Em um movimento que redefine o cenário político fluminense, partidos de esquerda e o PSD alinharam votos para manter a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil). A decisão surge após a detenção de Bacellar em uma operação da Polícia Federal, que investiga sua suposta ligação com o Comando Vermelho (CV).
Doze deputados de partidos como PT, PSOL, PCdoB e PSB, reunidos logo após a sessão plenária da Alerj, formalizaram sua posição a favor da manutenção da prisão. O grupo também manifestou o desejo de afastar Bacellar imediatamente da presidência da Casa.
Simultaneamente, os seis deputados estaduais do PSD, liderados pelo presidente estadual da sigla, o deputado federal Pedro Paulo, decidiram orientar sua bancada a votar da mesma forma. A decisão do PSD ganha relevância diante dos recentes embates políticos entre Bacellar e o prefeito Eduardo Paes.
Fontes presentes nas reuniões indicam que parte da base do governador Cláudio Castro (PL) também pode se juntar ao coro pela manutenção da prisão. Apesar da maioria governista na Alerj, o caso parece ter rachado a base e acentuado divergências sobre o futuro da Mesa Diretora.
A deputada Renata Souza (PSOL) enfatizou a gravidade das acusações e a necessidade de responsabilidade. “As acusações são gravíssimas. Ainda não tivemos acesso aos autos, mas o que já é de conhecimento público exige responsabilidade”, declarou.
O deputado Carlos Minc (PSB), com oito mandatos na Alerj, destacou que a decisão da esquerda se baseia nas informações divulgadas até o momento. “Estamos falando de uma possível conivência com o Comando Vermelho”, afirmou, ressaltando o direito à defesa, mas alertando para a impossibilidade de ignorar as acusações.
Minc ainda apontou que o caso causou desconforto entre deputados bolsonaristas, impactando a narrativa deles contra o crime. Ele também mencionou que a crise pode influenciar a eleição da Mesa Diretora, marcada para fevereiro.
A posição do PSD, alinhada ao projeto eleitoral do prefeito Eduardo Paes, foi interpretada como um movimento para isolar politicamente o presidente afastado da Alerj.
A votação sobre a manutenção da prisão de Bacellar promete expor sua real força política no parlamento. Sua prisão fragilizou acordos, gerando incertezas entre deputados que dependiam de sua influência para nomeações e liberações administrativas.
Auxiliares do Palácio Guanabara admitem que a crise é “devastadora”, reacendendo disputas internas e acelerando articulações em torno de possíveis substitutos no comando do Legislativo.
Parlamentares governistas, ainda sem posição pública definida, temem o desgaste eleitoral e a associação com o crime organizado, optando por se afastar de suspeitas de conivência. A manutenção de Bacellar no cargo poderia agravar a crise institucional e prejudicar a imagem do Executivo.
A sessão que analisará a prisão é aguardada como um dos momentos mais decisivos dos últimos anos na Alerj, com potencial para redesenhar a correlação de forças e influenciar a sucessão ao governo estadual.
Fonte: diariodorio.com



