O Superior Tribunal Militar (STM) tornou-se o palco de um desdobramento crucial nesta terça-feira, 3 de outubro, ao receber um pedido formal do Ministério Público Militar (MPM) para a perda do oficialato de cinco figuras proeminentes das Forças Armadas. Entre os alvos da ação estão o ex-presidente Jair Bolsonaro, um capitão da reserva do Exército, e quatro oficiais de alta patente — três generais do Exército e um almirante da Marinha. A iniciativa do MPM decorre das condenações definitivas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ação penal referente à chamada “trama golpista”. Este é um passo significativo que pode resultar na expulsão desses militares das fileiras das Forças Armadas, desencadeando implicações legais e financeiras notáveis.
Ações de perda do oficialato no STM
O Ministério Público Militar (MPM) protocolou formalmente no Superior Tribunal Militar (STM) as ações que visam a perda do oficialato do ex-presidente Jair Bolsonaro, um capitão da reserva do Exército, e de outros quatro oficiais de alta patente. Essa medida é um desdobramento direto das condenações definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ação penal que investigou a “trama golpista”. A lista dos militares implicados inclui, além de Bolsonaro, o general da reserva Augusto Heleno, o general da reserva Paulo Sérgio Nogueira, o general da reserva Walter Braga Netto e o almirante de esquadra Almir Garnier.
O pedido do Ministério Público Militar
As ações de perda do oficialato foram motivadas pelo trânsito em julgado das condenações, ocorrido no ano passado. Este termo jurídico significa que todas as possibilidades de recurso foram esgotadas, tornando as sentenças irrevogáveis e exigíveis. Conforme a Constituição Federal, um oficial das Forças Armadas pode ser expulso ou ter sua patente cassada em caso de condenação criminal que resulte em pena superior a dois anos de prisão. No caso específico dos envolvidos na “trama golpista”, as penas aplicadas pelo STF variam significativamente, oscilando entre 19 e 27 anos de reclusão, superando em muito o limite constitucional para a perda da patente.
O MPM, ao mover esses processos, age em conformidade com o ordenamento jurídico, buscando aplicar as consequências previstas para condutas consideradas incompatíveis com a dignidade e o dever militar. A perda do oficialato não se trata apenas de uma questão de honra ou simbolismo; ela implica a remoção formal da condição de militar, com todas as suas prerrogativas e benefícios associados. A decisão final sobre a cassação das patentes caberá ao STM, que agora tem a responsabilidade de analisar cada caso individualmente, considerando os argumentos e a legalidade dos pedidos.
Impacto e procedimento judicial
A tramitação desses processos no Superior Tribunal Militar (STM) carrega implicações de grande alcance, tanto para os envolvidos quanto para a própria instituição das Forças Armadas. A potencial perda das patentes não só altera o status jurídico e militar dos oficiais, mas também desencadeia um mecanismo financeiro peculiar previsto na legislação militar: a “morte ficta”, que garante o repasse de benefícios aos dependentes.
As implicações da “morte ficta”
Um dos aspectos mais discutidos e, por vezes, mal compreendidos, da perda do oficialato é o benefício conhecido como “morte ficta”. Caso o STM decrete a cassação das patentes de Bolsonaro e dos demais militares, os salários e proventos que eles atualmente recebem não serão simplesmente cancelados. Em vez disso, a legislação das Forças Armadas, que prevê esse mecanismo desde 1960, estabelece que esses valores serão convertidos em pensão e repassados para a esposa ou filhas dos condenados. Esse benefício é denominado “morte ficta” porque, embora o militar esteja vivo, a perda da patente é equiparada, para fins previdenciários, a um óbito, garantindo o amparo financeiro aos dependentes. A previsão dessa pensão sublinha a complexidade das normas militares e a forma como o sistema busca equilibrar a disciplina com a proteção familiar.
Composição e relatores dos processos
O Superior Tribunal Militar é uma corte única no cenário jurídico brasileiro, com uma composição específica que reflete sua natureza especializada. O tribunal é integrado por 15 ministros, sendo cinco deles de natureza civil e dez de origem militar. As cadeiras militares são distribuídas entre as três forças: quatro são destinadas a oficiais do Exército, três a oficiais da Marinha e outras três a oficiais da Aeronáutica. Essa composição assegura uma expertise militar no julgamento de questões complexas que envolvem a caserna.
Após o protocolo das ações pelo MPM, o STM procedeu à distribuição eletrônica dos casos para os ministros relatores, que serão responsáveis por conduzir a instrução processual e elaborar os votos. A ação que envolve Jair Bolsonaro foi designada para ser relatada por um ministro oriundo da Aeronáutica, o ministro Carlos Vyuk Aquino. Os demais casos foram distribuídos da seguinte forma: o processo contra o almirante Almir Garnier ficou sob a relatoria da ministra Veronica Sterman (civil); o do general Paulo Sérgio Nogueira com o ministro Barroso Filho (civil); o do general Augusto Heleno com o ministro Celso Luiz Nazareth (Marinha); e o do general Walter Braga Netto com o ministro Flávio Marcus Lancia (Exército). Essa distribuição demonstra a diversidade de backgrounds entre os julgadores que analisarão as complexas questões envolvidas.
O rito de julgamento e prazos
Em coletiva de imprensa, a presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, esclareceu aspectos importantes sobre o rito de julgamento dessas ações de perda do oficialato. Ela enfatizou que a legislação atual não estabelece um prazo legal específico para a conclusão desses processos. No entanto, a ministra manifestou publicamente sua intenção de pautar os casos para julgamento com a máxima celeridade, assim que os respectivos ministros relatores liberarem os processos para inclusão na ordem do dia. “Não pretendo procrastinar o julgamento de questões tão relevantes que são submetidas à apreciação dessa Corte”, afirmou a presidente, sinalizando o compromisso do tribunal com a agilidade processual.
Um detalhe importante das regras internas do STM, especificamente para ações de perda do oficialato, é a forma de votação da presidente. A ministra Maria Elizabeth Rocha só proferirá seu voto em caso de empate entre os demais membros do plenário. E, nessas situações, as regras estabelecem que o voto de desempate da presidência será sempre favorável ao réu. Essa particularidade sublinha a seriedade e a cautela com que o tribunal aborda a possibilidade de cassação de patentes, um ato de extrema gravidade para a carreira militar. A ausência de um prazo fixo, combinada com a intenção declarada da presidência de não atrasar os julgamentos, mantém a expectativa sobre quando essas decisões serão proferidas.
A aguardada decisão do Tribunal Militar
A chegada dos pedidos de perda do oficialato ao Superior Tribunal Militar marca um momento de grande expectativa e relevância para o cenário político e militar brasileiro. Com base em condenações definitivas do Supremo Tribunal Federal, o STM agora tem a tarefa de deliberar sobre o futuro de Jair Bolsonaro e outros quatro militares de alta patente. A decisão da corte não apenas definirá o destino desses indivíduos, com a potencial cassação de suas patentes e a ativação do mecanismo de “morte ficta” para seus dependentes, mas também enviará um forte sinal sobre a observância da legalidade e da hierarquia nas Forças Armadas. A celeridade prometida pela presidente do tribunal e a complexidade jurídica dos casos mantêm o olhar do país fixo no desfecho desses processos, cujas implicações ecoarão por todo o sistema de justiça e as instituições militares.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que significa a “perda do oficialato”?
A “perda do oficialato” é uma medida legal que resulta na cassação da patente militar de um oficial. Isso significa que o indivíduo perde formalmente sua condição de militar, todas as suas prerrogativas, direitos e deveres associados à sua patente. É uma penalidade grave aplicada em casos específicos, como condenações criminais definitivas com penas superiores a dois anos de prisão.
Quem são os militares envolvidos nos pedidos de perda de patente?
Os pedidos do Ministério Público Militar (MPM) visam a cassação da patente do ex-presidente Jair Bolsonaro (capitão da reserva do Exército), do general da reserva Augusto Heleno, do general da reserva Paulo Sérgio Nogueira, do general da reserva Walter Braga Netto e do almirante de esquadra Almir Garnier. Todos foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal na ação penal da “trama golpista”.
O que é o benefício da “morte ficta” e quem o recebe?
“Morte ficta” é um benefício previsto na legislação das Forças Armadas, desde 1960. Caso a perda da patente seja decretada, os proventos que o militar recebia são transformados em pensão e repassados para seus dependentes legais, geralmente a esposa ou filhas. O termo “ficta” indica que a perda da patente é equiparada, para fins previdenciários, a um óbito, garantindo a manutenção do apoio financeiro aos familiares.
Existe um prazo para o Superior Tribunal Militar julgar essas ações?
Não, a ministra Maria Elizabeth Rocha, presidente do STM, esclareceu que não há um prazo legal estabelecido para o julgamento dessas ações de perda do oficialato. No entanto, ela afirmou que irá pautar os processos para julgamento imediatamente após os ministros relatores os liberarem, demonstrando a intenção de não procrastinar as decisões.
Qual o papel da presidente do STM no julgamento desses casos?
A presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, só vota em caso de empate entre os demais ministros. E, especificamente nas ações de perda do oficialato, sua regra interna é votar sempre a favor do réu para desempatar, o que reflete a cautela do tribunal em decisões tão impactantes.
Para mais detalhes sobre o andamento desses processos e suas repercussões, continue acompanhando as atualizações da imprensa especializada.



