamente 3,8 milhões de habitantes, concentraram R$ 6,2 bilhões em repasses no mesmo período, o que representa impressionantes R$ 1.633 por habitante. Essa cifra é cerca de cinco vezes maior do que o valor per capita destinado à capital, evidenciando uma preferência clara na alocação de verbas.
A lógica político-partidária e seus implicadores
A forma como os recursos do Fundo Estadual de Saúde foram distribuídos levanta sérias questões sobre a autonomia e a equidade na gestão pública. A predominância de partidos aliados ao governo estadual na lista dos maiores beneficiários sugere que a política partidária pode ter tido um peso significativo na decisão de alocação de fundos, desviando-se de uma abordagem técnica e imparcial que seria esperada para um setor tão vital como a saúde.
Os partidos beneficiados e suas lideranças
Entre os partidos que mais receberam recursos, o PP se destaca no ranking, com R$ 719 milhões. A legenda tem como principal nome no estado o deputado federal Dr. Luizinho, que também ocupa a posição de secretário estadual de Saúde. Em seguida, aparece o MDB, ligado a Washington Reis, com R$ 543 milhões. O PL, partido do próprio governador Claudio Castro, recebeu R$ 462 milhões, e o União Brasil, de Márcio Canella, obteve R$ 190 milhões. A concentração de 88% dos recursos analisados nesses quatro partidos aliados reforça a percepção de um critério político-partidário na distribuição dos fundos, o que pode comprometer a universalidade e a qualidade dos serviços de saúde em áreas não alinhadas.
Declarações e críticas sobre a distribuição
A discrepância na distribuição das verbas de saúde gerou críticas e questionamentos por parte de figuras públicas. Segundo o vereador Pedro Duarte, os repasses do Fundo têm seguido uma “lógica claramente política e eleitoreira” nos últimos anos. Ele enfatizou que, embora todas as regiões do estado mereçam investimentos, os critérios para a alocação de recursos devem ser técnicos, e não políticos. “O problema não está em investir na Baixada ou em qualquer outra região, por exemplo, mas em fazer disso um instrumento de favorecimento político, enquanto a capital, com 6,7 milhões de habitantes, é penalizada por ter um prefeito adversário do governo estadual. Isso é inaceitável, ainda mais quando se trata da saúde da população”, afirmou Duarte. A preocupação central é que a saúde da população seja instrumentalizada para fins políticos, comprometendo a capacidade de atendimento e a equidade no acesso a serviços essenciais.
Implicações e o apelo por transparência
A discrepância na distribuição das verbas de saúde entre municípios do Rio de Janeiro, com a capital recebendo significativamente menos per capita do que cidades aliadas ao governo estadual, levanta sérias preocupações. A concentração de recursos em determinadas regiões e partidos sugere a influência de critérios políticos em detrimento de necessidades técnicas e demográficas, essenciais para a gestão da saúde pública. Esse cenário pode comprometer a qualidade e a acessibilidade dos serviços de saúde para milhões de fluminenses, especialmente aqueles residentes na capital. É fundamental que os critérios de repasse sejam transparentes, técnicos e baseados nas reais demandas da população, garantindo a equidade e o direito à saúde para todos os cidadãos do estado.
Perguntas frequentes
1. Qual o período analisado para a distribuição da verba de saúde?
A análise abrange o período entre 2020 e outubro de 2025, especificamente os recursos do Fundo Estadual de Saúde repassados aos Fundos Municipais.
2. Qual a principal disparidade encontrada na distribuição dos recursos?
A cidade do Rio de Janeiro recebeu, por habitante, até cinco vezes menos recursos do que municípios administrados por aliados políticos do governador Claudio Castro, especialmente na Baixada Fluminense.
3. Quais partidos e regiões foram os maiores beneficiados pelos repasses?
Os partidos PP, MDB, PL e União Brasil, todos da base aliada do governo estadual, concentraram 88% dos recursos analisados. A Baixada Fluminense, principal base eleitoral desses grupos, foi a região amplamente beneficiada.
4. Quais são as consequências dessa distribuição desigual para a população?
A principal consequência é a potencial penalização da população da capital, que pode ter seus serviços de saúde prejudicados pela falta de investimento adequado, enquanto outras regiões podem ser super-investidas por critérios políticos e não técnicos.
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Fonte: https://diariodorio.com



