Moradores de Niterói expressam profunda preocupação e denunciam o estado de abandono da histórica Caserna General Castrioto, localizada na Rua Feliciano Sodré, no Centro, que está destinada a abrigar o futuro museu da Polícia Militar, o “Museu Treme-Terra”. O projeto, vital para a preservação da história da corporação, encontra-se em um limbo burocrático, com a reforma orçada em R$ 15 milhões ainda sem data para iniciar, mesmo após quase um ano da assinatura do convênio entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Niterói. A deterioração do imóvel é visível, e a comunidade relata um aumento na violência e na insegurança no entorno, com o prédio sendo, inclusive, ocupado por pessoas em situação de rua, contrastando com a importância histórica do local.
Abandono e insegurança na Caserna General Castrioto
Denúncias da comunidade e impacto social
A Caserna General Castrioto, um patrimônio com mais de um século e meio de história, está em estado de crescente degradação, gerando um cenário alarmante para os moradores e comerciantes do Centro de Niterói. As denúncias de abandono são frequentes, e o prédio, que outrora representou a força e a ordem, hoje simboliza o descaso. Paredes pichadas, janelas quebradas, acúmulo de lixo e o crescimento descontrolado de vegetação são os sinais visíveis de um projeto estagnado. Mais preocupante ainda é a ocupação do imóvel por pessoas em situação de rua, o que, embora reflita uma questão social complexa, adiciona uma camada de vulnerabilidade e insegurança à área.
Essa situação contribui diretamente para a percepção de aumento da violência no entorno. Relatos da comunidade incluem assaltos, furtos e uma sensação generalizada de desproteção, especialmente nos períodos noturnos. A proximidade com o terminal rodoviário e a grande circulação de pessoas no Centro tornam a região um ponto crítico, onde a presença de um prédio abandonado com alto potencial histórico deveria ser tratada com urgência. A contradição entre a promessa de um espaço cultural e a realidade de um foco de problemas sociais e de segurança mina a confiança dos cidadãos nas iniciativas públicas e desvaloriza a memória ali contida.
O projeto Museu Treme-Terra e seu status atual
Acordo e financiamento: detalhes do convênio
O “Museu Treme-Terra” foi concebido com a nobre missão de salvaguardar e expor a rica história da Polícia Militar, desde suas origens. O projeto prevê a instalação do museu na Caserna General Castrioto, reconhecendo a relevância histórica do local. Para viabilizar a reforma e a instalação, um convênio foi assinado em 15 de abril por representantes do Governo do Estado do Rio e da Prefeitura de Niterói. O investimento total previsto para a restauração é de R$ 15 milhões, um montante significativo que demonstra a importância atribuída ao projeto. Desse total, R$ 11 milhões seriam de responsabilidade da prefeitura, enquanto os R$ 4 milhões restantes ficariam a cargo da corporação.
No entanto, passados quase dez meses desde a assinatura do convênio, a reforma que, segundo a informação inicial, estava prevista para abril de 2025, ainda não começou. A Polícia Militar, em nota, informou que o projeto “encontra-se em fase de cálculos”, etapa sob responsabilidade dos engenheiros da prefeitura. Em contrapartida, o governo municipal respondeu que “o local é de responsabilidade do Governo do Estado e a Emop está realizando intervenções no espaço”. A prefeitura complementou que “vai apoiar a realização do projeto com o objetivo de agilizar a restauração, já que o prédio está deteriorando há seis anos”. Essa troca de responsabilidades e a aparente falta de coordenação entre os entes federativos mantêm o futuro museu em um limbo, enquanto o edifício histórico continua a se degradar.
A rica história da Caserna General Castrioto
De Guarda Policial a marco histórico nacional
A Caserna General Castrioto não é apenas um prédio antigo; é um pedaço vivo da história do Rio de Janeiro e do Brasil. Sua origem remonta a 1835, um ano crucial após a separação da cidade do Rio (então capital do império) do restante da província homônima. Com Niterói elevada à condição de capital provincial, a Guarda Policial da Província do Rio, criada nesse período, passou a ter sua sede na Caserna General Castrioto, solidificando a presença da corporação no coração da cidade.
Ao longo de sua existência, a Guarda Policial, e posteriormente a Polícia Militar, sediada neste local, participou ativamente de momentos definidores da história nacional. Seus homens e mulheres testemunharam e atuaram em eventos como a Guerra do Paraguai, o maior conflito armado da América do Sul; a Revolta da Armada, que desafiou o poder republicano recém-instaurado; a Revolta da Vacina, um levante popular contra a vacinação obrigatória; o Golpe de 1930, que marcou o fim da República Velha; e a Revolução Constitucionalista de 1932. Cada um desses episódios deixou marcas indelével na instituição e na própria nação, e a caserna serviu como um ponto de comando e referência em todas essas circunstâncias. Em 1975, com a fusão do Estado da Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro, o prédio manteve sua relevância, passando a abrigar o 4º Comando de Policiamento de Área (CPA), antes de ser designado para o projeto do museu. A negligência atual, portanto, não afeta apenas um imóvel, mas um tesouro da memória cívica e militar brasileira.
Resposta das autoridades e medidas de segurança
Policiamento na região central de Niterói
Diante das denúncias de abandono e insegurança no entorno da Caserna General Castrioto, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro se manifestou sobre as ações implementadas na região. Segundo a corporação, o comando do 4º CPA, responsável pela área, reforçou o policiamento por meio do Regime Adicional de Serviço (RAS). O RAS é um sistema que permite o escalonamento extra de policiais, com o objetivo de aumentar a ostensividade e, consequentemente, ampliar a sensação de segurança para moradores e frequentadores do Centro de Niterói, incluindo as áreas adjacentes à caserna.
Adicionalmente, a PM informou que o 12º Batalhão de Polícia Militar (Niterói) mantém um policiamento regular na área. Este policiamento é composto por viaturas de rádio patrulha, equipes de moto-patrulha e conta também com o apoio do programa “Segurança Presente”, uma iniciativa que busca a proximidade com a população e a prevenção de crimes através da presença constante de agentes. Como evidência da eficácia dessas medidas, a corporação divulgou que, em um período de três meses, foi registrado apenas um roubo a transeunte nas proximidades do terminal rodoviário, sugerindo uma redução dos índices criminais na área específica. No entanto, a percepção de insegurança por parte da comunidade, mesmo com os dados apresentados, indica que a presença policial, embora reforçada, ainda não se traduz em plena tranquilidade para quem reside ou trabalha na região diretamente afetada pelo abandono da caserna.
Conclusão
A situação da Caserna General Castrioto, em Niterói, é um reflexo preocupante da dificuldade em transformar projetos em realidade, especialmente quando se trata de patrimônio público. A denúncia de abandono por parte dos moradores, somada ao impasse burocrático entre as esferas municipal e estadual, coloca em risco não apenas um edifício de imenso valor histórico, mas também a segurança e a qualidade de vida de uma comunidade inteira. A degradação do futuro museu da Polícia Militar, um espaço que deveria celebrar a memória da corporação e enriquecer a cultura local, é um lembrete da urgência de uma ação coordenada e transparente. É fundamental que os órgãos responsáveis superem as divergências, definam claramente as responsabilidades e iniciem as obras o mais breve possível, garantindo que o “Museu Treme-Terra” possa, de fato, honrar seu propósito e devolver a dignidade a este marco histórico.
Perguntas frequentes
O que é o Museu Treme-Terra e onde será instalado?
O Museu Treme-Terra será um espaço cultural dedicado à preservação e exposição da história da Polícia Militar. Ele será instalado na histórica Caserna General Castrioto, localizada na Rua Feliciano Sodré, no Centro de Niterói.
Qual o motivo do atraso nas obras do futuro museu?
O atraso nas obras do futuro museu deve-se a um impasse burocrático e à falta de coordenação entre as partes envolvidas. A Polícia Militar informou que o projeto está em “fase de cálculos” sob responsabilidade da prefeitura, enquanto a prefeitura afirma que o local é de responsabilidade do Governo do Estado, com a Emop realizando intervenções, e que o município apoiará para agilizar a restauração.
Quais medidas de segurança estão sendo tomadas no entorno da caserna?
Para combater a insegurança, o 4º Comando de Policiamento de Área (CPA) implantou um reforço no policiamento através do Regime Adicional de Serviço (RAS). Além disso, o 12º Batalhão de Polícia Militar (Niterói) mantém patrulhamento regular com rádio patrulha, moto-patrulha e o programa “Segurança Presente”. A PM reportou apenas um roubo a transeunte em três meses nas proximidades do terminal rodoviário.
Acompanhe as próximas atualizações sobre o futuro do Museu Treme-Terra e a segurança em Niterói.
Fonte: https://temporealrj.com



