Em declarações feitas neste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que “todo mundo sabe” o que ele fez. Lula enfatizou que a justiça tomou a decisão que lhe cabia ao condenar o ex-mandatário.
As declarações foram dadas durante uma entrevista à imprensa em Joanesburgo, África do Sul, onde o presidente participou da Cúpula de Líderes do G20. Lula foi questionado sobre a prisão preventiva de Bolsonaro, ocorrida no sábado e determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
“Eu não faço comentário sobre uma decisão da Suprema Corte. A Justiça tomou uma decisão, ele foi julgado, ele teve todo o direito à presunção de inocência, foram praticamente dois anos e meio de investigação, de delação, de julgamento. Ou seja, então, a Justiça decidiu, está decidido, ele vai cumprir com a pena que a Justiça determinou e todo mundo sabe o que ele fez”, disse Lula.
O presidente também respondeu a perguntas sobre o relacionamento com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs retaliações ao Brasil e a ministros do STF devido ao julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe. “Acho que o Trump tem que saber que nós somos um país soberano, que a nossa Justiça decide e o que decide aqui está decidido”, completou o presidente brasileiro.
A decisão de Moraes pela prisão preventiva citou um eventual risco de fuga, considerando a tentativa de Bolsonaro de violar a tornozeleira eletrônica e a vigília convocada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, nas proximidades da residência onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar.
Bolsonaro foi encaminhado à Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, onde participou de uma audiência por videoconferência neste domingo.
Na sexta-feira, o ex-presidente utilizou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira eletrônica, o que gerou um alerta para a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap), responsável pelo monitoramento do equipamento. O ministro Alexandre de Moraes concedeu 24 horas para que a defesa se manifeste sobre a tentativa de violação, prazo que se encerra neste domingo.
Durante a audiência de custódia, Bolsonaro alegou que sentiu “uma certa paranoia de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada”. Ele também afirmou que “não tinha qualquer intenção de fuga e que não houve rompimento da cinta [da tornozeleira]”. Sobre a vigília convocada por seu filho, o ex-presidente disse que “o local da vigília fica a setecentos metros da sua casa, não havendo possibilidade de criar qualquer tumulto que pudesse facilitar hipotética fuga”.
Os advogados de Bolsonaro anunciaram que vão recorrer da decisão de prisão preventiva. Segundo eles, a tornozeleira eletrônica foi colocada apenas para “causar humilhação” ao ex-presidente e que a alegação de fuga com o rompimento do equipamento é apenas uma narrativa para justificar a prisão.
O STF irá analisar a decisão do ministro Alexandre de Moraes nesta segunda-feira. O ministro Flávio Dino convocou uma sessão virtual extraordinária da Primeira Turma para referendar a decisão.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista. A defesa do ex-presidente chegou a solicitar a concessão de prisão domiciliar humanitária, pedido que foi rejeitado por Moraes.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



