A comunidade de Botafogo, bairro tradicional da Zona Sul do Rio de Janeiro, encontra-se em estado de efervescência e mobilização. O motivo é a desapropriação de um imóvel que abrigava um supermercado na Rua Barão de Itambi, 50, e que, por decreto municipal, será destinado à construção de um novo centro de tecnologia da Fundação Getulio Vargas (FGV). Este anúncio deflagrou uma onda de insatisfação e um protesto foi agendado para o próximo sábado, 28 de outubro. A controvérsia em torno da desapropriação de imóvel em Botafogo reside não apenas na mudança de uso do terreno, mas também na maneira como o processo foi conduzido pelas autoridades, gerando críticas sobre a falta de diálogo e a escolha dos instrumentos legais aplicados.
A controvérsia da desapropriação e o decreto municipal
A disputa que envolve o imóvel na Rua Barão de Itambi, 50, em Botafogo, tem suas raízes em um decreto do prefeito Eduardo Paes (PSD), que declarou a propriedade de utilidade pública. Essa medida administrativa, que permite ao poder público adquirir bens privados para fins de interesse coletivo, abriu caminho para a destinação do terreno ao projeto de expansão da Fundação Getulio Vargas (FGV). O local, anteriormente ocupado por uma unidade do Pão de Açúcar, já estava em processo de transição para receber a rede Supermercados Mundial, cujos preparativos para a instalação foram abruptamente interrompidos pela decisão municipal.
O decreto de utilidade pública e a hasta pública
O imóvel, que pertence ao Grupo Sendas, foi alvo de um decreto de desapropriação que utilizou a hasta pública como mecanismo para sua aquisição pelo município, sob a justificativa de “renovação urbana”. Este método, que geralmente se aplica a bens abandonados ou em situação de débito para serem leiloados, tornou-se um dos principais pontos de discórdia. Para os moradores e o vereador Pedro Duarte (PSD), que representa a comunidade de Botafogo, a escolha da hasta pública é questionável, visto que o imóvel não se enquadrava na condição de abandono, tendo inclusive planos concretos para sua continuidade comercial com a chegada do Supermercados Mundial. A interrupção desses planos e a imposição da desapropriação sem aparente consulta prévia levantaram sérias dúvidas sobre a transparência e a legitimidade do processo, provocando uma forte reação por parte da população local. A decisão impacta não apenas o Grupo Sendas e a rede Mundial, que tinham um acordo comercial em andamento, mas também os consumidores e a dinâmica do comércio local, que perderá uma opção de supermercado relevante para o dia a dia dos residentes. A declaração de utilidade pública, embora seja um instrumento legal legítimo, está sendo contestada pela forma como foi aplicada e pela percepção de que interesses específicos podem ter sido priorizados em detrimento de uma análise mais ampla das necessidades e da voz da comunidade.
O projeto da FGV e a visão dos moradores
A Fundação Getulio Vargas (FGV), uma instituição de ensino e pesquisa renomada, planeja erguer no local um moderno centro de tecnologia. Este projeto ambicioso promete trazer inovação e desenvolvimento para a região, mas é justamente sua implementação que tem gerado atrito com os residentes de Botafogo, que se sentem alijados do processo decisório. A proposta da FGV detalha uma estrutura avançada, focada em tecnologia e pesquisa, que certamente representaria um marco para a cidade.
Detalhes do futuro centro de tecnologia e a crítica da comunidade
O projeto arquitetônico da FGV para o terreno prevê a construção de um edifício imponente de seis pavimentos. A nova estrutura é desenhada para ser um hub de inovação, contando com um subsolo técnico especificamente projetado para abrigar um supercomputador, um equipamento de alta performance crucial para pesquisas avançadas. No térreo, o plano inclui uma galeria de arte, um café e uma biblioteca, visando criar um espaço de interação cultural e social. Os andares intermediários serão dedicados a laboratórios de ponta, auditórios modernos e áreas de integração criativa, pensadas para fomentar a colaboração e a inovação entre estudantes e pesquisadores. Finalmente, a cobertura do edifício será reservada para pesquisas avançadas, consolidando o caráter tecnológico e acadêmico do empreendimento.
Apesar do potencial inovador do projeto, a comunidade de Botafogo tem manifestado severas críticas, culminando em uma ofensiva contra a desapropriação que chegou à Justiça. O vereador Pedro Duarte (PSD), morador do bairro e frequentador assíduo do imóvel (onde funciona uma academia), lidera essa frente. A principal queixa dos moradores é a flagrante falta de diálogo com a população antes da tomada da decisão. Segundo eles, a desapropriação foi uma escolha essencialmente comercial, priorizando interesses específicos em detrimento do bem-estar e da participação da comunidade no planejamento urbano. Além disso, a crítica se estende ao uso da hasta pública. Duarte e os residentes argumentam que esse instrumento legal não deveria ter sido adotado, uma vez que o imóvel não se encontrava em estado de abandono, com planos concretos de ocupação pelo Supermercados Mundial já em andamento. A percepção é de que houve uma arbitrariedade na escolha do método, desconsiderando a realidade local e a iminente chegada de um novo serviço essencial para o bairro. Essa situação levanta questões sobre a transparência do poder público em suas decisões e a importância da consulta popular em projetos que impactam diretamente a vida dos cidadãos. A mobilização em Botafogo reflete um desejo por maior participação e um questionamento sobre as prioridades do planejamento urbano.
A voz da comunidade e os próximos passos
A desapropriação do imóvel em Botafogo, destinado ao novo centro de tecnologia da FGV, exemplifica o delicado equilíbrio entre o desenvolvimento urbano e os direitos da comunidade. A mobilização dos moradores e as ações judiciais encabeçadas pelo vereador Pedro Duarte sublinham a importância do diálogo e da transparência em decisões que impactam diretamente a vida dos cidadãos. A controvérsia sobre a legalidade e a ética do uso da hasta pública, em um contexto onde o imóvel não estava abandonado e tinha um novo plano comercial, ressoa como um chamado para uma análise mais profunda das políticas de desapropriação. Enquanto a FGV avança com seus planos ambiciosos, a comunidade de Botafogo permanece vigilante, defendendo a participação cidadã e o respeito às necessidades locais, em um embate que ainda promete novos capítulos.
FAQ
Qual é o principal motivo do protesto em Botafogo?
O principal motivo do protesto é a desapropriação de um imóvel que funcionava como supermercado e que será destinado à construção de um novo centro de tecnologia da Fundação Getulio Vargas (FGV), sem a percepção de diálogo prévio com a comunidade e questionamentos sobre a legalidade do processo.
O que a FGV planeja construir no local desapropriado?
A FGV planeja construir um edifício de seis pavimentos que abrigará um centro de tecnologia, com subsolo técnico para supercomputador, térreo com galeria de arte, café e biblioteca, andares intermediários com laboratórios, auditórios e áreas de integração criativa, e uma cobertura para pesquisas avançadas.
Por que os moradores criticam o uso da hasta pública?
Os moradores criticam o uso da hasta pública porque, segundo eles e o vereador Pedro Duarte, este instrumento legal não deveria ter sido adotado para um imóvel que não estava abandonado e já tinha um novo inquilino (Supermercados Mundial) em fase de instalação.
Quem era o proprietário do imóvel desapropriado?
O imóvel desapropriado pertencia ao Grupo Sendas.
Mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste caso, que continua a mobilizar a comunidade de Botafogo e a levantar questões importantes sobre o planejamento urbano e a participação cidadã.
Fonte: https://temporealrj.com



