O carnaval brasileiro de 2024 se aproxima com um sinal de alerta para a saúde pública: a crescente preocupação com a intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas. Casos confirmados e óbitos decorrentes do consumo de metanol em bebidas impõem uma vigilância redobrada às autoridades sanitárias e à população. Em um período recente, o Brasil registrou 76 casos de intoxicação por metanol associada ao consumo de bebidas alcoólicas em 2025, com 29 ocorrências ainda sob investigação. No mesmo período, 25 óbitos foram confirmados e oito permanecem em investigação. Este ano, até 3 de fevereiro, sete casos já foram confirmados e 13 estão sob investigação, intensificando a necessidade de precaução durante as festividades. Diversos estados brasileiros já enfrentam as consequências dessa grave ameaça, com fiscalizações intensificadas e alertas para a segurança dos foliões.
Cenário nacional e os estados mais afetados
A intoxicação por metanol representa um grave risco à saúde, com consequências que podem variar de danos irreversíveis à cegueira e morte. A análise dos dados recentes revela que alguns estados foram particularmente atingidos, forçando suas secretarias de saúde a intensificar as ações preventivas e de fiscalização, especialmente com a chegada do carnaval.
São Paulo: epicentro dos casos e mortes
São Paulo desponta como o estado mais impactado pela intoxicação por metanol. Foram confirmados 52 casos, resultando em 12 mortes. As vítimas eram residentes de diversas cidades, incluindo São Paulo (quatro homens de 26, 45, 48 e 54 anos), São Bernardo do Campo (uma mulher de 30 anos e um homem de 62 anos), Osasco (dois homens de 23 e 25 anos e uma mulher de 27 anos), Jundiaí (um homem de 37 anos), Sorocaba (um homem de 26 anos) e Mauá (um homem de 26 anos). Além disso, quatro mortes em Guariba (39 anos), São José dos Campos (31 anos) e Cajamar (dois pacientes de 29 e 38 anos) seguem sob investigação. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) reforça o alerta para os riscos da ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas, instando a população a adquirir produtos apenas de estabelecimentos regularizados, verificar a procedência e evitar o consumo de itens de origem desconhecida. O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) paulista coordena ações com as Vigilâncias Sanitárias Municipais, fiscalizando estabelecimentos e ambulantes para garantir a origem segura dos produtos.
Pernambuco e Bahia: vítimas e reforço preventivo
Pernambuco também registrou um número significativo de casos. A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) confirmou oito casos de intoxicação por metanol, com cinco óbitos entre outubro e novembro de 2025. O estado adverte que bebidas destiladas de procedência duvidosa podem conter metanol ou outras substâncias impróprias para consumo. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) prevê mais de quinhentas inspeções em bares, camarotes, restaurantes e comércios ambulantes durante o carnaval.
Na Bahia, nove casos de intoxicação por metanol foram confirmados, com três óbitos registrados em Ribeira do Pombal, Cansanção e Juazeiro. A Secretaria da Saúde (Sesab), em parceria com o Ministério da Saúde, reforçou os estoques do antídoto para tratamento e tem incentivado os municípios a intensificar a fiscalização da venda e distribuição de bebidas destiladas.
Prevenção, riscos e a ação das autoridades
A conscientização e a fiscalização são ferramentas cruciais na luta contra as bebidas adulteradas. A gravidade da intoxicação por metanol exige que tanto as autoridades quanto os consumidores estejam vigilantes.
Outros estados e a vigilância constante
No Paraná, a Sala de Situação sobre intoxicação por metanol foi encerrada em 24 de novembro de 2025, após a confirmação de seis casos, dos quais três resultaram em óbito. Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) intensificou as ações de vigilância e fiscalização, apesar de não registrar novos casos há mais de 30 dias. O estado confirmou seis ocorrências e quatro óbitos entre novembro e dezembro de 2025. Ambos os estados recomendam cautela aos foliões, enfatizando a necessidade de consumir bebidas apenas de estabelecimentos regulares e evitar produtos de procedência duvidosa ou sem rótulo adequado.
O Rio de Janeiro, apesar de não ter registrado casos ou mortes por metanol em bebidas, mantém uma postura proativa. A Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o Procon atuam com o Laboratório Itinerante do Consumidor, que percorre blocos e o Sambódromo. Equipado com alta tecnologia, o laboratório portátil testa bebidas em tempo real para detectar falsificações. No último fim de semana, em ações realizadas em blocos da zona sul e do centro, cerca de 26 litros de bebidas falsificadas foram apreendendidos, evidenciando o risco. Gutemberg Fonseca, secretário de Estado de Defesa do Consumidor, destaca que “a venda de bebidas falsificadas é uma prática criminosa que coloca vidas em risco. Nossa atuação é firme para retirar esses produtos de circulação e alertar a população sobre os perigos desse consumo”.
Sinais e sintomas de alerta: reconhecendo a intoxicação
O patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina e Diagnóstico, explica que, ao contrário do álcool comum (etanol), o metanol gera substâncias altamente tóxicas ao ser metabolizado, afetando a produção de energia celular e, principalmente, o sistema nervoso. Isso pode levar a uma acidose metabólica grave, resultando em alterações visuais (visão turva ou embaçada), lesão do nervo óptico, confusão mental, convulsões, coma, arritmias e insuficiência respiratória, podendo ser fatal.
Os sintomas iniciais (até 6 horas após a ingestão) incluem dor abdominal intensa, sonolência, falta de coordenação, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e pressão arterial baixa. Entre 6 e 24 horas, podem surgir visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas, perda da visão das cores, convulsões, coma e acidose metabólica grave. Em casos mais graves, o paciente pode desenvolver cegueira irreversível, choque, pancreatite, insuficiência renal e necrose de gânglios da base com tremores e lentidão dos movimentos.
O perigo aumenta porque os sintomas do metanol podem ser confundidos com uma ressaca forte, surgindo progressivamente entre seis e 24 horas, e, em alguns casos, até 48 horas após o consumo. A intensidade e a evolução do quadro, muitas vezes desproporcionais à quantidade de álcool ingerida, são diferenciais importantes. Alterações visuais são as mais características e não devem ser ignoradas. Em caso de suspeita, é crucial relatar a ingestão de bebida de origem duvidosa e, se possível, levar a embalagem ou uma amostra para o serviço de emergência. Exames como a dosagem de metanol no sangue ou urina podem confirmar a intoxicação, mas o tratamento não deve esperar pela confirmação.
Vigilância contínua e a importância da cautela
A ameaça do metanol em bebidas adulteradas durante o carnaval é real e exige atenção máxima. As ações de fiscalização das autoridades sanitárias e de defesa do consumidor são essenciais, mas a colaboração da população é igualmente vital. A recomendação primordial é desconfiar de bebidas com preços muito abaixo do mercado, evitar misturas prontas vendidas em garrafas PET ou recipientes inadequados, e comprar apenas de estabelecimentos licenciados ou vendedores credenciados. Latas lacradas tendem a ser mais seguras. A presença de rótulo, lacre de segurança e selo fiscal são indicadores de produtos legalizados. Em caso de qualquer sintoma incomum após o consumo de álcool, a busca imediata por atendimento médico é indispensável, alertando a equipe de saúde sobre a suspeita de intoxicação por metanol. A segurança no carnaval depende da vigilância coletiva e da responsabilidade individual.
Perguntas Frequentes
1. O que é metanol e por que ele é perigoso?
Metanol é um tipo de álcool extremamente tóxico para seres humanos. Diferente do etanol (álcool comum presente nas bebidas), quando metabolizado pelo organismo, o metanol gera substâncias altamente venenosas que afetam o sistema nervoso e a produção de energia das células, podendo causar cegueira irreversível, falência renal, coma e até a morte.
2. Quais são os principais sintomas de intoxicação por metanol?
Os sintomas iniciais (até 6 horas) incluem dor abdominal, sonolência, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça e confusão mental. Em fases mais avançadas (6 a 24 horas), pode haver visão turva ou embaçada, perda da visão das cores, pupilas dilatadas, convulsões, coma e acidose metabólica grave. Alterações visuais são particularmente características.
3. Como posso me proteger contra bebidas contaminadas por metanol?
Adquira bebidas apenas de estabelecimentos reconhecidos e licenciados pela vigilância sanitária. Verifique sempre a procedência do produto, buscando rótulos, lacres de segurança e selos fiscais. Desconfie de preços muito baixos, evite bebidas sem identificação clara ou vendidas em recipientes impróprios como garrafas PET. Em caso de dúvida, não consuma.
4. O que devo fazer se suspeitar de intoxicação por metanol?
Procure imediatamente uma unidade de saúde ou serviço de emergência. É crucial informar aos profissionais de saúde sobre a suspeita de ingestão de bebida de origem duvidosa e, se possível, levar a embalagem ou uma amostra do que foi consumido. O tratamento precoce é vital, mesmo antes da confirmação laboratorial.
Sua segurança e a dos seus amigos vêm em primeiro lugar. Em caso de qualquer sintoma suspeito após consumir bebidas alcoólicas, não hesite: procure atendimento médico urgente. Sua vida pode depender disso.



