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Besa Me Mucho: integração latina e resistência no Morro da Providência
Brasil

Besa Me Mucho: integração latina e resistência no Morro da Providência

Última Atualizacão 09/02/2026 09:32
PainelRJ
Publicado 09/02/2026
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© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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O vibrante bloco Besa Me Mucho transformou as ladeiras do Morro da Providência, no coração do Rio de Janeiro, em um palco de celebração e resistência cultural em um recente domingo. O cortejo, que teve sua concentração estratégica na escadaria da Rua Costa Barros, esquina com a Ladeira do Livramento, promoveu uma fusão única de ritmos latino-americanos com os inconfundíveis batuques brasileiros. Além da efervescência musical, o evento carregou uma profunda mensagem política de integração continental, reunindo moradores da comunidade, músicos imigrantes e foliões de diversas partes da cidade. O Besa Me Mucho, nascido da confluência de coletivos que há anos atuam no território, como o Cortejinho RJ, reafirma a ocupação cultural das ruas como um poderoso gesto político. A intensa presença da música latina nas vielas da Pequena África, berço histórico da primeira favela do Brasil, é um lembrete vívido da resiliência e da identidade que o bloco busca celebrar e defender.

A celebração que é um manifesto cultural

O Besa Me Mucho transcende a mera folia carnavalesca; ele se estabelece como um manifesto cultural em meio à efervescência do Rio de Janeiro. Ao misturar melodias e batucadas que ecoam de toda a América Latina, o bloco cria uma experiência sonora que é, ao mesmo tempo, um convite à dança e uma profunda reflexão sobre a identidade e a conectividade do continente. A escolha do Morro da Providência como cenário não é acidental, mas profundamente simbólica. Este local, carregado de história e significado como a primeira favela do Brasil e parte integrante da “Pequena África” carioca, oferece um pano de fundo potente para a mensagem de resistência e união do bloco.

Raízes na Pequena África e a força da comunidade

A ligação do Besa Me Mucho com a Providência é orgânica e histórica. O bloco emergiu da colaboração entre coletivos que já possuem uma longa trajetória de atuação cultural na região, como o Cortejinho RJ, que nasceu na própria comunidade. Essa conexão profunda com o território garante que o Besa Me Mucho não seja apenas um evento, mas uma extensão da vida e da luta dos moradores. A ocupação das ruas com música e arte é vista pelos organizadores como um ato político essencial, uma forma de reivindicar espaços e celebrar a cultura em locais historicamente marginalizados. A intensidade de trazer a música latina para as vielas da Pequena África é, em suas próprias palavras, um ato de resistência que ecoa a rica história e a vibrante identidade da comunidade.

Vozes da liberdade e da identidade continental

Para os foliões e integrantes, o Besa Me Mucho é mais do que um desfile; é uma plataforma para expressar liberdade e reafirmar a identidade latino-americana. Andrés Martin, um jovem espanhol de 21 anos que veio de Madri para experimentar seu primeiro carnaval carioca, resumiu o sentimento ao dizer que o bloco simboliza a liberdade. “Todo mundo é livre para fazer o que quiser. O carnaval e a cultura latino-americana representam isso”, afirmou. Ele também destacou como o desfile abriu espaço para reflexões mais amplas, como a política migratória dos Estados Unidos, criticando o tratamento dado aos imigrantes e especialmente às crianças.

Migração, fronteiras e pertencimento

A bióloga venezuelana Salomé, integrante da banda do Besa Me Mucho e residente no Brasil há sete anos e meio, reforçou o caráter político inerente ao carnaval de rua. Para ela, é um “movimento de resistência, de luta, de ocupar espaços de vida”. A proposta do bloco ressoa diretamente com a ideia de um pertencimento latino-americano unificado. “O Brasil é a América Latina. Não entendo essa separação. As fronteiras são humanas, estão na nossa cabeça. Somos habitantes do planeta”, declarou Salomé, enfatizando que a rua é o espaço primordial para essa disputa simbólica e o encontro de culturas. André Videira de Figueiredo, professor de sociologia e músico do bloco, corroborou que o caráter político do Besa Me Mucho é indissociável de sua proposta musical. “É um bloco de música latino-americana, e isso inclui a música brasileira. Entendemos que fazemos parte desse grande aglomerado político que é a América Latina”, explicou. Composto majoritariamente por imigrantes, o bloco assume uma responsabilidade ampliada, especialmente em momentos de grande visibilidade como o carnaval, para promover uma visão de “América Latina livre, de uma ideia de América anterior à América do Norte”. O editor Felipe Eugênio Santos e Silva, um antigo frequentador do bloco, observa que o Besa Me Mucho é fundamental para romper a percepção de que o Brasil estaria à parte do continente. “Existe uma ideia muito ruim de que o Brasil paira acima da América Latina. Isso é um erro imenso. O bloco ajuda a conectar a gente com a cultura dos nossos hermanos, com as músicas e com os modos de existir”, avaliou. Para ele, essa resistência cultural é um catalisador de consciência política, transformando a festa em uma “antessala que nos politiza”.

O carnaval de rua como palco político

O carnaval de rua no Rio de Janeiro é historicamente um espaço de manifestação popular e política. O empresário carioca Michael Pinheiro destacou que o carnaval é o “Brasil acontecendo de forma muito objetiva”, revelando ao mundo a essência do povo brasileiro. Para ele, trata-se de uma manifestação política “de ponta a ponta”, uma ferramenta de comunicação da população consigo mesma, que historicamente ensina e empodera.

Consciência coletiva e o papel da festa

O sociólogo Rodrigo Freitas, também cineasta, ressaltou que o desfile do Besa Me Mucho nas ladeiras da Providência fortalece a identidade latino-americana. Ele o descreve como um “ato de resistência”, pois um bloco que desfila na ladeira conecta as pessoas com as ladeiras de toda a América Latina, identificando-as como um povo que precisa resistir ao imperialismo. Iniciativas como o Besa Me Mucho são cruciais para que o Brasil se reconheça plenamente como parte integrante do continente, atualizando essa consciência de que “somos latinos”. A festa se torna, assim, um espaço onde a diversidade é celebrada e onde a consciência social e política é ativada, provando que alegria e engajamento podem caminhar lado a lado.

O cenário maior do carnaval carioca

O Besa Me Mucho é parte integrante da vasta e complexa tapeçaria do carnaval de rua do Rio de Janeiro. Para a próxima temporada de folia, centenas de blocos estão autorizados a desfilar, demonstrando a riqueza e a diversidade da programação cultural da cidade. A organização do carnaval de rua no Rio é uma operação grandiosa, com a programação estendendo-se por várias semanas, oferecendo opções para todos os gostos e idades. Informações detalhadas sobre os desfiles, rotas e horários estão disponíveis em plataformas digitais e sites oficiais, facilitando o acesso dos foliões a essa que é uma das maiores festas populares do mundo.

Conclusão

O Besa Me Mucho, com sua fusão de ritmos latinos e brasileiros e sua profunda mensagem de integração e resistência, consolida-se como um dos blocos mais significativos do carnaval carioca. Ao ocupar as ladeiras do Morro da Providência, ele não apenas proporciona alegria e celebração, mas também instiga reflexões cruciais sobre identidade, migração e o papel da América Latina no cenário global. É um exemplo vívido de como a cultura e a festa podem ser poderosas ferramentas de transformação social e política, unindo pessoas e ideias em um coro vibrante de liberdade e pertencimento. A energia do Besa Me Mucho reafirma a capacidade do carnaval de ser um espaço de vida, luta e reafirmação de um continente vasto e interconectado.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual o principal propósito do bloco Besa Me Mucho?
O Besa Me Mucho tem como propósito principal celebrar a cultura latino-americana, promover a integração continental e atuar como um movimento de resistência política e social, especialmente através da música e da ocupação de espaços públicos.

Onde o Besa Me Mucho costuma desfilar?
O bloco tradicionalmente desfila nas ladeiras do Morro da Providência, no centro do Rio de Janeiro, especificamente concentrando-se na escadaria da Rua Costa Barros, na esquina com a Ladeira do Livramento.

Qual a relação do Besa Me Mucho com a comunidade local?
O bloco possui uma forte ligação com a comunidade do Morro da Providência, tendo sido criado a partir de coletivos locais como o Cortejinho RJ. Sua presença na “Pequena África” carioca é vista como um ato de resistência cultural e uma celebração da identidade histórica do local.

Para explorar mais sobre os blocos que trazem mensagens de resistência, integração e cultura latino-americana ao vibrante carnaval de rua do Rio de Janeiro, continue acompanhando as notícias e agendas culturais da nossa plataforma.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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