A França e o mundo do cinema lamentaram a partida de uma de suas maiores lendas. Brigitte Bardot, figura icônica que transcendeu as telas para se tornar um símbolo global de sensualidade e liberdade feminina, faleceu neste domingo, aos 91 anos de idade. Sua morte, confirmada por fontes ligadas à atriz, ocorre após um período de internação em um hospital em Toulon, no sul da França, e uma cirurgia recente no mês passado. A causa específica do falecimento não foi divulgada publicamente.
Mesmo tendo se retirado do universo cinematográfico na década de 1970, o impacto de Brigitte Bardot permanece indelével. Com uma carreira que contabilizou mais de 60 filmes, ela redefiniu o conceito de estrela de cinema, desafiando convenções com papéis audaciosos e uma presença magnética. Sua colaboração com diretores revolucionários como Jean-Luc Godard e Federico Fellini solidificou seu status como uma artista de vanguarda. Este artigo revisita alguns dos longas-metragens mais significativos de sua filmografia e indica onde os fãs podem (re)descobrir a magia de Brigitte Bardot.
A trajetória de um ícone: Brigitte Bardot no cinema
Brigitte Bardot não foi apenas uma atriz; ela foi um fenômeno cultural. Desde o início de sua carreira, nos anos 1950, ela personificou uma nova era de feminilidade e autenticidade. Sua beleza natural, combinada com uma atitude desafiadora e papéis que questionavam a moralidade estabelecida, a transformaram rapidamente em um ícone internacional. Ela se tornou a personificação do “sex kitten”, mas com uma profundidade e inteligência que muitos de seus contemporâneos não possuíam. Seus filmes frequentemente exploravam temas de amor livre, independência feminina e a complexidade das relações humanas, ressoando profundamente com uma geração em busca de mudança e expressão.
A colaboração de Bardot com alguns dos maiores cineastas de sua época não apenas elevou seu próprio trabalho, mas também contribuiu para a história do cinema mundial. Sua capacidade de transitar entre comédias leves, dramas intensos e faroestes, sempre com uma performance autêntica e envolvente, demonstrava a versatilidade de seu talento. Mesmo após sua aposentadoria precoce, o legado de Brigitte Bardot continuou a influenciar a moda, a música e a própria representação da mulher no entretenimento.
Os papéis que definiram uma geração
A filmografia de Brigitte Bardot é um testamento de sua audácia e de sua contribuição inestimável para a arte cinematográfica. Cada papel era uma oportunidade de explorar novas facetas da condição feminina e de desafiar os padrões sociais vigentes. Desde a jovem rebelde que despertava paixões em Saint-Tropez até a mulher complexa em julgamento, Bardot dava vida a personagens que ressoavam com as transformações culturais de sua época.
Filmes marcantes de Brigitte Bardot e suas plataformas
Acompanhe uma seleção de obras essenciais que marcaram a carreira de Brigitte Bardot, explorando seus enredos e a disponibilidade para assisti-los.
E Deus Criou a Mulher (1956)
Dirigido por Roger Vadim, seu marido na época, este filme foi o ponto de virada na carreira de Bardot, elevando-a de atriz e modelo promissora a um ícone internacional e símbolo sexual. Na trama, ela interpreta Juliette Hardy, uma órfã sedutora e impulsiva que desestabiliza a pequena e conservadora cidade de Saint-Tropez com seu comportamento livre e sua beleza avassaladora. O filme não apenas provocou um escândalo mundial devido à sua ousadia, mas também impulsionou Saint-Tropez ao estrelato como destino de jet-set. A performance de Bardot aqui é crua e magnética, solidificando sua imagem como a personificação da liberdade sexual.
Onde assistir: Disponível nas plataformas Looke e Plex.
Ao Cair da Noite (1958)
Mais uma colaboração com Roger Vadim, este filme mergulha em um drama repleto de romance e suspense. Brigitte Bardot interpreta Ursula, uma jovem que, após deixar o convento, vai morar com sua tia e o marido abusivo desta. A tensão aumenta quando Ursula se envolve romanticamente com um estudante, apenas para descobrir que ele também mantém um relacionamento secreto com sua tia. A obra explora temas de inocência perdida, traição e as complexidades das relações familiares e amorosas, com Bardot entregando uma atuação carregada de vulnerabilidade e paixão.
Onde assistir: Pode ser encontrado na plataforma Oldflix.
O Desprezo (1963)
Considerado uma obra-prima do cinema e um marco da Nouvelle Vague francesa, “O Desprezo” foi o primeiro filme de Jean-Luc Godard com Brigitte Bardot. A atriz interpreta Camille Javal, a esposa de um roteirista (Michel Piccoli) contratado para reescrever um roteiro baseado na Odisseia. O filme é uma análise profunda e melancólica da desintegração de um casamento, em paralelo com as filmagens de uma produção cinematográfica. Godard utiliza cenários deslumbrantes, como a Casa Malaparte em Capri, para criar uma atmosfera de alienação e incomunicabilidade. A complexidade psicológica dos personagens e a metalinguagem sobre o processo de criação artística tornam este longa um estudo fascinante sobre relacionamentos e a natureza da arte.
Onde assistir: Atualmente, está disponível apenas em mídia física (DVD/Blu-ray).
A Verdade (1960)
Neste drama judicial dirigido pelo mestre do suspense Henri-Georges Clouzot, Brigitte Bardot entrega uma de suas atuações mais poderosas e matizadas. Ela interpreta Dominique Marceau, uma jovem parisiense julgada pelo assassinato de seu amante. Através de flashbacks e depoimentos de advogados e testemunhas, o filme desvenda as múltiplas camadas da personalidade de Dominique, revelando os muitos lados da história e os preconceitos da sociedade contra sua vida boêmia. A performance de Bardot é intensa e comovente, explorando a fragilidade e a força de sua personagem diante de um sistema implacável.
Onde assistir: Assim como “O Desprezo”, está disponível apenas em mídia física.
Histórias Extraordinárias (1968)
Uma antologia cinematográfica inspirada em três contos de Edgar Allan Poe, este filme é dividido em três segmentos, cada um dirigido por um cineasta de renome: Federico Fellini, Roger Vadim e Louis Malle. Brigitte Bardot atua no segmento dirigido por Louis Malle, “William Wilson”, onde contracena com seu grande amigo Alain Delon. É o segundo encontro nas telas da dupla de astros, após “Amores Célebres” (1961). O segmento explora temas de duplicidade e culpa com uma atmosfera gótica e performances magnéticas. A diversidade de estilos dos diretores oferece uma experiência cinematográfica rica e variada.
Onde assistir: Disponível para streaming na plataforma Oldflix.
Shalako (1968)
Em uma incursão pelo gênero faroeste, Brigitte Bardot contracenou com o lendário Sean Connery neste filme dirigido por Edward Dmytryk. A trama segue um grupo de aristocratas europeus que, durante uma caçada no Novo México, invadem uma reserva indígena. Quando uma condessa (Bardot) é atacada pelos nativos, um guia corajoso (Connery) intervém para salvá-la, desencadeando uma série de eventos perigosos. “Shalako” é um filme que combina aventura, romance e ação, mostrando Bardot em um papel diferente do habitual, provando sua versatilidade em Hollywood.
Onde assistir: Pode ser assistido nas plataformas Looke e Oldflix.
Bônus: Masculino, Feminino (1966)
Três anos após “O Desprezo”, Brigitte Bardot reencontrou Jean-Luc Godard nesta obra que retrata a juventude francesa dos anos 1960. O filme acompanha um ex-militar que se torna um militante contra a guerra, explorando as tensões sociais e políticas da época. Bardot faz uma participação especial, interpretando a si mesma, em um momento em que já era uma das figuras mais famosas e reconhecidas do mundo. Sua breve aparição serve como um comentário metalinguístico sobre a celebridade e a cultura pop daquele período, adicionando uma camada de autenticidade à narrativa de Godard.
O legado duradouro de Brigitte Bardot
A partida de Brigitte Bardot encerra um capítulo na história, mas seu legado no cinema e na cultura é eterno. Mais do que uma estrela de cinema, ela foi uma força de mudança, uma voz para a liberdade feminina e uma inspiração para gerações de artistas e mulheres. Seus filmes continuam a ser estudados e apreciados, revelando uma artista à frente de seu tempo, que ousou desafiar convenções e personificar uma era de transformação. Após se retirar das telas, Bardot dedicou-se apaixonadamente à causa da proteção animal, fundando a Fundação Brigitte Bardot e utilizando sua fama para advogar por uma causa que lhe era muito cara. Sua influência permanece viva, seja através de seu estilo atemporal, de suas performances inesquecíveis ou de seu ativismo incansável, consolidando-a como uma das figuras mais impactantes do século XX.
Perguntas frequentes sobre Brigitte Bardot
Qual foi o impacto de Brigitte Bardot no cinema e na cultura?
Brigitte Bardot revolucionou o cinema ao desafiar padrões de moralidade com seus papéis ousados, tornando-se um símbolo internacional de sensualidade e liberdade feminina. Ela influenciou a moda, a cultura pop e a representação da mulher nas telas, além de colaborar com diretores renomados que moldaram a história do cinema.
Por que Brigitte Bardot se aposentou do cinema tão jovem?
Bardot se aposentou do cinema em 1973, com apenas 39 anos, citando o desejo de fugir da pressão da fama e se dedicar a outras paixões. Após a aposentadoria, ela canalizou sua energia para o ativismo, tornando-se uma fervorosa defensora dos direitos dos animais.
Quais diretores famosos trabalharam com Brigitte Bardot?
Ao longo de sua carreira, Brigitte Bardot trabalhou com alguns dos mais influentes diretores do cinema, incluindo Roger Vadim (seu primeiro marido), Jean-Luc Godard, Federico Fellini, Louis Malle, Henri-Georges Clouzot e Edward Dmytryk.
Onde posso assistir aos filmes clássicos de Brigitte Bardot?
Muitos dos filmes de Brigitte Bardot estão disponíveis em plataformas de streaming como Looke, Plex e Oldflix. Alguns clássicos, como “O Desprezo” e “A Verdade”, podem ser mais difíceis de encontrar e estão principalmente disponíveis em mídia física (DVD/Blu-ray).
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Fonte: https://www.infomoney.com.br



