O carnaval de rua do Rio de Janeiro se prepara para mais uma edição monumental, com a expectativa de atrair cerca de 6 milhões de pessoas, entre moradores e turistas, para as ruas, praças e avenidas da cidade. Em um cenário de recorde de inscrições, com 803 blocos buscando autorização, a Empresa Municipal de Turismo do Rio (Riotur) liberou o desfile de 462 agremiações, e entre elas, 35 estrearão oficialmente neste ano, adicionando frescor e diversidade à folia carioca. A mobilização para o carnaval do Rio reflete-se também na rede hoteleira, que já registra uma ocupação de 83,70%, evidenciando o apelo duradouro da festa. Enquanto a cidade se enfeita, iniciativas como a proteção a crianças e adolescentes e a valorização de blocos que promovem a saúde mental e a inclusão LGBTQIA+ ganham destaque, reforçando a amplitude e a relevância social do evento.
A efervescência dos novatos: forró encontra pop na rua
Entre os 35 blocos que farão sua estreia oficial no carnaval carioca, o “Forró da Taylor” surge como um dos mais aguardados, prometendo uma fusão musical inovadora. Idealizado por Igor Conde, músico e um dos fundadores, o bloco tem suas raízes em uma despretensiosa roda de amigos forrozeiros que se reuniam em Santa Teresa desde outubro de 2017. A ideia nasceu da convivência de Igor com dois sanfoneiros na Rua Taylor, onde os domingos eram preenchidos por sessões informais de forró.
O que começou como um encontro íntimo rapidamente ganhou proporções maiores. A roda de forró cresceu exponencialmente, transformando-se em um evento que chegou a reunir 1.500 pessoas na Praça Glauce Rocha, nas proximidades da Rua Taylor. Esse movimento espontâneo deu origem ao “Cortaylor”, um cortejo animado que começou a desfilar de forma não oficial pelas ladeiras de Santa Teresa em 2022. No ano seguinte, o bloco itinerante levou sua alegria para o Aterro do Flamengo. Para a edição atual, a grande novidade é a oficialização. “Este ano, para a gente poder oficializar o bloco, temos que fazê-lo parado, no palco. Será no Largo de São Francisco, no centro, no Sábado de Carnaval, a partir das 8h”, explica Igor Conde, que, além de cantar, toca zabumba ao lado de outros seis músicos.
Forró xucado: a irreverência sonora do Forró da Taylor
A identidade musical do Forró da Taylor é um dos seus maiores atrativos. Igor Conde descreve o estilo como uma mistura irreverente que incorpora sucessos do carnaval, hits do repertório pop nacional e internacional, todos reinterpretados no ritmo do forró pé de serra. “A gente toca os maiores sucessos do Brasil e internacional em ritmo de forró pé de serra. Nosso jeito de tocar músicas de sucesso em formato de forró é irreverente. A gente chama de um novo gênero musical, de forró xucado, meio bagunçado, carioca”, detalha o fundador. Essa abordagem audaciosa cria uma experiência sonora única, que promete surpreender e fazer dançar os foliões que buscam algo além do tradicional. A estreia oficial marca um novo capítulo para o bloco, que de uma simples reunião de amigos se consolidou como uma promessa de diversão e originalidade no coração do Rio de Janeiro.
A vibração do carnaval à margem do roteiro oficial
Enquanto alguns blocos buscam a oficialização, muitos outros mantêm viva a chama do carnaval de rua independente, fora do circuito gerenciado pela Riotur. Essas agremiações, muitas vezes, surgem da iniciativa comunitária e da paixão pela música e pela dança, oferecendo uma face mais orgânica e descontraída da folia carioca. Entre os que operam à margem do roteiro oficial, destacam-se o “Treme Treme” e o “Alto Astral”, cada um com propostas e histórias singulares que enriquecem o panorama festivo da cidade.
O rebolado contagiante do Treme Treme
O bloco “Treme Treme” promete levar o pagode baiano e o funk carioca para as ruas, com uma proposta focada em fazer todos dançarem. Gabi Assis, percussionista e produtora, é uma das fundadoras e explica a essência do grupo: “A ideia é fazer todo mundo dançar. O nome é provocativo, o Treme Treme vem do rebolar, do verão, do carnaval. O repertório é pensado em músicas dançantes.” Um diferencial marcante do bloco é a presença de um corpo de baile formado por bailarinos profissionais, que formam a linha de frente e garantem uma performance visual impactante.
Apesar de ser um bloco não oficial, o Treme Treme demonstrou um planejamento cuidadoso. A organização do grupo começou em 2024, com a intenção inicial de estrear em 2025, mas os preparativos aceleraram, e o bloco está pronto para seu debute no carnaval deste ano. Os ensaios, que reúnem 25 integrantes entre músicos e dançarinos, costumam ocorrer na Praça da Harmonia, na Saúde, e começaram em junho do ano anterior, preparando o time para a grande festa. “Vamos desfilar em cortejo dia 7 de fevereiro a partir das 16h”, revela Gabi, indicando que o local da apresentação será na região portuária ou na Prainha da Glória, no Posto 0 do Aterro do Flamengo.
A alegria circense do Alto Astral
Outro bloco que se manifesta fora do roteiro oficial é o “Alto Astral”, fundado por Thadeu Marinho. O grupo se define como uma manifestação cultural que celebra a felicidade através da música e da performance. “São músicas felizes, como ‘Acordei Feliz’, do Charlie Brown, ‘Final Feliz’, do Jorge Vercilo. A gente também tem perna de pau, apresentações circenses”, conta Thadeu, destacando a diversidade artística do bloco. Composto por 60 integrantes, o Alto Astral iniciou seus ensaios em outubro do ano passado, no Aterro do Flamengo, aos fins de semana, entre 14h e 15h.
Diferentemente do Treme Treme, o Alto Astral optará por uma apresentação estática. “A gente vai tocar parado este ano. O local da apresentação será divulgado na véspera para não encher demais. Será no sábado de carnaval, dia 14”, informa Thadeu. A decisão de anunciar o local de última hora visa gerenciar o fluxo de foliões, mantendo o controle sobre o público. Thadeu Marinho não é um novato no universo dos blocos. Em carnavais anteriores, ele foi o idealizador do “Nova Bad”, um bloco que, ironicamente, tocava apenas músicas tristes. Curiosamente, mesmo com a temática “baixo astral”, o Nova Bad teve de ser encerrado devido à grande lotação, demonstrando a capacidade de Thadeu de atrair público, independentemente do tom musical.
O legado e a renovação do carnaval carioca
O carnaval de rua do Rio de Janeiro se reafirma anualmente como um dos maiores espetáculos a céu aberto do mundo, um verdadeiro mosaico cultural que pulsa com a energia dos seus foliões. A chegada de 35 novos blocos oficiais, somada à vitalidade das agremiações independentes como o Treme Treme e o Alto Astral, demonstra a capacidade inesgotável da festa de se reinventar e acolher novas expressões. Desde o Forró da Taylor, que promete misturar ritmos e oficializar sua irreverência, até os grupos que mantêm a tradição da rua sem amarras burocráticas, o carnaval carioca continua a ser um espaço de liberdade, criatividade e união. Ele não apenas entretém, mas também reflete a alma diversa e acolhedora da cidade, garantindo que a alegria e a pluralidade jamais faltem em suas celebrações.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quantos blocos estreiam oficialmente no carnaval de rua do Rio neste ano?
Neste ano, 35 blocos estão autorizados a desfilar pela primeira vez no carnaval de rua oficial do Rio de Janeiro.
O que é o “forró xucado” do bloco Forró da Taylor?
O “forró xucado” é um gênero musical criado pelo Forró da Taylor, que consiste em tocar grandes sucessos da música brasileira e internacional em ritmo de forró pé de serra, de uma forma irreverente e com sotaque carioca.
Os blocos Treme Treme e Alto Astral são oficiais?
Não, tanto o Treme Treme quanto o Alto Astral são blocos independentes que fazem parte do carnaval não oficial do Rio de Janeiro, operando fora do roteiro gerenciado pela Riotur.
Qual a previsão de público para o carnaval de rua do Rio?
A expectativa é que o carnaval de rua do Rio de Janeiro atraia cerca de 6 milhões de pessoas, incluindo moradores e turistas.
Para não perder nenhuma novidade e mergulhar de cabeça na folia carioca, acompanhe as redes sociais dos blocos e os guias oficiais da cidade.



