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Mulher trans entra na universidade 25 anos após violências escolares
Brasil

Mulher trans entra na universidade 25 anos após violências escolares

Última Atualizacão 22/03/2026 12:31
PainelRJ
Publicado 22/03/2026
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© Sabriiny Fogaça/Arquivo Pessoal
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A trajetória educacional é, muitas vezes, um espelho das desigualdades e desafios sociais. Para Sabriiny Fogaça Lopes, uma mulher trans de 41 anos, o caminho de volta à sala de aula culminou em uma vitória significativa: a aprovação na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Este feito acontece 25 anos depois de sua experiência escolar ter sido bruscamente interrompida por conta de discriminação e agressões. A história de Sabriiny Fogaça na universidade não é apenas um testemunho de resiliência pessoal, mas também um poderoso lembrete da necessidade urgente de ambientes educacionais mais acolhedores e inclusivos para a população LGBTQIA+, especialmente para mulheres trans. Sua jornada simboliza a luta por reconhecimento, respeito e o direito fundamental à educação, que muitas vezes é negado a grupos marginalizados.

A jornada interrompida e o recomeço

Os desafios da juventude e o abandono escolar

Aos 15 anos, Sabriiny Fogaça foi forçada a abandonar os estudos. Uma estudante dedicada e engajada, que via na escola um lugar de aprendizado e participação em projetos, ela foi vítima de um ambiente escolar hostil. Sofreu discriminações severas e repressões de outros alunos, que frequentemente culminavam em agressões físicas. Naquela época, a compreensão sobre transfobia e bullying era limitada, e Sabriiny interpretava as violências como “brincadeiras normais”, sem entender a gravidade e o impacto profundo que teriam em sua vida. Essa experiência dolorosa a afastou do que mais gostava: a leitura e a participação ativa no ambiente acadêmico, marcando profundamente sua juventude e seu acesso ao mercado de trabalho, onde enfrentou dificuldades e se sentiu “incompleta”, mesmo atuando como cabeleireira por um período. A lacuna de 25 anos nos estudos representou não apenas a perda de oportunidades formais, mas também um período de busca por aceitação e por um sentido de pertencimento.

A busca por um novo caminho e a Educação de Jovens e Adultos (EJA)

Motivada pelo apoio de amigos e um profundo desejo de reescrever sua própria história, Sabriiny decidiu dar uma nova chance à educação. Encontrou na Educação de Jovens e Adultos (EJA) a porta de entrada para esse recomeço. Sua volta às aulas, no Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica, região metropolitana do Rio de Janeiro, foi marcada por um receio compreensível: o medo de reviver os traumas da infância. “Meu receio era de passar tudo o que eu passei na minha infância”, desabafou Sabriiny, ao pisar novamente em uma escola, questionando se seria aceita e compreendida. Felizmente, a experiência foi completamente diferente. O ambiente acolhedor, com alunos de diversas idades e histórias de vida, proporcionou um senso de pertencimento. Sabriiny engajou-se plenamente, participando de projetos como o “Alunos Autores”, uma iniciativa em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc RJ), que permitiu a publicação de uma coletânea de contos escritos por estudantes da rede pública. Esse novo capítulo em sua vida escolar reacendeu a paixão pelos estudos e a confiança em seu potencial.

A persistência no ensino superior e a luta por inclusão

Aprovação no Enem e escolhas acadêmicas

A determinação de Sabriiny a levou a prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por duas vezes, sendo aprovada em ambas as tentativas. A primeira aprovação foi para Licenciatura em Educação do Campo. A segunda, em 2026, garantiu sua vaga na Licenciatura em Educação Especial, seu curso de escolha e paixão. Sabriiny sempre demonstrou um olhar sensível para as diferenças, acreditando firmemente que todas as pessoas devem ter acesso à educação. Sua escolha pela educação especial reflete esse compromisso. “Eu acredito muito que eu quero contribuir a todas as pessoas, que todas as pessoas tenham acesso à educação, porque a educação faz parte da vida de todo mundo”, afirmou. Suas expectativas são altas, focadas em aprender e em se tornar uma profissional capaz de realmente fazer a diferença na vida de seus futuros alunos. Sua liderança e engajamento já são evidentes, tendo sido eleita Diretora de Diversidade do Diretório Acadêmico do curso de Educação Especial, um passo importante para advogar pela inclusão dentro da própria instituição.

Desafios e aspirações futuras

Apesar da conquista universitária, Sabriiny está ciente dos desafios que ainda a aguardam, especialmente no mercado de trabalho. Ela reconhece que, como mulher trans, poderá enfrentar barreiras para conseguir um emprego em escolas, devido ao preconceito. Contudo, essa percepção não a desmotiva, mas sim a impulsiona a continuar. “Eu quero mostrar que nunca é tarde pra começar”, ressalta, demonstrando uma inabalável confiança em sua capacidade de superar obstáculos e educar. Sua visão se estende para além de uma única graduação; Sabriiny planeja retornar à universidade para realizar o sonho de cursar Serviço Social, visando construir uma carreira robusta e multifacetada na área da educação especial. Sua história é um farol para muitos, provando que a persistência e a paixão pela educação podem derrubar barreiras, não importa quão altas pareçam.

O cenário da educação para pessoas trans no Brasil

Estatísticas e barreiras no acesso ao ensino superior

A jornada de Sabriiny Fogaça é uma exceção em um cenário ainda desafiador para a população trans no Brasil. Dados de 2024 da Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra) revelam que apenas 0,3% da população trans e travesti consegue acessar o ensino superior. Preocupantemente, mais de 70% dessa população não concluiu o ensino médio. Essa exclusão alarmante é atribuída, pela Antra, à transfobia institucional e social, que se manifesta em baixíssimos índices de escolarização e formação profissional. A violência, o preconceito e a falta de acolhimento em ambientes educacionais desde as fases iniciais da vida escolar contribuem para que a maioria das pessoas trans não consiga sequer completar a educação básica, impactando diretamente suas chances de ascensão social e profissional.

Políticas de cotas e a importância da permanência

Diante desse panorama, medidas significativas têm sido implementadas nos últimos anos para tentar reverter esse quadro de exclusão. Atualmente, 38 universidades públicas no Brasil, entre estaduais e federais, oferecem cotas específicas para pessoas trans. Essas cotas estão distribuídas por todas as regiões do país, sendo 13 no Sudeste, quatro no Sul, 13 no Nordeste, três no Centro-Oeste e cinco no Norte. Essa política é um passo crucial para garantir a entrada de pessoas trans no ensino superior. No entanto, a Antra reforça que a garantia de entrada é apenas o primeiro desafio. É igualmente fundamental desenvolver e implementar políticas de permanência eficazes, que garantam que os estudantes trans possam concluir seus estudos com dignidade e segurança. Isso inclui a criação de comissões de acompanhamento, assistências específicas – como apoio psicossocial e bolsas de estudo – e a garantia de espaços de segurança e acolhimento dentro das instituições de ensino, livres de transfobia e preconceito.

O papel da EJA na reinserção educacional

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) desempenha um papel vital na reinserção educacional de milhões de brasileiros, incluindo pessoas como Sabriiny Fogaça, que tiveram seus estudos interrompidos. De acordo com o Censo Escolar 2024, há cerca de 2,4 milhões de estudantes matriculados na EJA, sendo 2,2 milhões deles na rede pública. Apesar de serem uma minoria na educação básica, que totaliza 47 milhões de estudantes em todo o país, a EJA é crucial para aqueles que não tiveram acesso ou não concluíram o ensino fundamental e médio na idade adequada. Contudo, o acesso ao ensino superior por parte dos concluintes da EJA ainda é um desafio. Dados do Censo da Educação Superior 2023 indicam que a porcentagem de estudantes da EJA que acessam o ensino superior no ano seguinte à conclusão do ensino médio é de apenas 9%, contrastando com 30% na modalidade regular. Isso ressalta a necessidade de mais políticas de apoio e incentivo para que esses estudantes possam prosseguir em sua formação acadêmica.

A educação como ferramenta de transformação e inclusão

A jornada de Sabriiny Fogaça Lopes é um poderoso exemplo da capacidade de superação e da força transformadora da educação. Sua aprovação na UFRRJ, 25 anos após ser expulsa da escola pela violência e preconceito, não é apenas uma vitória pessoal, mas um farol de esperança para toda a comunidade trans e para todos que acreditam na educação como pilar de uma sociedade justa e inclusiva. Sua história destaca a urgência de combater a transfobia em todos os níveis de ensino e de criar ambientes verdadeiramente acolhedores onde todos, independentemente de sua identidade de gênero, possam florescer. A dedicação de Sabriiny em se tornar uma profissional da educação especial e sua luta por um futuro mais equitativo reiteram que a educação não é apenas um direito, mas a mais potente ferramenta para a construção de um mundo onde “nunca é tarde para começar” e onde as diferenças são celebradas e respeitadas.

Perguntas frequentes sobre a jornada educacional de Sabriiny Fogaça e a inclusão trans

Quem é Sabriiny Fogaça Lopes e qual seu principal feito?
Sabriiny Fogaça Lopes é uma mulher trans de 41 anos que, após 25 anos afastada da educação devido a discriminações e violências na escola, foi aprovada na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) para cursar Licenciatura em Educação Especial, marcando um retorno triunfal aos estudos.

Quais foram os maiores desafios enfrentados por Sabriiny em sua jornada educacional?
Os maiores desafios incluem o abandono escolar aos 15 anos por conta de discriminações severas e agressões físicas, a falta de compreensão sobre transfobia na época, dificuldades no mercado de trabalho e o receio inicial de não ser aceita ao retornar à escola na modalidade EJA.

Qual a importância da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e das políticas de cotas para a população trans?
A EJA foi fundamental para Sabriiny e milhões de brasileiros retomarem os estudos, oferecendo uma segunda chance. As políticas de cotas para pessoas trans em universidades públicas são cruciais para garantir o acesso dessa população ao ensino superior, combatendo a exclusão histórica e a transfobia institucional.

Quais são as aspirações futuras de Sabriiny Fogaça Lopes?
Sabriiny pretende se tornar uma profissional da educação especial que faça a diferença, inspirando outras pessoas. Ela também planeja cursar Serviço Social no futuro e está comprometida em mostrar que “nunca é tarde para começar”, mesmo diante dos desafios que sabe que enfrentará no mercado de trabalho como mulher trans.

Seja parte dessa transformação. Apoie iniciativas de inclusão educacional e ajude a construir um futuro mais equitativo para todos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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