O Itaú Cultural (IC) apresentou, em São Paulo, o Dossiê Acessibilidade, um material dedicado a promover a participação de pessoas com deficiência na produção e apreciação artística. O lançamento, ocorrido nesta terça-feira (28), visa fornecer aos profissionais da cultura informações essenciais sobre como adaptar espaços e obras, garantindo o direito à fruição artística para todos.
O dossiê aborda desde marcos legais e dados estatísticos até orientações práticas para tornar a cultura mais acessível. Especialistas presentes no evento enfatizaram que a autonomia é um princípio fundamental na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, mas que frequentemente é negligenciado, inclusive no acesso à arte.
Críticas foram levantadas sobre a superficialidade de algumas iniciativas de acessibilidade, como a instalação de rampas ou a contratação de intérpretes de Libras, sem considerar outras necessidades e singularidades do público. Claudio Rubino, consultor de acessibilidade, destacou que a verdadeira acessibilidade vai além de medidas pontuais e exige uma abordagem abrangente e inclusiva.
Mariana Oliveira Arantes, pesquisadora, ressaltou que os recursos de acessibilidade nem sempre são convidativos ou eficazes, citando o exemplo de pisos táteis mal direcionados. Ela defende que a acessibilidade seja vista não apenas como uma questão técnica, mas também estética, impulsionando o trabalho de artistas e ativistas da cultura def.
A cultura def, termo destacado no dossiê, valoriza as experiências e a diversidade de corpos e capacidades das pessoas com deficiência, transformando-as em elementos centrais na produção cultural. O material também atualiza conceitos como “inclusão”, buscando promover a igualdade em todas as esferas, incluindo a tomada de decisões.
Rubino enfatizou a importância da colaboração e da organização para alcançar a acessibilidade, destacando que profissionais com deficiência não devem lutar sozinhos em suas organizações. Arantes, após analisar diversos espaços culturais, apontou a necessidade de aprimorar o vocabulário e o repertório dos agentes culturais, evitando o uso de termos inadequados e ultrapassados.
A historiadora observou que a crescente exigência de acessibilidade em editais de fomento tem gerado ansiedade entre os profissionais da cultura, criticando a “acessibilização fajuta” realizada apenas nas últimas etapas dos projetos. Arantes compartilhou ainda relatos sobre projetos interrompidos em sua fase inicial de teste, evidenciando a falta de disposição e interesse como fatores de insucesso.
Divina Prado, especialista em editoração, mencionou um projeto desenvolvido com Rubino no Instituto Tomie Ohtake, que serviu como base para iniciativas futuras. A “Bolsa de Artista Tomie Ohtake” promoveu a inclusão de crianças com e sem deficiência, utilizando materiais educativos como jogos, livros ilustrados, audiodescrição, tintas e pincéis.
Prado ressaltou a importância de adaptar as tecnologias e os recursos de acessibilidade às necessidades contemporâneas, mencionando projetos recentes do instituto, como o “Caderno-ensaio 3: Povo” e o livro “Palavra”, vencedor do Prêmio Jabuti. O objetivo é criar ferramentas de mediação editorial que permitam a todas as pessoas acessar e apreciar a arte de diferentes maneiras.
O Dossiê Acessibilidade estará disponível no site do IC, oferecendo um guia completo para a promoção da inclusão e da acessibilidade na cultura.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



