Uma significativa movimentação política agita o Palácio Guanabara e os bastidores do governo, com a confirmação da saída de pelo menos cinco secretários estaduais. Todos os gestores que deixam seus cargos são deputados estaduais e se preparam para disputar as eleições de 2026, cumprindo a legislação eleitoral que exige a desincompatibilização até o prazo de 4 de abril. As mudanças, entretanto, não se limitam apenas às exigências legais. Uma profunda reforma administrativa parece estar em curso, sinalizando um realinhamento estratégico e político na gestão. Além das baixas já anunciadas, o Diário Oficial do Estado trouxe novas exonerações no alto escalão, incluindo a da secretária de Estado de Educação, Roberta Barreto. Essas alterações ampliam o impacto da reestruturação, que deve se intensificar nos próximos meses, enquanto o cenário pré-eleitoral se desenha com maior clareza e as alianças partidárias ganham forma, preparando o terreno para as disputas que se aproximam e reconfigurando a equipe que dará suporte ao governo até o final do mandato.
O êxodo no secretariado: cinco baixas para 2026
A corrida eleitoral de 2026 já começa a moldar o secretariado estadual. O governador Cláudio Castro confirmou a saída iminente de cinco de seus secretários, todos eles detentores de mandato como deputados estaduais. A movimentação é uma formalidade imposta pela legislação eleitoral, que exige que agentes públicos que desejam concorrer a cargos eletivos se afastem de suas funções administrativas até seis meses antes do pleito, ou seja, até o dia 4 de abril do ano eleitoral. Esse prazo é crucial para que os postulantes estejam aptos a registrar suas candidaturas.
A exigência legal e os nomes confirmados
Os secretários que já comunicaram sua decisão de deixar o governo são figuras conhecidas no cenário político fluminense. Na pasta de Turismo, Gustavo Tutuca (PP) se despede. Da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Rosangela Gomes (PR) fará sua saída. Bruno Dauaire (União), à frente da Secretaria de Habitação de Interesse Social, também se desincompatibiliza. Anderson Moraes (PL), secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, e Douglas Ruas (PL), titular da Secretaria de Cidades, completam a lista dos cinco que se preparam para o desafio das urnas. O governador Cláudio Castro, ao comentar as baixas, ressaltou o caráter obrigatório da medida: “Todos são deputados e terão que sair obrigatoriamente por força da lei eleitoral. A vontade era que permanecessem”, afirmou, evidenciando o impacto dessas perdas para a composição atual de sua equipe.
Reforma ampliada: educação e outras movimentações
Além das secretarias cujos titulares buscam candidaturas em 2026, a reforma administrativa em curso no Palácio Guanabara se aprofundou com a recente publicação no Diário Oficial. A Secretaria de Estado de Educação, uma das pastas mais estratégicas e com maior orçamento, também sofreu mudança de comando. Esta alteração, embora não diretamente ligada a uma desincompatibilização eleitoral do titular, reflete o dinamismo político e os rearranjos que precedem um ano eleitoral.
Mudança estratégica na pasta da educação
A exoneração da secretária de Estado de Educação, Roberta Barreto, gerou análises nos círculos políticos. A gestora era publicamente associada ao ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União). Nos bastidores, sua saída foi interpretada como um movimento estratégico dentro da reengenharia política provocada pela proximidade do calendário eleitoral. A Secretaria de Educação não apenas gerencia um orçamento vultoso, mas também detém considerável peso político, sendo uma vitrine para a gestão e fundamental para a captação de votos, especialmente em um período pré-eleitoral. A troca de comando nesta pasta sinaliza uma busca por alinhamentos e fortalece a base de apoio governamental em vista das próximas disputas.
Perspectivas de novas saídas e a sucessão de Castro
O governo de Cláudio Castro, que atualmente conta com cerca de 25 secretarias, já tem confirmadas ao menos seis mudanças no seu primeiro escalão com as exonerações anunciadas e publicadas. Contudo, fontes próximas ao Palácio Guanabara indicam que este número pode ser ainda maior. A expectativa é que outros auxiliares que estão avaliando disputar cargos eletivos também deixem a administração estadual nos próximos meses. As razões podem variar desde a exigência legal de desincompatibilização até acordos políticos com partidos da base aliada que visam fortalecer suas candidaturas ou realinhar forças. A data limite de 4 de abril continua sendo o marco para a concretização dessas possíveis novas baixas, definindo a equipe que acompanhará o governador até o final de seu mandato.
Cenário sucessório e a eleição indireta
Em meio a essa efervescência de mudanças, a própria situação do governador Cláudio Castro em relação a 2026 é um ponto de interrogação. Questionado sobre uma eventual candidatura ao Senado, o governador manteve a indefinição, afirmando que a decisão só virá após o Carnaval. No entanto, os burburinhos nos bastidores indicam que Castro trabalha com a possibilidade de se desincompatibilizar antes do prazo limite, o que abriria um cenário peculiar para a sucessão no estado.
A indefinição do governador e o caminho para o mandato-tampão
Caso Cláudio Castro decida deixar o governo antes do término de seu mandato para concorrer ao Senado, a dinâmica de poder no Rio de Janeiro será drasticamente alterada. A tendência, segundo fontes, é que o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, seja o nome indicado por Castro para disputar o mandato-tampão. Se o governador se afastar, o comando do estado seria assumido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, o desembargador Ricardo Couto de Castro. Ele teria então até 30 dias para convocar eleições indiretas, onde o novo governador seria escolhido pelos 70 deputados da Assembleia Legislativa. Essa complexa situação decorre da vacância na linha sucessória: o vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo ao ser indicado para o Tribunal de Contas do Estado, e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, segundo na linha, está em prisão domiciliar após ser alvo de uma operação da Polícia Federal, impedindo-o de assumir o Executivo.
Os perfis dos secretários que se desincompatibilizam
A saída dos cinco secretários não representa apenas a abertura de vagas, mas o afastamento de figuras com trajetórias políticas e perfis distintos, que contribuíram de diferentes maneiras para a gestão estadual.
Gustavo Tutuca (PP): Deputado estadual em seu quarto mandato, Tutuca herdou o reduto eleitoral de seu pai, o ex-prefeito de Piraí, Arthur Henrique Gonçalves Ferreira, e consolidou sua própria base de apoio. Assumiu a Secretaria de Turismo em 2023, sendo creditado pela retomada do setor após a pandemia. Seu perfil é de centro, com inclinação liberal, e ele é visto como um articulador político experiente.
Rosangela Gomes (PR): Nascida em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a advogada e auxiliar de enfermagem, como ela mesma gosta de se apresentar, possui um histórico notável, tendo sido eleita deputada federal por três mandatos consecutivos. De origem humilde, ela é a primeira mulher negra a integrar a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Na pasta de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Rosangela atuou vigorosamente em políticas de combate à discriminação e assistência social.
Bruno Dauaire (União): Deputado estadual em seu terceiro mandato, Dauaire é natural de Niterói e já ocupou a Secretaria de Desenvolvimento Social no governo de Wilson Witzel. Na atual gestão de Cláudio Castro, ele comandou a Secretaria de Habitação, com foco na redução do déficit habitacional, e possui um histórico de atuação relevante na área de Segurança Pública, demonstrando versatilidade em sua carreira política.
Anderson Moraes (PL): Em seu segundo mandato como deputado estadual, Anderson Moraes assumiu a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em 2024. Empresário, é um aliado próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro e tem como bandeiras políticas a defesa do empreendedorismo e a redução de impostos, alinhando-se a pautas conservadoras e liberais.
Douglas Ruas (PL): Filho de Capitão Nelson, atual prefeito de São Gonçalo, terceiro maior colégio eleitoral do Rio, Douglas Ruas teve uma ascensão meteórica na gestão de Castro. Chegou a ser cotado para exercer um eventual mandato-tampão até o final deste ano. Inspetor da Polícia Civil, já foi subsecretário de Trabalho e de Gestão Integrada e Projetos Especiais em São Gonçalo. Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2022 com mais de 175 mil votos, foi convidado pelo governador para assumir a Secretaria de Cidades no início de 2023, consolidando sua influência.
Conclusão
As recentes exonerações e as baixas esperadas no secretariado estadual representam um marco significativo na administração de Cláudio Castro, impulsionadas tanto por exigências legais eleitorais quanto por uma reconfiguração política estratégica. A movimentação não apenas redefine o quadro de auxiliares diretos do governador, mas também sinaliza o aquecimento do cenário para as eleições de 2026. A indefinição sobre a própria candidatura de Castro ao Senado adiciona uma camada de complexidade, projetando a possibilidade de uma eleição indireta, um evento raro e com profundas implicações para a governabilidade do estado. A saída de secretários-deputados e a mudança na Secretaria de Educação são os primeiros passos de um tabuleiro político que se rearranja, antecipando as disputas futuras e moldando a fase final da atual gestão com vistas aos próximos pleitos.
FAQ
Por que os secretários estão deixando seus cargos no governo estadual?
Os secretários estão deixando seus cargos principalmente para cumprir a legislação eleitoral, que exige a desincompatibilização de agentes públicos que pretendem disputar as eleições de 2026. Além disso, há movimentações políticas estratégicas, como a troca na Secretaria de Educação.
Qual é o prazo final para os secretários se desincompatibilizarem?
O prazo final para a desincompatibilização dos secretários que desejam concorrer nas eleições de 2026 é 4 de abril, seis meses antes do pleito, conforme a lei eleitoral.
O governador Cláudio Castro pode deixar o cargo para concorrer ao Senado em 2026?
Sim, o governador Cláudio Castro está avaliando essa possibilidade, embora ainda não tenha uma decisão definitiva. Caso ele opte por se desincompatibilizar, o comando do estado seria assumido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, e uma eleição indireta seria convocada na Assembleia Legislativa.
O que aconteceria se Cláudio Castro deixasse o governo antes do fim do mandato?
Se Cláudio Castro se desincompatibilizar antes do fim do mandato, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio assumiria interinamente. Em até 30 dias, uma eleição indireta seria convocada, onde os 70 deputados da Alerj escolheriam o novo governador para o mandato-tampão. Isso ocorreria devido à vacância dos cargos de vice-governador e presidente da Alerj na linha sucessória.
Para acompanhar em detalhes todas as atualizações e análises sobre o cenário político fluminense e as eleições de 2026, continue navegando em nosso portal.
Fonte: https://diariodorio.com



