Em uma decisão de grande repercussão, a Justiça do Rio de Janeiro condenou Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, réus pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a pagar indenização por danos morais e pensão à viúva da parlamentar, Monica Benicio. A sentença, proferida pela 29ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, fixou o valor de R$ 200 mil a título de danos morais para Monica. Esta condenação por indenização representa um passo significativo na busca por reparação para a família e para a companheira de Marielle, que há anos lutam por justiça após o brutal crime que chocou o Brasil e o mundo em março de 2018. A medida visa compensar parte do sofrimento e do prejuízo financeiro causado pela interrupção abrupta da vida de Marielle.
A decisão judicial e a reparação civil
A sentença da 29ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro vai além da indenização por danos morais. Os condenados, Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, também foram sentenciados ao pagamento de uma pensão mensal à Monica Benicio. O valor dessa pensão corresponde a dois terços da remuneração que Marielle Franco receberia como vereadora, calculada com base na sua sobrevida provável. Esse cálculo considera não apenas o salário base, mas também a inclusão do 13º salário e das férias anuais, elementos essenciais da remuneração de qualquer trabalhador. A intenção é mitigar a perda material decorrente da ausência de Marielle, que contribuía financeiramente para o sustento do lar.
Detalhes da sentença e garantia de cumprimento
Para assegurar o cumprimento da condenação, o juízo determinou o bloqueio de todos os bens de Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz. Essa medida cautelar é fundamental para garantir que os valores fixados na sentença sejam efetivamente pagos à Monica Benicio, evitando que os réus se desfaçam de seus patrimônios. O bloqueio abrange tanto os R$ 200 mil referentes aos danos morais quanto o montante acumulado da pensão mensal e demais encargos. A decisão representa um reconhecimento explícito da responsabilidade civil dos envolvidos no assassinato e busca proporcionar uma forma de reparação material e moral àqueles diretamente afetados pelo crime. Embora a condenação civil seja um marco, é importante ressaltar que ela ainda cabe recurso, o que significa que os réus podem contestar a decisão em instâncias superiores, prolongando o processo. A ação foi iniciada pelo escritório João Tancredo Advogados, que representou Monica Benicio na busca por essa reparação.
O contexto do assassinato e a busca por justiça
O assassinato de Marielle Franco, vereadora do PSOL no Rio de Janeiro, e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018, foi um dos crimes mais impactantes da história recente do Brasil. Marielle, conhecida por sua atuação na defesa dos direitos humanos, das minorias, e por sua crítica à violência policial, tornou-se um símbolo da luta por justiça e contra a impunidade. Sua execução, com múltiplos disparos, gerou comoção nacional e internacional, levantando questões profundas sobre a segurança de defensores de direitos humanos e a influência de grupos criminosos na política. A investigação do caso se arrastou por anos, com a sociedade clamando por respostas e pela identificação não apenas dos executores, mas também dos mandantes do crime.
A ação movida pela viúva e o peso da reparação
A ação civil por indenização movida por Monica Benicio, companheira de Marielle Franco, reflete a busca por uma reparação que vai além da esfera criminal. Enquanto o processo criminal busca punir os responsáveis pelo assassinato, a ação civil visa compensar os danos materiais e imateriais sofridos pela família da vítima. A perda de Marielle representou não apenas um golpe emocional devastador para Monica, mas também uma interrupção da vida conjunta e do suporte financeiro que Marielle, em sua ascensão política, proporcionava. A condenação à indenização e pensão é um reconhecimento formal do prejuízo sofrido por Monica Benicio e um esforço para restabelecer, ainda que parcialmente, a segurança econômica e a dignidade que foram violentamente subtraídas. Essa iniciativa é crucial para as vítimas de crimes graves, que muitas vezes enfrentam não apenas a dor da perda, mas também as dificuldades financeiras decorrentes.
Desdobramentos e impacto da decisão
A condenação de Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz a indenizar Monica Benicio e pagar pensão é um marco importante na complexa trama jurídica do caso Marielle Franco. Embora seja uma decisão em primeira instância civil, ela envia um sinal claro sobre a responsabilização dos envolvidos. A possibilidade de recurso pelos réus é um procedimento padrão no sistema jurídico brasileiro, e o processo pode se estender por mais tempo em tribunais superiores. No entanto, a determinação do bloqueio de bens já garante uma segurança maior para o cumprimento da sentença, caso ela seja mantida.
Esta decisão tem implicações que vão além do caso específico de Marielle. Ela reforça a importância da justiça civil como um mecanismo de reparação para vítimas de crimes violentos, complementando a ação penal. Para Monica Benicio e a família de Marielle, cada avanço judicial representa uma pequena vitória na árdua e longa jornada pela justiça plena. A sociedade, que acompanhou de perto o desenrolar do caso, vê nesta condenação um passo adiante na responsabilização dos perpetradores, embora a questão dos mandantes ainda seja um ponto central e fundamental para a completa elucidação do crime. A luta por todas as respostas continua.
Perguntas frequentes
Quem são Ronnie Lessa e Élcio Queiroz?
Ronnie Lessa é um ex-policial militar acusado de ser o autor dos disparos que mataram Marielle Franco e Anderson Gomes. Élcio Vieira de Queiroz é um ex-policial militar acusado de ser o motorista do carro usado no crime. Ambos foram presos em março de 2019 e são réus no processo criminal pelo assassinato.
O que significa a indenização por danos morais e pensão?
A indenização por danos morais é uma compensação financeira destinada a reparar o sofrimento e a angústia causados por um ato ilícito. A pensão mensal, nesse contexto, visa cobrir a perda do sustento financeiro que a vítima (Marielle Franco) proporcionaria, calculada com base em sua remuneração e expectativa de vida.
Esta decisão encerra o caso Marielle Franco?
Não. Esta é uma condenação na esfera civil, específica para a reparação de danos a Monica Benicio. O processo criminal que apura o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, buscando a condenação dos executores e, principalmente, dos mandantes do crime, segue em curso e é um processo separado.
O que é o bloqueio de bens?
O bloqueio de bens é uma medida judicial que impede que os réus (Ronnie Lessa e Élcio Queiroz) vendam, transfiram ou ocultem seus bens (imóveis, veículos, contas bancárias, etc.). Essa medida é aplicada para garantir que, caso a condenação seja confirmada, haja patrimônio disponível para o pagamento da indenização e da pensão.
Para se manter informado sobre os desdobramentos deste e de outros casos de relevância social e jurídica, acompanhe as atualizações da imprensa e as decisões dos tribunais.
Fonte: https://temporealrj.com



