Cientistas revelam que a “ansiedade da ressaca”, ou “hangxiety”, é um fenômeno real, afetando algumas pessoas mais intensamente do que outras após o consumo de álcool. A condição, caracterizada por sentimentos de tristeza e apreensão no dia seguinte ao consumo de bebidas alcoólicas, tem sido alvo de queixas há anos, com indivíduos relatando que até mesmo pequenas quantidades de álcool podem desencadear esses sintomas.
Embora não seja um diagnóstico clínico formal, a “ansiedade da ressaca” descreve o mal-estar emocional que se manifesta após o consumo de álcool. Pesquisadores australianos confirmam a existência desse fenômeno, demonstrando uma “associação significativa” entre ressacas e um “aumento de emoções negativas”, incluindo ansiedade, estresse e depressão.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas conduziram uma análise abrangente de 22 estudos, envolvendo um total de 6.152 participantes com idade média de 27 anos. Ao examinar os resultados desses estudos, foi descoberto que pessoas com predisposição à ansiedade ou mau humor, bem como aquelas que recorrem ao álcool como mecanismo de enfrentamento para o estresse, são mais propensas a experimentar a “ansiedade da ressaca” de forma acentuada.
Adicionalmente, indivíduos que agem de maneira que consideram inconsistente com seus valores pessoais sob a influência do álcool tendem a sentir maior vergonha, arrependimento ou ansiedade durante a ressaca. Esses sentimentos podem levar a ruminações e autocríticas severas, intensificando o sofrimento emocional.
Em contrapartida, pessoas com maior resiliência emocional, ou seja, a capacidade de se adaptar ao estresse e manter uma perspectiva equilibrada, geralmente lidam com a situação de forma mais eficaz.
Em um artigo publicado na revista Drug and Alcohol Review, os pesquisadores destacaram que os resultados estão alinhados com pesquisas anteriores, sugerindo que jovens adultos frequentemente consideram a ressaca como uma consequência menor, embora inevitável, do consumo excessivo de álcool. Essa crença pode derivar de uma ênfase maior nos aspectos sociais e prazerosos do consumo de álcool, com os efeitos negativos da ressaca sendo vistos como uma compensação aceitável, em vez de um impedimento.
Embora o mecanismo exato pelo qual o álcool desencadeia essa ansiedade não tenha sido totalmente elucidado, estudos anteriores sugerem que o álcool influencia o humor e os níveis de ansiedade no cérebro, inicialmente promovendo sentimentos de felicidade e relaxamento. No entanto, à medida que os níveis de álcool diminuem no organismo, os sentimentos de ansiedade e depressão podem aumentar.
Fonte: www.infomoney.com.br



