Na manhã de domingo, 7 de abril, a Biblioteca Pública Mário de Andrade, um dos mais importantes marcos culturais no centro de São Paulo, foi palco de um audacioso crime. Dois homens armados invadiram o edifício e subtraíram 13 gravuras de valor inestimável, incluindo obras dos renomados artistas Henri Matisse e Candido Portinari. As peças faziam parte da exposição “Do livro ao Museu”, fruto de uma parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). O roubo das obras de Matisse e Portinari chocou a comunidade cultural e mobilizou as forças de segurança, que intensificaram a busca pelos criminosos e pelo valioso acervo artístico, gerando grande preocupação sobre a segurança do patrimônio cultural brasileiro.
A invasão e o plano dos criminosos
Cronologia dos fatos
O incidente ocorreu por volta das 10h43, quando uma van azul estacionou nas imediações da biblioteca. Dela, desembarcaram dois homens que, agindo com rapidez e ousadia, adentraram o histórico edifício. Segundo relatos e informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, os criminosos renderam uma vigilante que estava de serviço e um casal de idosos que visitava o local no início da manhã. Após imobilizar as vítimas, os assaltantes se dirigiram à área da cúpula de vidro, onde a exposição “Do livro ao Museu” estava montada. Ali, subtraíram as 13 gravuras que compunham parte do acervo em exibição.
A ação foi metódica e rápida. Após o roubo, os dois homens empreenderam fuga pela saída principal da biblioteca, retornando à van azul que os aguardava. Câmeras de segurança registraram a movimentação e, em um momento crucial, um dos homens foi visto carregando parte das obras, vestindo apenas uma camiseta clara. Outra filmagem revelou que o mesmo indivíduo teria deixado três telas encostadas no muro de uma calçada próxima, levantando dúvidas se outra pessoa as retirou dali ou se os próprios bandidos retornaram para recuperá-las. A agilidade e a audácia da ação apontam para um plano bem orquestrado, deixando as autoridades em alerta máximo. A investigação agora tenta desvendar os detalhes da logística e quem estaria por trás do crime.
O valor inestimável das obras roubadas
Os mestres em destaque: Portinari e Matisse
As obras subtraídas representam uma perda significativa para o patrimônio artístico nacional e internacional. Entre elas, destacam-se gravuras de dois gigantes da arte: Candido Portinari e Henri Matisse, cujas criações possuem valor cultural e monetário inestimável.
Candido Portinari (1903-1962) é um dos maiores pintores brasileiros da modernidade. Sua obra é um espelho da alma brasileira, retratando a vida do povo, o trabalho rural, a infância e os problemas sociais com uma sensão e humanidade profundas. Portinari foi um expoente do Modernismo no Brasil, com uma produção vasta que abrange murais, afrescos e quadros que se tornaram ícones. Gravuras como as roubadas costumam ser raras e representam estudos ou desdobramentos de suas grandes temáticas. Infelizmente, esta não é a primeira vez que peças do artista são alvo de criminosos em São Paulo. Em 2007, obras da renomada série “O Lavrador de Café” foram roubadas do Museu de Arte de São Paulo (MASP), um incidente que, assim como o atual, gerou grande comoção e reforçou a vulnerabilidade do nosso acervo. A repetição do crime acende um alerta vermelho para a segurança de instituições culturais.
Henri Matisse (1869-1954), por sua vez, é um dos nomes mais revolucionários da arte do século XX. Pintor, desenhista e escultor francês, é considerado o principal expoente do Fauvismo, movimento artístico que surgiu no início dos anos 1900. O Fauvismo é caracterizado pelo uso de cores puras e vibrantes, aplicadas de forma não naturalista, explorando a luz e o contraste de maneira expressiva. As obras roubadas de Matisse incluem títulos como “O palhaço”, “O circo”, “O pesadelo do elefante branco”, “Os Codomas”, “O nadador de Aquário”, “O engolidor de palavras”, “O cowboy” e “Senhor leal”. Essas gravuras, frequentemente litografias ou xilogravuras, são exemplares de sua fase de experimentação com formas simplificadas e a maestria na cor e na composição, oferecendo um vislumbre de sua genialidade e da evolução de sua estética. A perda dessas peças de um artista com tal legado é um golpe para o circuito internacional de arte.
A reação e a caça aos criminosos
Tecnologia a serviço da investigação
A resposta das autoridades foi imediata e intensiva. A Polícia Civil de São Paulo, com o apoio de diversas unidades, está à frente da investigação para identificar os criminosos, recuperar as obras e elucidar as circunstâncias do roubo. A tecnologia tem desempenhado um papel fundamental neste processo. Câmeras de segurança espalhadas pela cidade, integradas ao sistema de vigilância que utiliza reconhecimento facial, permitiram a identificação de possíveis suspeitos.
Imagens divulgadas revelam a ação dos assaltantes: a chegada da van azul, a entrada no prédio e, posteriormente, a fuga com as obras. A visibilidade de um dos homens carregando parte do acervo, bem como a cena em que três telas são deixadas em uma calçada, tornaram-se pontos cruciais para a análise dos investigadores. A polícia está analisando minuciosamente cada quadro da gravação, buscando detalhes que possam levar ao paradeiro dos criminosos e das peças restantes. A integração de sistemas de monitoramento avançados se mostra uma ferramenta poderosa na elucidação de crimes como este, mas também expõe as complexidades da segurança em grandes metrópoles e a audácia de grupos organizados que visam o mercado de arte ilícito. A cooperação entre diferentes órgãos de segurança e a inteligência investigativa são essenciais para desmantelar essa rede e garantir que nosso patrimônio cultural seja protegido.
Conclusão
O roubo das 13 gravuras de Henri Matisse e Candido Portinari da Biblioteca Mário de Andrade representa uma profunda perda para o cenário cultural brasileiro e internacional. Além do valor financeiro, a subtração dessas obras constitui um ataque ao patrimônio histórico e artístico, privando o público do acesso a peças de mestres que moldaram a arte moderna. A audácia dos criminosos e a repetição de roubos de obras de Portinari acendem um alerta crítico sobre a segurança de nossas instituições culturais, exigindo um aprimoramento contínuo dos protocolos de proteção. A mobilização das autoridades, com o uso de tecnologia avançada, demonstra o compromisso em recuperar o acervo e responsabilizar os culpados, mas a comunidade permanece vigilante, na esperança de que essas valiosas obras retornem ao seu devido lugar: acessíveis a todos.
Perguntas frequentes
Q1: Quais obras de arte foram subtraídas da Biblioteca Mário de Andrade?
Foram roubadas 13 gravuras, incluindo oito obras do artista francês Henri Matisse (“O palhaço”, “O circo”, “O pesadelo do elefante branco”, “Os Codomas”, “O nadador de Aquário”, “O engolidor de palavras”, “O cowboy” e “Senhor leal”) e gravuras do pintor brasileiro Candido Portinari.
Q2: Quem são Henri Matisse e Candido Portinari?
Henri Matisse foi um renomado pintor francês, um dos principais nomes do Fauvismo, conhecido pelo uso vibrante de cores. Candido Portinari é um dos maiores pintores modernistas do Brasil, célebre por retratar a realidade social e a cultura brasileira em suas obras.
Q3: Existem precedentes de roubos de obras de Portinari no Brasil?
Sim, esta não é a primeira vez que obras de Candido Portinari são roubadas em São Paulo. Em 2007, quadros da coleção “O Lavrador de Café” foram subtraídos do Museu de Arte de São Paulo (MASP), um evento que também gerou grande repercussão.
Q4: Como a polícia está conduzindo a investigação?
A investigação está em andamento, utilizando câmeras de segurança e tecnologia de reconhecimento facial para identificar e localizar os criminosos. Imagens capturaram a chegada e a fuga dos assaltantes em uma van azul, além de um deles abandonando algumas obras em uma calçada, auxiliando nas buscas.
Acompanhe as notícias e os desdobramentos desta importante investigação, e continue valorizando o nosso patrimônio cultural ao visitar museus e exposições. A preservação da arte é uma responsabilidade de todos.
Fonte: https://www.infomoney.com.br



