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CBV contesta lei de Londrina que proíbe atletas trans no vôlei
Brasil

CBV contesta lei de Londrina que proíbe atletas trans no vôlei

Última Atualizacão 27/02/2026 17:02
PainelRJ
Publicado 27/02/2026
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© Carolina Oliveira/Osasco
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A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) deu um passo significativo na defesa da inclusão no esporte ao recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é suspender uma lei municipal de Londrina, no Paraná, que vetou a participação de atletas transgêneros em eventos esportivos na cidade. Protocolado na última quarta-feira, 25 de janeiro, o pedido da CBV busca reverter uma norma que, em vigor desde 2024, ameaça diretamente a realização das semifinais da Copa Brasil de Vôlei, programadas para este final de semana no município paranaense. A controvérsia centraliza-se na atleta Tiffany Abreu, jogadora do Osasco São Cristóvão Saúde e a primeira mulher transgênero a competir profissionalmente na modalidade no país. A ação no STF não apenas visa proteger os direitos individuais de Tiffany, mas também reafirmar as políticas de elegibilidade da própria confederação, que permitem a participação de atletas trans sob critérios específicos. Este caso levanta um importante debate sobre a autonomia das federações esportivas e a validade de legislações municipais que podem entrar em conflito com diretrizes nacionais e princípios constitucionais de não discriminação.

O recurso da CBV ao Supremo Tribunal Federal

A Confederação Brasileira de Voleibol formalizou seu pedido ao Supremo Tribunal Federal buscando a suspensão imediata da lei municipal de Londrina, nº 13.626/2023, que proíbe atletas transgêneros de competirem em eventos esportivos na cidade. O recurso, protocolado em 25 de janeiro, evidencia a preocupação da entidade com a interferência de uma legislação local em regulamentos esportivos de abrangência nacional e internacional. A CBV argumenta que a norma municipal de Londrina não apenas viola princípios constitucionais de igualdade e não discriminação, mas também compromete a organização de competições sob sua chancela, como a Copa Brasil de Vôlei, que tem suas semifinais sediadas no município. A Ministra Cármen Lúcia é a relatora do caso, e sua decisão terá um peso significativo para o futuro da participação de atletas trans no esporte brasileiro.

Os argumentos da confederação

A CBV fundamenta seu recurso na alegação de que a legislação municipal de Londrina gera uma interferência direta e indevida nas suas prerrogativas de regulamentação desportiva. A entidade argumenta que a proibição coloca em risco a integridade de uma competição nacional de alto nível, como a Copa Brasil, ao inviabilizar a participação de atletas que já estão devidamente registrados e aptos a competir sob suas próprias normas. Segundo a Confederação, a atleta Tiffany Abreu, foco central da controvérsia, cumpre rigorosamente todos os requisitos da política de elegibilidade da CBV, que autoriza a participação de atletas trans em competições nacionais. Tiffany tem atuado regularmente em partidas recentes, sem qualquer intercorrência, demonstrando sua plena adaptação e elegibilidade dentro das diretrizes estabelecidas pela entidade. A Confederação destaca, portanto, que a lei de Londrina cria uma insegurança jurídica e um obstáculo desnecessário para o desenvolvimento do esporte e para a carreira de atletas que cumprem as regras estabelecidas pelas federações nacionais.

Impacto direto na Copa Brasil

A lei municipal de Londrina, em vigor desde 2024, ameaça diretamente a programação das semifinais da Copa Brasil de Vôlei Feminino, um dos mais importantes torneios da modalidade no país. A partida entre o Osasco São Cristóvão Saúde, equipe de Tiffany Abreu, e o Sesc RJ Flamengo está marcada para esta sexta-feira, 27 de janeiro, no Ginásio do Moringão, em Londrina. Caso a lei não seja suspensa, Tiffany seria impedida de entrar em quadra, o que não só prejudicaria a atleta individualmente, mas também poderia ter consequências disciplinares e esportivas para a equipe do Osasco e para o próprio andamento da competição. A intervenção do STF é crucial para garantir que as partidas ocorram conforme o planejado e para proteger a integridade das competições esportivas de abrangência nacional de legislações locais que possam comprometer seu desenvolvimento.

A situação da atleta Tiffany Abreu

Tiffany Abreu é um nome emblemático no esporte brasileiro. Pioneira, ela se tornou a primeira mulher transgênero a disputar competições de vôlei profissional no país, abrindo caminho para o debate sobre inclusão e diversidade no esporte. Atualmente, Tiffany é uma das jogadoras do Osasco São Cristóvão Saúde, uma das equipes mais tradicionais e vitoriosas do voleibol nacional. Sua trajetória é marcada não apenas por desafios, mas também por sua resiliência e dedicação ao esporte. A lei de Londrina representa um obstáculo direto à sua continuidade em campo, apesar de sua elegibilidade reconhecida pela Confederação Brasileira de Voleibol.

Trajetória e elegibilidade da atleta

Tiffany Abreu tem uma carreira profissional que se estende por mais de oito anos, período durante o qual consolidou sua posição no voleibol brasileiro e internacional. Desde sua transição e subsequente entrada nas competições femininas, a atleta tem sido um símbolo de superação e inclusão. Seu desempenho em quadra e sua conduta exemplar são frequentemente destacadas por colegas, treinadores e pela própria Confederação. É crucial notar que a elegibilidade de Tiffany para competir nas ligas femininas é garantida pelas políticas da CBV, que seguem as diretrizes estabelecidas por órgãos reguladores internacionais do esporte. Essas políticas incluem rigorosos critérios médicos e hormonais, aos quais Tiffany se submete e cumpre integralmente. A CBV enfatizou que a atleta está devidamente registrada e apta a atuar pelo Osasco, tendo participado das últimas partidas sem qualquer objeção, o que reforça a arbitrariedade da proibição municipal.

O posicionamento do Osasco São Cristóvão Saúde

O Osasco São Cristóvão Saúde se manifestou veementemente em apoio à sua atleta. Em nota, o clube reiterou o histórico de Tiffany, que atua profissionalmente há mais de oito anos, possui conduta exemplar e cumpre rigorosamente todos os critérios médicos estabelecidos pela CBV. A equipe ressaltou que seus valores são pautados pela inclusão, diversidade e respeito a todos os indivíduos, pilares fundamentais do espírito esportivo. O clube declarou apoio integral a Tiffany, defendendo seu direito constitucional ao trabalho e ao exercício de sua profissão, livre de qualquer forma de discriminação. O posicionamento do Osasco reforça a necessidade de se proteger os direitos dos atletas e a autonomia das entidades esportivas na regulamentação de suas competições.

Perspectivas e o futuro da inclusão no esporte

O caso envolvendo a CBV, o STF e a lei de Londrina transcende a questão da participação de uma única atleta ou de uma competição específica. Ele se insere em um debate mais amplo e complexo sobre a inclusão de atletas transgêneros no esporte, a validade de regulamentações locais em face de normas nacionais e os próprios limites do legislativo municipal em matérias que impactam direitos fundamentais. A decisão do Supremo Tribunal Federal neste caso tem o potencial de estabelecer um importante precedente legal e social para o esporte brasileiro, influenciando não apenas o voleibol, mas todas as modalidades esportivas e a forma como a inclusão e a diversidade serão tratadas em diferentes níveis de governo.

Regulamentação esportiva e direitos constitucionais

A controvérsia em Londrina acende um holofote sobre a tensão entre a autonomia regulatória das entidades esportivas e o poder legislativo local. As federações e confederações esportivas, como a CBV, possuem expertise e responsabilidade na definição de regras de elegibilidade para suas competições, incluindo critérios para atletas transgêneros, geralmente alinhados com diretrizes internacionais. Uma lei municipal que desconsidera essas regulamentações e impede a participação de atletas legalmente elegíveis levanta questões sobre competência legislativa e a hierarquia das normas. Além disso, o caso toca diretamente em direitos constitucionais fundamentais, como o direito ao trabalho e à não discriminação. A defesa da CBV e do clube Osasco apoia-se firmemente nesses princípios, argumentando que a proibição é discriminatória e cerceia o direito de Tiffany de exercer sua profissão.

A expectativa da decisão judicial

Com a Ministra Cármen Lúcia como relatora, a comunidade esportiva e os defensores dos direitos LGBTQIA+ aguardam com grande expectativa a decisão do Supremo Tribunal Federal. Uma eventual suspensão da lei municipal de Londrina não apenas garantiria a participação de Tiffany nas semifinais da Copa Brasil, mas também enviaria um sinal claro sobre o compromisso do judiciário com a proteção dos direitos e a promoção da inclusão no esporte. Por outro lado, a manutenção da proibição municipal poderia abrir um precedente perigoso, incentivando outras legislações locais a desafiarem as normas de entidades esportivas e a criarem barreiras à participação de grupos minoritários, gerando um cenário de incerteza e fragmentação regulatória no esporte brasileiro.

Perguntas frequentes sobre o caso

1. Qual é o motivo do recurso da CBV ao STF?
A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender uma lei municipal de Londrina, no Paraná, que proíbe a participação de atletas transgêneros em eventos esportivos na cidade. A CBV alega que essa lei interfere em suas próprias regulamentações e prejudica atletas como Tiffany Abreu.

2. Quem é Tiffany Abreu e por que ela é importante para este caso?
Tiffany Abreu é uma atleta de vôlei do Osasco São Cristóvão Saúde e a primeira mulher transgênero a competir profissionalmente na modalidade no Brasil. Ela é o foco central da controvérsia, pois a lei de Londrina a impediria de jogar nas semifinais da Copa Brasil, apesar de ser elegível e estar devidamente registrada pelas normas da CBV.

3. Quais são os principais argumentos da CBV contra a lei municipal?
A CBV argumenta que a lei de Londrina interfere nas suas prerrogativas de regulamentação desportiva, que já possuem políticas de elegibilidade para atletas trans. A confederação também destaca que a lei prejudica atletas que cumprem suas normas, como Tiffany, e coloca em risco a realização de competições nacionais de alto nível, além de violar princípios constitucionais de não discriminação e o direito ao trabalho.

Para se manter atualizado sobre este e outros desenvolvimentos importantes no esporte e na legislação, acompanhe nossas próximas publicações e análises.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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