A Sociedade de Amigos de Copacabana (SAC) protocolou formalmente uma representação junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), solicitando a abertura de um procedimento investigativo para apurar as causas das recentes e sucessivas interrupções no fornecimento de energia elétrica em parte da Zona Sul do Rio de Janeiro. A iniciativa surge em resposta a uma série de apagões em Copacabana que têm causado transtornos significativos a moradores e comerciantes, especialmente durante o período de alta temporada. A entidade expressa um profundo descontentamento com a concessionária Light, alegando que a previsibilidade do aumento de consumo no verão exige um planejamento prévio robusto, que, segundo a SAC, não foi devidamente executado, levando a falhas recorrentes no sistema.
Ação da sociedade civil contra falhas no serviço
A representação formal e a insatisfação dos moradores
A representação protocolada pela Sociedade de Amigos de Copacabana (SAC) na Aneel reflete a exaustão de uma comunidade que se vê repetidamente às escuras. Horácio Magalhães, presidente da entidade, sintetizou o sentimento geral: “A luz pode voltar, mas a nossa paciência acabou”. A afirmação sublinha a gravidade da situação e a percepção de que os problemas de fornecimento de energia, em vez de serem incidentes isolados, tornaram-se uma ocorrência preocupantemente comum. A região entre as ruas Santa Clara e Figueiredo Magalhães, um dos eixos mais densamente povoados e comerciais de Copacabana, foi particularmente afetada, registrando três apagões apenas no final de 2023 e mais dois no início de 2024.
O mais notório desses incidentes ocorreu em 4 de janeiro, quando moradores do Leme e de Copacabana enfrentaram quase 50 horas sem energia elétrica. Esta interrupção prolongada não apenas testou a resiliência dos habitantes, mas também gerou prejuízos consideráveis para o comércio local e impactou a rotina de hotéis e pousadas que operavam com lotação máxima durante o auge da temporada de verão. A falta de energia por tanto tempo comprometeu a conservação de alimentos, o funcionamento de equipamentos essenciais e a segurança, além de prejudicar a experiência de turistas que visitavam a cidade, manchando a imagem de um dos bairros mais icônicos do Rio de Janeiro.
O cerne da controvérsia: previsibilidade e planejamento
Contestação da justificativa de sobrecarga
Um dos pontos centrais da contestação apresentada pela SAC é a recusa em aceitar a justificativa de “sobrecarga no sistema elétrico” como causa para os apagões. Para os moradores, o aumento do consumo durante o verão carioca — impulsionado por hotéis lotados, afluxo de turistas e o uso intensivo de aparelhos de ar-condicionado em virtude das altas temperaturas — não é um evento inesperado. Pelo contrário, trata-se de um fenômeno sazonal perfeitamente previsível, que exige planejamento e investimentos proativos por parte da concessionária.
“A empresa precisa se preparar e tomar as providências para atender uma demanda que é sabida e conhecida”, reiterou Horácio Magalhães. Esta perspectiva sugere que a Light, como concessionária responsável pela distribuição de energia, tem a obrigação de antecipar e mitigar os riscos associados a picos de demanda. Isso inclui a manutenção preventiva da rede, a modernização da infraestrutura e a realização de obras de reforço que garantam a capacidade do sistema de suportar o aumento do consumo sem falhas. A inação nesse sentido, segundo a SAC, equivale a uma negligência que afeta diretamente a qualidade de vida e a atividade econômica da região.
A recorrência dos apagões levanta questões sobre a adequação da infraestrutura existente e a gestão da rede por parte da Light. Em um bairro como Copacabana, que depende fortemente do turismo e da prestação de serviços, a interrupção no fornecimento de energia não é apenas um inconveniente, mas um impeditiro direto para o funcionamento de inúmeros negócios, desde restaurantes e bares até estabelecimentos de hospedagem. A expectativa é que a Aneel, no papel de órgão regulador, analise minuciosamente a representação da SAC, exigindo da concessionária esclarecimentos detalhados, um plano de ação concreto e, se necessário, aplicando as sanções cabíveis para garantir a melhoria e a estabilidade do serviço. A comunidade anseia por soluções que garantam a regularidade e a confiabilidade do fornecimento de energia, indispensáveis para o bem-estar e o desenvolvimento do bairro.
Consequências e a busca por soluções duradouras
A representação formal da Sociedade de Amigos de Copacabana junto à Aneel marca um ponto de inflexão na relação entre a comunidade e a concessionária Light. A sequência de apagões na alta temporada não é apenas uma questão de desconforto; ela expõe vulnerabilidades na infraestrutura e na gestão do serviço que afetam diretamente a vida econômica e social do bairro. A população de Copacabana, através da SAC, deixa claro que a tolerância para interrupções previsíveis e evitáveis chegou ao fim.
A expectativa agora recai sobre a Aneel, que tem a responsabilidade de conduzir uma investigação rigorosa. O objetivo é não apenas identificar as causas imediatas dos apagões, mas também avaliar a adequação do planejamento e dos investimentos da Light para garantir um fornecimento de energia estável e confiável. Este processo pode resultar em exigências de melhorias na rede, aplicação de multas ou até mesmo a definição de metas de desempenho mais estritas para a concessionária. O desfecho desta ação será crucial para determinar o futuro da qualidade do serviço de energia elétrica em Copacabana e pode estabelecer um precedente importante para outras regiões. A comunidade espera que, a partir desta iniciativa, sejam implementadas soluções duradouras que garantam que os moradores e visitantes possam desfrutar do bairro sem a constante preocupação com a falta de luz.
Perguntas frequentes
Por que os moradores de Copacabana acionaram a Aneel?
Os moradores, representados pela Sociedade de Amigos de Copacabana (SAC), acionaram a Aneel devido a uma sequência de apagões na região, que causaram transtornos significativos e prejuízos, especialmente durante a alta temporada.
Quais áreas foram mais afetadas pelos apagões recentes?
As áreas mais afetadas incluem as ruas Santa Clara e Figueiredo Magalhães, além de partes do Leme e de Copacabana, onde ocorreram interrupções de até 50 horas no fornecimento de energia.
Qual a principal contestação dos moradores à justificativa da Light para os apagões?
Os moradores contestam a justificativa de “sobrecarga no sistema”, argumentando que o aumento do consumo no verão é previsível e que a concessionária deveria ter um planejamento prévio e infraestrutura adequada para atender a essa demanda conhecida.
O que a Aneel pode fazer diante da representação protocolada?
A Aneel pode abrir um procedimento para investigar as causas dos apagões, solicitar explicações e planos de ação da Light, e, se encontrar irregularidades, aplicar sanções, multas ou exigir investimentos e melhorias no serviço.
Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta ação e participe ativamente das discussões em sua comunidade para garantir um serviço de energia elétrica mais eficiente e confiável.
Fonte: https://temporealrj.com



