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Profissionais do livro: paixão, trajetória e obras marcantes
Brasil

Profissionais do livro: paixão, trajetória e obras marcantes

Última Atualizacão 11/01/2026 12:31
PainelRJ
Publicado 11/01/2026
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© Victor Caiano/Divulgação
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No cenário de expansão do setor editorial e livreiro no Brasil, que tem visto um aumento notável no número de empresas e no volume de publicações nos últimos anos, profissionais que atuam nos bastidores dessa indústria revelam um profundo propósito em seu trabalho. Longe dos holofotes dos grandes lançamentos, editores, publishers e tradutores dedicam suas vidas a dar forma e voz a ideias que circulam, são lidas e discutidas. Apesar dos desafios inerentes ao mercado, esses especialistas encontram na literatura uma fonte de realização pessoal e um meio de contribuir para a cultura e o pensamento crítico. Suas trajetórias, muitas vezes sinuosas, são marcadas por uma paixão inabalável pelos livros e pela convicção de que cada obra pode tocar a vida de alguém de forma significativa.

A paixão pela edição e publicação

A jornada de Hugo Maciel de Carvalho

A transição de uma carreira consolidada para o universo dos livros pode parecer inusitada, mas para Hugo Maciel de Carvalho, editor autônomo e publisher, foi um ajuste de rota rumo à realização. Formado em Direito, ele chegou a atuar em escritório de advocacia antes de mergulhar de vez no mercado editorial. Hoje, Hugo expressa grande orgulho em ver seu nome nos créditos de obras que considera realmente incríveis, consciente de que é parte de um processo que pode resultar na “leitura da vida” de alguém. Desde que encontrou seu novo caminho, o editor já perdeu a conta de quantos livros levam sua assinatura. Para ele, o que realmente importa é a certeza de ter auxiliado a moldar ideias que se transformam em debates, reflexões e que continuam a produzir sentido no mundo.

Entre as obras que guardam um carinho especial em sua trajetória, Hugo Maciel de Carvalho destaca “A Terra Árida”, do autor T.S. Eliot, na tradução de Gilmar Leal Santos. Esse poema, um dos seus preferidos de todos os tempos, foi o primeiro livro publicado pelo seu selo como publisher. Sua predileção por projetos que incitem a reflexão sobre o futuro o levou a citar dois livros cruciais, nos quais atuou como preparador de texto, lembrando a crise na Venezuela como um contexto para sua relevância. “Autonorama”, de Peter Norton, investiga como escolhas políticas moldaram infraestruturas que corroem a vida social, enquanto “Estrada para Lugar Nenhum”, de Paris Marx, aprofunda esse diagnóstico ao analisar mecanismos de concentração de poder e privatização. Para Hugo, Norton explica o caminho até o presente, e Marx, a direção para onde a sociedade está sendo empurrada. Outro projeto de grande densidade intelectual ainda inédito em que trabalhou é “A Escada de Jacó”, da escritora russa Liudmila Ulítskaia, um romance monumental que atravessa a história russa do século XX, explorando literatura, linguística, filosofia, música, ciência e história.

A leitura é uma tradição enraizada na família de Hugo. Desde o nascimento do filho, ele e a esposa dedicam-se à leitura em conjunto, além de visitas semanais a bibliotecas públicas. Mesmo com o filho já alfabetizado, a leitura noturna em família permanece, fortalecendo a memória afetiva e a paixão pelos livros de todos. A própria jornada de Hugo no universo literário começou aos 12 anos, quando seu avô lhe confiou um manuscrito secreto, pedindo sua opinião. Esse foi o ponto de partida de uma colaboração que resultou na publicação da primeira edição do livro e em mais três outras obras do avô.

Contudo, a paixão pelo trabalho no setor editorial vem acompanhada de um ritmo intenso e demandas rigorosas. Hugo descreve o processo de leitura e revisão como algo que vai além de uma simples leitura de lazer, exigindo releituras, discussões com autores e editoras, e muitas horas de dedicação, frequentemente durante a madrugada para aproveitar o silêncio. Ele também aborda, com bom humor, a realidade financeira do ofício. A remuneração é frequentemente baixa, e a ideia de que ser revisor de textos é um “bico” fácil é desmistificada pela complexidade e pela exigência da profissão, que nem sempre garante demanda contínua, levando os profissionais a “inventar trabalho” para sobreviver.

O impacto das editoras independentes

Para Florencia Ferrari, sócia da editora Ubu, as casas editoriais independentes, de modo geral, nascem do desejo de seus fundadores de publicar obras que admiram e que os apaixonam. Ela não foge à regra, vendo a Ubu como uma plataforma de projetos que fomenta a criação e o aprendizado contínuo, não apenas com autores, mas também com designers e artistas. O propósito de seu trabalho transcende a mera geração de renda, configurando-se como um espaço de realização pessoal e uma maneira de interagir com o mundo.

A importância de relações de trabalho saudáveis é um pilar para Florencia, que já vivenciou ambientes corporativos tóxicos e competitivos. Na Ubu, a prioridade é a construção de um espaço caracterizado por trocas, aprendizado, colaboração, apoio e cuidado, com lideranças que valorizam a expertise de cada um. Além da busca por um ambiente de trabalho equilibrado e da produção de conhecimento, a editora destaca que o posicionamento ético e político é intrínseco ao modo de atuação da Ubu. Florencia explica que essa é uma característica de muitas editoras independentes, que veem seu trabalho como um lugar de posicionamento e pensamento crítico, uma atitude política no sentido foucaultiano, uma ética que orienta suas ações sem necessariamente se traduzir em militância.

O ofício da tradução: dedicação e desafios

A vasta experiência de Adail Sobral

Adail Sobral, professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e renomado tradutor, possui em seu currículo a tradução de mais de 500 livros. Membro do júri do Prêmio Jabuti em diversas edições, ele iniciou sua jornada na tradução por acaso, mas logo se viu apaixonado pela arte de transpor ideias entre idiomas. Sua primeira tradução, “Atos de fala”, de John Searle, ocorreu em 1981, durante sua pós-graduação, quando a tradução fazia parte das atividades acadêmicas e era realizada sem remuneração. De 1985 a 1999, Adail dedicou-se integralmente à profissão, muitas vezes em parceria com sua então esposa, Maria Stela Gonçalves (1954-2015).

A versatilidade marcou sua carreira, traduzindo inicialmente textos de informática, que garantiam sua subsistência, para depois migrar para a área de ciências humanas, onde abordou autores como Jean Baudrillard, Jonathan Barnes, David Harvey e Félix Guattari, além de diversos títulos religiosos. Posteriormente, especializou-se na área de medicina, reconhecendo ser um nicho mais rentável.

Entre os trabalhos que mais lhe trouxeram satisfação, Adail Sobral destaca “Herói de Mil Faces”, de Joseph Campbell, uma obra que combina mitologia com linguagem literária e técnica, sendo esteticamente agradável tanto no conteúdo quanto na forma. A particularidade dessa tradução foi a ausência de revisão externa, ficando inteiramente a cargo de Adail. Outro trabalho memorável foi “A troca simbólica e a morte”, de Jean Baudrillard, traduzido em 1996 com Maria Stela, onde o casal conseguiu reproduzir com maestria um capítulo que era a transcrição de uma fala. A maior dedicação, no entanto, foi exigida pela tradução das obras completas de Santa Teresa de Jesus. Tratando-se de um original do século XVI, a adaptação para o português moderno de mais de 2 mil páginas levou um ano de trabalho intenso, a uma média de 180 páginas por mês. Adail relembra com entusiasmo a imersão na obra da Santa Teresa, um trabalho que, apesar de exaustivo, trouxe imensa satisfação.

A desvalorização da profissão

Adail Sobral não esconde o cansaço que o ofício da tradução pode gerar, com suas longas jornadas de trabalho, mesmo tendo encontrado na profissão um propósito. Ele passou 15 anos traduzindo fora do ambiente universitário, chegando a trabalhar 14 horas por dia para atender a múltiplos clientes simultaneamente, o que o levou a retornar à universidade em busca de um ritmo diferente. Ele descreve o modelo de contratação do setor editorial daquela época como quase paternalista. A remuneração era precária, e a profissão não era totalmente reconhecida, exigindo um volume massivo de trabalho para a sobrevivência. Embora acredite que a situação tenha melhorado um pouco, ainda há um longo caminho a percorrer.

O tradutor menciona que empregadores justificavam salários mais baixos pelo pagamento do INSS, uma prática que contribuiu para a desvalorização profissional. Atualmente, muitos tradutores atuam como pessoa jurídica, mas a dificuldade persiste. As grandes editoras, segundo Adail, frequentemente impõem os preços para as traduções, enquanto as menores, embora mais abertas à negociação, possuem um poder de pagamento limitado. Ele observa que a melhor remuneração para tradutores geralmente se encontra em áreas técnicas, que exigem alta precisão terminológica, e na prestação de serviços para clientes estrangeiros, onde o valor do trabalho tende a ser mais reconhecido.

Perspectivas e o futuro do setor

As narrativas de Hugo Maciel de Carvalho, Florencia Ferrari e Adail Sobral ilustram a complexa tapeçaria que compõe o setor editorial brasileiro. Por um lado, há uma paixão visceral pelos livros e pela disseminação do conhecimento, um profundo senso de propósito que transcende as barreiras financeiras e as exigências do mercado. Por outro, persistem desafios significativos, como a desvalorização profissional, a remuneração inadequada e a intensidade do trabalho. O crescimento do mercado editorial nos últimos anos sugere um potencial de desenvolvimento, mas a sustentabilidade e a valorização de seus profissionais continuam sendo pautas cruciais. É na intersecção entre o amor pela literatura e a busca por condições de trabalho mais justas que se desenha o futuro desses guardiões das palavras, cujas contribuições são indispensáveis para a riqueza cultural e intelectual do país.

FAQ

Qual o principal motor que impulsiona os profissionais do setor editorial?
A paixão pelos livros e a convicção de que seu trabalho contribui para a formação de ideias e para a cultura, oferecendo leituras que podem ser transformadoras para o público.

Quais são os maiores desafios enfrentados por editores e tradutores no Brasil?
Baixa remuneração, ritmo de trabalho intenso e a desvalorização profissional, que muitas vezes não reconhece a complexidade e a dedicação exigidas pelo ofício.

Como as editoras independentes, como a Ubu, se diferenciam no mercado?
Elas são frequentemente impulsionadas pela paixão dos editores por obras específicas, buscam construir ambientes de trabalho colaborativos e saudáveis, e integram um posicionamento ético e político em suas práticas.

Os profissionais da tradução veem avanços na remuneração?
Embora haja uma percepção de ligeira melhora em comparação com o passado, a remuneração ainda é considerada insatisfatória por muitos, especialmente em relação ao valor imposto pelas grandes editoras. Áreas técnicas e clientes estrangeiros oferecem melhores perspectivas financeiras.

Para aprofundar seu conhecimento sobre o universo dos livros e valorizar o trabalho desses dedicados profissionais, explore as obras mencionadas no artigo, visite bibliotecas e apoie as editoras independentes. Sua leitura faz a diferença!

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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