A Prefeitura do Rio de Janeiro deu um passo significativo para a reestruturação e modernização de seu sistema de transporte público com a abertura de uma nova licitação de R$ 577 milhões para a escolha de novos operadores de ônibus na Zona Oeste. O edital, lançado pela Secretaria Municipal de Transportes, representa um investimento estimado para a renovação e ampliação das frotas, com foco inicial em três lotes estratégicos: um na região de Santa Cruz e dois em Campo Grande. Os contratos previstos terão uma validade de dez anos, sinalizando um compromisso de longo prazo com a melhoria da qualidade e da eficiência do serviço de ônibus na cidade. Esta iniciativa surge em um momento crucial, buscando não apenas renovar a infraestrutura, mas também implementar um modelo de gestão mais robusto e transparente para a mobilidade urbana carioca.
Detalhes da nova licitação e expansão da frota
Investimento milionário e focos de atuação
O vultoso investimento de R$ 577 milhões é a espinha dorsal desta nova licitação, que visa transformar radicalmente o cenário do transporte por ônibus em áreas de alta demanda da Zona Oeste. A estratégia da Secretaria de Transportes é clara: alocar recursos substanciais para garantir que as novas operadoras tenham capacidade para adquirir veículos modernos e ecologicamente mais eficientes, além de promover uma gestão operacional otimizada. Os três lotes designados – um em Santa Cruz e dois em Campo Grande – foram escolhidos devido à sua relevância no fluxo diário de passageiros, representando pontos nevrálgicos onde a oferta e a qualidade do transporte são cruciais para a população local. A meta é não apenas repor frotas antigas, mas sim expandir significativamente a capacidade de atendimento.
Aumento expressivo na oferta de transporte
Um dos pilares desta nova licitação é a projeção de um aumento substancial na oferta de ônibus, impactando diretamente a experiência dos usuários. No lote de Santa Cruz, por exemplo, a previsão é que a frota de ônibus salte de 67 para mais de 200 veículos, um incremento de quase 200%. Em Campo Grande, a expansão também é notável: as linhas locais terão um aumento de 37 para aproximadamente 160 ônibus, enquanto as linhas que conectam Campo Grande a outros bairros da cidade verão sua frota crescer de 95 para cerca de 150 veículos. Este aumento expressivo visa reduzir o tempo de espera, diminuir a superlotação nos horários de pico e expandir a cobertura do serviço, proporcionando maior conforto e confiabilidade para milhões de cariocas que dependem diariamente do transporte público. Para viabilizar esta expansão, as futuras operadoras utilizarão garagens que serão instaladas pela prefeitura em imóveis recentemente desapropriados pelo prefeito Eduardo Paes.
Revolução no modelo operacional do Rio
Mudanças estratégicas em garagens e bilhetagem
A nova licitação marca uma ruptura com o modelo operacional anterior, implementado em 2010, introduzindo mudanças estratégicas que visam fortalecer o controle e a fiscalização por parte do poder público. Diferentemente do arranjo passado, onde as empresas detinham o controle sobre as garagens e a bilhetagem eletrônica, agora essas responsabilidades passam a ser da prefeitura. Esta alteração é fundamental para garantir maior transparência na gestão de receitas, otimizar a distribuição da frota e assegurar um padrão de qualidade uniforme em todo o sistema. A Secretaria de Transportes informou que todos os futuros contratos com empresas de ônibus serão firmados sob este novo modelo, com a expectativa de que os antigos contratos e suas estruturas sejam completamente extintos até o ano de 2028, consolidando a nova abordagem de gestão do transporte urbano.
Nova divisão territorial para a operação
Outra inovação significativa apresentada pela licitação é a redefinição da divisão geográfica da cidade para fins operacionais. O modelo anterior segmentava o Rio de Janeiro em quatro grandes consórcios regionais, o que muitas vezes dificultava uma gestão mais localizada e a resposta rápida a demandas específicas de bairros. A partir de agora, a operação passará a seguir uma divisão em 34 lotes específicos, distribuídos por diferentes pontos da cidade. Essa pulverização em lotes menores tem como objetivo permitir uma gestão mais detalhada e responsiva, adaptando o serviço às particularidades de cada região e facilitando a entrada de novas empresas, potencialmente promovendo maior concorrência e eficiência. Essa nova estrutura busca otimizar as rotas, melhorar a distribuição da frota e, consequentemente, aprimorar a qualidade do serviço prestado aos passageiros em cada área.
Medidas de transição e o cenário de crise
Reforço provisório para garantir o serviço
Para assegurar a continuidade do serviço de transporte público enquanto os novos contratos da licitação não são firmados e as novas operadoras se estabelecem, a prefeitura do Rio de Janeiro implementou medidas de transição. O Consórcio Internorte assumiu temporariamente parte das linhas, garantindo que não haja interrupção no atendimento aos passageiros. Além disso, a Mobi-Rio, empresa responsável pela administração do sistema BRT, desempenhará um papel crucial ao alugar aproximadamente 100 ônibus pelos próximos dois anos. Este reforço temporário é essencial para suprir a demanda e manter a regularidade das viagens, minimizando os transtornos para a população durante esta fase de transição e reestruturação do sistema de transporte. A medida visa garantir que a qualidade do serviço não seja comprometida enquanto as mudanças permanentes estão em andamento.
O impacto da crise nas operadoras atuais
As mudanças em curso e a abertura da nova licitação acontecem em um cenário complexo e de crise que afeta, notadamente, empresas de ônibus já atuantes na cidade. Recentemente, duas operadoras de grande porte, a Real Auto Ônibus e a Transportes Vila Isabel, enfrentaram sérias consequências devido a irregularidades em suas operações. Suas garagens foram lacradas pela prefeitura, e suas contas, bloqueadas pela Justiça, evidenciando problemas de gestão e conformidade que impactaram diretamente a prestação de serviço. Este contexto de crise, com a identificação de falhas e a necessidade de intervenção do poder público, reforça a urgência e a importância da nova licitação. A iniciativa busca não apenas substituir empresas problemáticas, mas também estabelecer um novo padrão de exigência e transparência, garantindo que as futuras operadoras cumpram rigorosamente as normas e ofereçam um serviço de qualidade superior e sustentável para o público carioca.
Conclusão
A licitação de R$ 577 milhões para novas empresas de ônibus na Zona Oeste representa um marco decisivo na política de mobilidade urbana do Rio de Janeiro. Com um investimento robusto e a introdução de um modelo operacional inovador, a prefeitura busca não apenas a renovação da frota, mas uma completa reestruturação do sistema de transporte público. A centralização do controle de garagens e bilhetagem, a nova divisão da cidade em 34 lotes e o expressivo aumento na oferta de veículos são pilares que prometem transformar a experiência do passageiro, tornando-a mais eficiente, confortável e confiável. Em meio a um cenário de desafios e a necessidade de superar as deficiências das gestões anteriores, esta iniciativa demonstra o compromisso com a modernização e a melhoria contínua da infraestrutura de transporte, essencial para a qualidade de vida dos cariocas.
FAQ
Qual o valor total da licitação para novas empresas de ônibus?
A licitação prevê um investimento estimado de R$ 577 milhões para a renovação e ampliação das frotas de ônibus.
Quais as principais mudanças no modelo de contratação das empresas?
A prefeitura agora terá controle sobre as garagens e a bilhetagem eletrônica, diferentemente do modelo anterior. Além disso, a cidade será dividida em 34 lotes específicos para operação, em vez de quatro consórcios regionais.
Até quando os modelos antigos de contrato devem ser extintos?
A previsão é de que os modelos antigos de contrato com empresas de ônibus sejam completamente extintos até o ano de 2028, dando lugar ao novo padrão.
Que medidas estão sendo tomadas para garantir o serviço durante a transição?
O Consórcio Internorte assumiu parte das linhas e a Mobi-Rio alugará cerca de 100 ônibus pelos próximos dois anos para reforçar o atendimento aos passageiros.
Acompanhe as próximas etapas deste importante processo para a mobilidade carioca e mantenha-se informado sobre as transformações no transporte público do Rio de Janeiro.
Fonte: https://temporealrj.com



