A primeira sessão de 2026 no mercado financeiro global e brasileiro foi marcada por uma significativa desvalorização do dólar, que encerrou o dia em queda firme, atingindo a cotação de R$ 5,42. Este movimento ocorreu em um pregão caracterizado pela liquidez reduzida, cenário comum após o recesso de fim de ano, onde um menor volume de negociações tende a amplificar as oscilações de preço. No entanto, a direção da queda do dólar foi clara, impulsionada por um otimismo generalizado com ativos de risco e a forte expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve ao longo do ano. O real, por sua vez, mostrou resiliência e atratividade, consolidando um início de ano favorável para a moeda brasileira frente ao seu principal par.
A dinâmica do primeiro pregão de 2026
Cotações detalhadas e o impacto da baixa liquidez
O ano de 2026 abriu com um panorama de desvalorização para o dólar à vista, que apresentou uma queda inicial de 0,97% por volta das 9h58, negociado a R$ 5,436 na venda. Ao longo do dia, essa tendência se consolidou, e a moeda americana encerrou o pregão com uma queda ainda mais expressiva de 1,19%, fechando a R$ 5,4238 na venda. No mercado comercial, as cotações foram de R$ 5,423 para compra e R$ 5,424 para venda.
Este movimento de baixa foi particularmente notável devido à condição de liquidez reduzida do mercado. A menor participação de investidores e o volume mais baixo de transações, típicos do período pós-recesso de fim de ano e feriados prolongados, geralmente resultam em ajustes mais moderados. Contudo, neste caso, a baixa liquidez pareceu reforçar a tendência de valorização dos ativos de risco e, consequentemente, o enfraquecimento do dólar. A ausência de grandes fluxos de capital em sentido contrário permitiu que a pressão de venda sobre o dólar prevalecesse, evidenciando uma forte expectativa dos agentes do mercado em relação ao cenário futuro.
Fatores globais e locais que impulsionaram a queda
Otimismo internacional e a influência das taxas de juros americanas
A principal força motriz por trás da queda do dólar globalmente e, consequentemente, no mercado brasileiro, foi o otimismo predominante nos mercados internacionais. Este cenário foi impulsionado por dois fatores cruciais: o avanço e a empolgação com o setor de inteligência artificial, que tem fomentado a valorização de ações de tecnologia, e a crescente expectativa de novos cortes de juros por parte do Federal Reserve (Fed) ao longo de 2026.
A expectativa de um ciclo de flexibilização monetária nos Estados Unidos torna os ativos denominados em dólar menos atrativos para investidores em busca de rentabilidade. Com juros mais baixos, a recompensa por manter capital nos EUA diminui, incentivando o fluxo de recursos para mercados emergentes e ativos de maior risco, que podem oferecer retornos mais elevados. Este movimento de “risk-on” (busca por risco) enfraquece o dólar frente a outras moedas e favorece países com fundamentos econômicos percebidos como sólidos, como o Brasil.
O atrativo do carry trade e a resiliência das commodities brasileiras
O real brasileiro continua a se beneficiar do atrativo “carry trade”. Este conceito financeiro refere-se à estratégia de tomar empréstimos em uma moeda com baixa taxa de juros (como o dólar em um cenário de juros em queda) e investir em uma moeda que oferece juros mais altos (como o real, dado que a taxa Selic ainda é relativamente elevada). A diferença entre as taxas de juros, somada à expectativa de valorização da moeda de destino, gera ganhos para o investidor. O dólar já havia acumulado uma queda superior a 11% em 2025 e continuou a se enfraquecer no exterior, tornando o real uma aposta ainda mais interessante para o capital estrangeiro.
Adicionalmente, o desempenho das commodities também desempenhou um papel, embora com nuances. Apesar de uma queda nos preços do petróleo e do minério de ferro na última sexta-feira, o minério de ferro demonstrou uma notável resiliência ao longo de 2025, mantendo-se com preços acima de US$ 100 por tonelada na maior parte do ano. A robustez dos preços das commodities é um fator positivo para a balança comercial brasileira, injetando dólares na economia e, consequentemente, contribuindo para a valorização do real. Essa combinação de um carry trade atrativo e o suporte das exportações de commodities cria um ambiente favorável para a moeda brasileira.
Perspectivas para a política monetária: Fed e Selic no horizonte
As expectativas em torno da política monetária global e local continuam a moldar o comportamento do mercado de câmbio. Para janeiro, o mercado financeiro aposta em uma pausa por parte do Federal Reserve, ou seja, a manutenção das taxas de juros americanas nos níveis atuais. No Brasil, a expectativa majoritária é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha a taxa Selic em 15% na primeira reunião do ano.
No entanto, o horizonte de médio prazo aponta para uma divergência. Enquanto se espera que o Fed inicie seu ciclo de cortes de juros em 2026, as projeções para o início dos cortes da Selic no Brasil se concentram majoritariamente em março. Essa assincronia, com os juros americanos potencialmente caindo antes ou em maior ritmo do que os juros brasileiros, reforça a atratividade do carry trade e mantém a pressão de baixa sobre o dólar. Acompanhar de perto as decisões de ambos os bancos centrais será crucial para entender a trajetória futura da moeda.
Perspectivas para o dólar e o mercado financeiro
A queda do dólar na primeira sessão de 2026, embora em um contexto de liquidez reduzida, sinaliza um forte otimismo do mercado em relação aos ativos de risco e uma clara expectativa de flexibilização monetária nos Estados Unidos. O real brasileiro, impulsionado pelo atrativo carry trade e pela resiliência das commodities, mostra-se fortalecido neste início de ano. A combinação de fatores globais, como as decisões do Federal Reserve, e elementos domésticos, como a política monetária do Banco Central e o desempenho das exportações, continuará a influenciar a trajetória da moeda americana. É fundamental para investidores e para o público em geral acompanhar essas variáveis, pois o cenário cambial pode sofrer novas reviravaliações ao longo do ano, dependendo da concretização das expectativas econômicas e das decisões dos formuladores de política monetária.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que significa “liquidez reduzida” e como ela afeta o mercado?
Liquidez reduzida significa que há um volume menor de compradores e vendedores ativos no mercado, o que resulta em menos negociações. Em um cenário de baixa liquidez, movimentos de preço (seja de alta ou queda) tendem a ser mais amplificados, pois há menos participantes para absorver grandes ordens, tornando o mercado mais volátil.
Qual a relação entre os cortes de juros do Federal Reserve e a queda do dólar?
Quando o Federal Reserve (banco central dos EUA) corta suas taxas de juros, os investimentos denominados em dólar (como títulos do governo americano) tornam-se menos rentáveis em comparação com outros mercados. Isso incentiva os investidores a buscarem ativos com maior retorno em outros países, vendendo seus dólares e, consequentemente, desvalorizando a moeda americana frente a outras moedas.
O que é “carry trade” e como ele influencia a valorização do real frente ao dólar?
Carry trade é uma estratégia de investimento em que se toma empréstimos em uma moeda com baixas taxas de juros e se investe em outra moeda que oferece taxas de juros mais altas. O real brasileiro se beneficia do carry trade quando a taxa Selic é significativamente maior do que as taxas de juros nos EUA. Isso atrai capital estrangeiro para o Brasil, pois os investidores buscam lucrar com a diferença de juros, fortalecendo o real e pressionando o dólar para baixo.
A resiliência das commodities, como o minério de ferro, ainda é um fator relevante para o câmbio?
Sim, a resiliência das commodities continua sendo um fator relevante. O Brasil é um grande exportador de matérias-primas. Preços elevados de commodities, como o minério de ferro, aumentam as receitas de exportação do país, o que significa que mais dólares entram na economia brasileira. Essa entrada de moeda estrangeira contribui para o fortalecimento do real em relação ao dólar.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br



