O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, da União Brasil, foi preso na manhã desta quarta-feira e deverá pernoitar na Superintendência da Polícia Federal, localizada na Zona Portuária. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro e que resultou na detenção do então deputado TH Joias.
A ação da Polícia Federal se iniciou com um convite formal do superintendente da PF no Rio, Fábio Galvão, para uma reunião na sede da corporação, situada na Praça Mauá. Bacellar atendeu ao chamado e, ao chegar ao local, foi surpreendido com a voz de prisão, antes mesmo de qualquer conversa. Seu telefone celular foi apreendido, e R$ 90 mil em dinheiro foram encontrados no interior do veículo utilizado pelo deputado.
O mandado de prisão foi expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que também determinou o afastamento imediato de Bacellar da presidência da Alerj. Em sua decisão, o ministro Moraes apontou a existência de “fortes indícios” de que o parlamentar estaria atuando para obstruir investigações envolvendo o crime organizado, com poder de influência sobre órgãos do Executivo estadual.
A Polícia Federal alega que Bacellar alertou TH Joias sobre a iminência da Operação Zargun, o que teria levado o ourives a organizar uma mudança repentina na tentativa de ocultar provas. TH Joias, que perdeu o mandato após ser preso por tráfico, corrupção e lavagem de dinheiro, e é suspeito de fornecer armas ao Comando Vermelho, teria sido avisado na véspera da operação. Segundo os investigadores, o alerta resultou em uma movimentação suspeita, com a utilização de um caminhão-baú. No dia da operação, o Ministério Público já havia relatado indícios de vazamento, informando que o parlamentar deixou seu condomínio por volta das 21h40, com a casa em completo desalinho. Ele foi localizado horas depois, na residência de um amigo, na Barra da Tijuca.
Além da prisão de Rodrigo Bacellar, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão, incluindo o gabinete do deputado na Alerj. Há também um mandado de intimação para cumprimento de medidas cautelares relacionadas à investigação em curso.
A operação desta quarta-feira está alinhada com as determinações do STF no julgamento da ADPF das Favelas, que ampliou o escopo de apuração da PF sobre grupos criminosos violentos no estado e suas possíveis ligações com agentes públicos.



