Em um cenário de escalada de golpes e ataques digitais que ameaçam indivíduos, empresas e infraestruturas críticas, o programa Hackers do Bem, uma iniciativa estratégica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) executada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), anunciou a abertura de 25 mil novas vagas para o ano de 2026. As oportunidades são destinadas a cursos de nivelamento e básico em cibersegurança, visando capacitar novos talentos para enfrentar as crescentes ameaças digitais. Essa expansão é crucial diante da severa escassez global de especialistas, um déficit que, de acordo com a organização internacional ISC², ultrapassa 4,8 milhões de profissionais. No Brasil, a carência de mão de obra qualificada pressiona setores públicos e privados a investir urgentemente em formação técnica robusta para proteger seus ativos digitais.
Escassez global impulsiona expansão
A necessidade de profissionais qualificados em cibersegurança nunca foi tão crítica. Com o avanço tecnológico e a digitalização de praticamente todos os setores da economia, a superfície de ataque para criminosos cibernéticos também se expandiu exponencialmente. O Brasil, assim como o resto do mundo, sente os efeitos dessa lacuna. Empresas e órgãos governamentais buscam incessantemente especialistas capazes de identificar vulnerabilidades, prevenir invasões e responder a incidentes, um desafio agravado pela limitada oferta de talentos no mercado. O Hackers do Bem surge como uma resposta direta a essa demanda, fornecendo uma base sólida de conhecimento e habilidades para aspirantes a profissionais da área. Desde seu lançamento, em janeiro de 2024, o programa já certificou mais de 36 mil alunos, consolidando-se como um pilar essencial na estratégia de defesa digital do país.
Fortalecendo a defesa cibernética nacional
Para Leandro Guimarães, diretor-adjunto da Escola Superior de Redes (ESR), a ampliação do número de vagas reflete o caráter estratégico e o sucesso alcançado pela iniciativa. “Formamos profissionais treinados para identificar vulnerabilidades, prevenir ataques e fortalecer sistemas digitais com ética e responsabilidade. Ao contrário da imagem associada à invasão criminosa, esses especialistas atuam na linha de frente da defesa cibernética”, explica Guimarães. Ele ressalta que o programa se tornou uma referência, sendo reconhecido como uma das maiores iniciativas nacionais e internacionais de formação na área. Esse êxito é fundamental para democratizar o acesso à capacitação em cibersegurança, permitindo que jovens e profissionais de diversas origens encontrem novas oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
Impacto social e diversidade no setor
Um dos grandes diferenciais do Hackers do Bem é sua capacidade de atrair e capacitar perfis diversos, desafiando a percepção de que a área de TI é exclusiva para um grupo restrito. O setor de cibersegurança é historicamente dominado por homens, com mulheres representando apenas cerca de 22% dos profissionais. O programa, no entanto, tem se mostrado um vetor de inclusão. Histórias de sucesso, como a de Patrícia Monfardini, 52 anos, servidora pública em Contagem (MG), ilustram essa realidade. Patrícia decidiu mudar de área e, sem conhecimento prévio em TI, mergulhou nos estudos até alcançar a especialização em Red Team. “Foi um desafio enorme. Chorei, estudei e, no final, venci”, relata, orgulhosa por ter concluído a residência tecnológica e iniciado um curso de Engenharia de Software. Sua jornada demonstra que a persistência, aliada a programas de qualidade, pode abrir portas em qualquer idade.
Oportunidades de recomeço e novas carreiras
A iniciativa também tem oferecido oportunidades de recomeço e reorientação profissional. Marcelo Goulart, 60 anos, de Alto Paraíso de Goiás (GO), viu no Hackers do Bem a chance de reinventar-se. “Acreditava que, aos 60 anos, era tarde para aprender algo completamente novo. Mas essa oportunidade me mostrou que nunca é tarde para recomeçar”, afirma. Sua história, assim como a de Patrícia, reforça a mensagem de que o aprendizado contínuo e a busca por novas habilidades são válidos em qualquer etapa da vida. Já Gabriel Matos, 27 anos, formado em Direito, encontrou na forense digital uma nova paixão e perspectiva de carreira. “Sempre quis trabalhar com segurança, mas achava que isso só era possível na polícia. Quando descobri o Hackers do Bem, foi como encontrar um norte. O curso foi fantástico. Com a prática da residência, sei que vou aprender ainda mais”, compartilha Gabriel. Essas narrativas evidenciam a importância do programa não apenas para a formação técnica, mas também para a transformação de vidas e a ampliação de horizontes profissionais.
Estrutura do programa e acesso
O Hackers do Bem não exige pré-requisitos específicos, tornando-o acessível a um público amplo. Estudantes do ensino técnico, médio ou universitário, profissionais de TI buscando especialização e até mesmo aqueles que desejam migrar de área de conhecimento podem se inscrever, independentemente de experiência prévia em cibersegurança. A formação é estruturada em fases progressivas, iniciando com o curso de nivelamento, que prepara os participantes para conceitos básicos e fundamentais da área.
Caminho para a especialização e atuação prática
Após a conclusão do nivelamento, os alunos podem avançar para o curso básico, que aprofunda os conhecimentos iniciais. As etapas seguintes, de nível fundamental e especialização, incluem aulas ao vivo e atividades práticas realizadas em laboratórios, proporcionando uma experiência imersiva e a aplicação direta do que é aprendido. O ponto culminante do programa é a residência tecnológica, uma etapa de atuação prática nos escritórios regionais da RNP. Durante seis meses, os residentes recebem uma bolsa mensal, aplicando seus conhecimentos em projetos reais e ganhando experiência valiosa no campo da cibersegurança. Essa combinação de teoria e prática é essencial para formar profissionais prontos para os desafios do mercado.
Fortalecendo a soberania digital do Brasil
Diante do aumento exponencial de vazamentos de dados, fraudes financeiras e ataques a serviços essenciais, a formação de especialistas em cibersegurança tornou-se uma prioridade na agenda estratégica do governo federal. Leandro Guimarães reitera que o Hackers do Bem vai além de atender às demandas do mercado. “Mais do que atender ao mercado, o Hackers do Bem busca consolidar a cibersegurança como política pública permanente, formando profissionais preparados para proteger sistemas críticos e fortalecer a soberania tecnológica do país”, afirma o diretor da ESR. Essa visão de longo prazo visa garantir que o Brasil tenha capacidade interna para se defender no ambiente digital, protegendo seus cidadãos, suas empresas e seus interesses estratégicos de maneira autônoma e eficaz. O programa, portanto, é um investimento no futuro digital da nação, construindo uma base robusta de conhecimento e expertise para os desafios vindouros.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Quais são os pré-requisitos para participar do programa Hackers do Bem?
Não há pré-requisitos de formação ou experiência prévia em cibersegurança. Estudantes do ensino técnico, médio, universitário, profissionais de TI e pessoas que buscam migrar de área podem se inscrever.
2. Como a formação no Hackers do Bem é estruturada?
O programa começa com um curso de nivelamento, seguido pelo básico. Os níveis fundamental e de especialização incluem aulas ao vivo e práticas em laboratório. A etapa final é a residência tecnológica, com atuação prática remunerada.
3. Onde posso me inscrever para as novas vagas de 2026?
As inscrições são realizadas exclusivamente pelo site oficial do programa: hackersdobem.org.br.
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