Estudantes do Ensino Médio da rede estadual do Rio de Janeiro terão a oportunidade de avançar para a próxima série, mesmo que apresentem reprovação em até seis disciplinas. Essa possibilidade está condicionada ao cumprimento de um programa de recuperação paralela, elaborado e aplicado pelas próprias escolas. A nova regra, em vigor já neste ano letivo, faz parte da Política Extraordinária Excepcional de Progressão Parcial, implementada por decreto do governador e regulamentada pela Secretaria de Educação.
De acordo com as diretrizes estabelecidas, alunos da 1ª e 2ª séries do Ensino Médio poderão acumular até seis dependências ao longo do ano letivo. O conteúdo pendente deverá ser integralmente cumprido até o final do primeiro trimestre do ano subsequente. Para os estudantes da 3ª série, o limite de dependências é de três disciplinas, com o mesmo prazo para a conclusão dos estudos e a obtenção do certificado de conclusão do Ensino Médio.
A Secretária de Educação justifica a medida como uma estratégia para combater os altos índices de evasão escolar observados no Ensino Médio. A Secretária Roberta Barreto declarou que o objetivo é garantir aos jovens as mesmas oportunidades já oferecidas em outros estados, argumentando que um número elevado de dependências pode impactar negativamente a permanência dos alunos na escola.
A Secretaria de Educação ressalta que o modelo de aprovação com dependência já é adotado em pelo menos 15 estados brasileiros. O decreto que institui a política tem validade de três anos, durante os quais o acompanhamento pedagógico dos alunos deverá ser contínuo. As escolas serão responsáveis por definir o calendário, a metodologia e as estratégias de recuperação, que poderão ser realizadas de forma presencial ou remota, individualmente ou em grupo.
A medida, no entanto, tem gerado controvérsia. O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação critica a decisão, afirmando que a progressão parcial foi implementada sem a devida consulta ao Conselho Estadual de Educação. A coordenadora-geral do sindicato, Helenita Beserra, acusa o governo de buscar inflar artificialmente o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
A coordenadora também criticou a gratificação de R$ 3 mil oferecida aos professores que atingirem um determinado percentual de aprovação, que varia de acordo com a série. Segundo Helenita, essa política representa uma forma de “calar a boca” dos professores e privar os alunos do direito de aprender.
Fonte: diariodorio.com



