A liquidação extrajudicial da Will Financeira, decretada pelo Banco Central do Brasil, gerou apreensão entre seus clientes. Essa medida, que retira a empresa do mercado, implica no congelamento de suas operações e na designação de um liquidante para gerir a situação. Contudo, é fundamental que os clientes compreendam que suas obrigações contratuais permanecem inalteradas. Dívidas com a instituição, como faturas de cartão de crédito, devem ser pagas rigorosamente em dia para evitar a inadimplência e suas consequências. Para aqueles com recursos aplicados ou em conta, a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) pode ser um alívio, mas a paciência será essencial enquanto o processo de liquidação se desenrola.
A liquidação extrajudicial: o que significa para a Will Financeira e seus clientes
A decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial da Will Financeira nesta quarta-feira (21) marca o fim das operações da instituição e o início de um processo complexo de apuração e resolução. Esse tipo de intervenção ocorre quando uma instituição financeira apresenta graves problemas de gestão ou solvência, como a incapacidade de honrar seus compromissos, que foi o caso da Will Financeira ao não efetuar pagamentos devidos à operadora de cartão de crédito Mastercard. Com a liquidação, a empresa é formalmente retirada do sistema financeiro, e um liquidante é nomeado pelo Banco Central para assumir o controle total de suas atividades.
O papel do liquidante e os próximos passos
A nomeação de um liquidante é um passo crucial no processo. Este profissional tem a responsabilidade de levantar meticulosamente todos os ativos da Will Financeira – ou seja, tudo o que a empresa possui, incluindo valores a receber – e todas as suas obrigações, ou seja, o que ela deve a credores, incluindo clientes. O objetivo principal é organizar a massa patrimonial da empresa para, posteriormente, definir como serão realizados os pagamentos aos credores, seguindo uma ordem de preferência estabelecida por lei. Durante essa fase de avaliação, as aplicações financeiras e os saldos em conta são congelados, aguardando a análise e o plano de ação do liquidante. O processo pode ser demorado, exigindo paciência e acompanhamento por parte dos clientes e demais credores.
Dívidas e pagamentos: a importância de manter as obrigações em dia
Apesar da liquidação da Will Financeira, é crucial que os clientes compreendam que suas dívidas com a instituição não são perdoadas. Obrigações como o pagamento de faturas de cartão de crédito, parcelas de empréstimos ou financiamentos permanecem ativas e devem ser honradas dentro dos prazos estabelecidos em contrato. O não pagamento dessas dívidas acarretará as mesmas consequências de qualquer inadimplência em outras instituições financeiras.
Consequências da inadimplência
A inadimplência de dívidas com a Will Financeira, mesmo após sua liquidação, resultará na inscrição do nome do devedor em cadastros de proteção ao crédito, como Serasa e SPC. Isso pode comprometer severamente a capacidade do indivíduo de obter novos créditos, empréstimos ou financiamentos no futuro, além de impactar a pontuação de crédito (score) do consumidor. Portanto, a orientação é clara: continue efetuando os pagamentos normalmente, acompanhando os comunicados oficiais da instituição e do liquidante para qualquer eventual mudança nos canais de pagamento.
Dinheiro em conta e investimentos: a segurança do FGC e os riscos
Para os clientes que possuem dinheiro depositado em conta ou investimentos na Will Financeira, a situação requer atenção e, em alguns casos, certa dose de paciência. O processo de liquidação determinará como esses valores serão acessados e restituídos.
A proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
Uma das maiores garantias para os clientes de instituições financeiras é o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). No caso da Will Financeira, produtos como depósitos à vista, poupança, certificados de depósito bancário (CDBs), letras de crédito imobiliário (LCIs) e letras de crédito do agronegócio (LCAs) são cobertos pelo FGC. Essa proteção se estende até o limite de R$ 250.000 por CPF ou CNPJ, por instituição financeira e por conjunto de depósitos e investimentos. Portanto, se um cliente possuía, por exemplo, R$ 200.000 em um CDB e R$ 50.000 em uma conta corrente na Will Financeira, o valor total de R$ 250.000 estaria integralmente garantido.
O principal “risco” para quem tem valores cobertos pelo FGC não é a perda do dinheiro, mas sim a demora no processo de reembolso. O FGC atua para restituir os valores aos depositantes e investidores após a liquidação da instituição, o que pode levar alguns meses, dependendo da complexidade do caso e do volume de pedidos. O FGC disponibiliza canais específicos para que os credores habilitados solicitem o reembolso.
Produtos não cobertos pelo FGC
É importante ressaltar que nem todos os produtos financeiros são protegidos pelo FGC. Investimentos como debêntures e letras financeiras, por exemplo, não contam com essa garantia. Para os detentores desses produtos, o risco é maior, pois a recuperação dos valores dependerá exclusivamente da capacidade da massa liquidanda de honrar essas obrigações após a venda dos ativos da Will Financeira e o pagamento dos credores prioritários. Nesses casos, o risco de perda total ou parcial do capital investido é intrínseco e recai sobre o investidor.
Conclusão
A liquidação extrajudicial da Will Financeira é um evento sério que demanda atenção dos seus clientes. É fundamental que as obrigações financeiras, como o pagamento de faturas de cartão de crédito, sejam mantidas em dia para evitar prejuízos à sua saúde financeira. Para aqueles com recursos em conta ou investimentos, a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) oferece segurança para grande parte dos casos, embora o tempo de espera para o reembolso possa ser uma realidade. Acompanhar os comunicados oficiais emitidos pelo Banco Central e pelo liquidante será crucial para entender os próximos passos e garantir seus direitos.
FAQ
Minhas dívidas com a Will Financeira foram perdoadas após a liquidação?
Não, suas dívidas com a Will Financeira não foram perdoadas. As obrigações contratuais permanecem válidas e devem ser pagas nos prazos estipulados para evitar inadimplência e negativação do seu nome.
Meu dinheiro está seguro se eu tinha poupança ou CDB na Will Financeira?
Seus depósitos em poupança, conta corrente, CDB, LCI, LCA e outros produtos elegíveis são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250.000 por CPF/CNPJ, por instituição. O principal risco é a demora no processo de reembolso.
Como faço para consultar meu saldo ou resgatar meus investimentos agora?
Após a decretação da liquidação, as operações da Will Financeira são congeladas. Você precisará aguardar os comunicados do liquidante nomeado pelo Banco Central, que informará os procedimentos para habilitação de créditos e eventual resgate dos valores cobertos pelo FGC.
Qual o papel do FGC neste processo?
O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) atua como um seguro para depositantes e investidores, garantindo a recuperação de parte ou totalidade dos valores aplicados em caso de intervenção, liquidação ou falência de instituições financeiras, dentro dos limites e produtos cobertos.
Mantenha-se informado e proteja seus direitos. Para mais detalhes sobre o processo de liquidação e como proceder, consulte os comunicados oficiais do Banco Central e as informações disponibilizadas pelo Fundo Garantidor de Créditos em seus canais.



