Uma paralisação de ônibus deflagrada por motoristas das empresas Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel impactou significativamente o transporte público no Rio de Janeiro na manhã desta quinta-feira (15). Em um ato coordenado, funcionários realizaram uma manifestação em frente às garagens das companhias, exigindo o imediato pagamento de benefícios e verbas atrasadas. A mobilização resultou na interrupção total de pelo menos cinco linhas essenciais e na circulação parcial de outras oito, causando transtornos a milhares de passageiros que dependem diariamente do serviço. As reivindicações incluem atrasos em férias, 13º salário, vale-alimentação, além da ausência de recolhimento de FGTS e INSS há mais de um ano, sinalizando uma crise persistente que afeta os trabalhadores e a fluidez do tráfego carioca.
Mobilização por direitos: a paralisação de quinta-feira
Reivindicações trabalhistas e linhas de ônibus impactadas
Motoristas e ex-funcionários da Real Auto Ônibus e da Transportes Vila Isabel uniram forças em um protesto na manhã de quinta-feira, 15 de fevereiro, em frente às garagens das respectivas empresas. O movimento, descrito pelo Sindicato dos Rodoviários como uma manifestação e não uma greve formal, visava pressionar as companhias para a quitação de uma série de débitos trabalhistas que, segundo os manifestantes, se acumulam há meses, e em alguns casos, há mais de um ano. A pauta das reivindicações incluía o pagamento de férias vencidas, a integralização do 13º salário, o fornecimento regular do vale-alimentação, e o mais grave, a ausência de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) desde abril do ano passado. Além disso, cerca de 60 ex-funcionários, dispensados nos últimos meses, relataram não ter recebido suas verbas rescisórias de acordo com a lei, agravando ainda mais a situação.
A interrupção dos serviços de transporte público foi imediata e impactante. Pelo menos cinco linhas de ônibus, consideradas cruciais para a ligação de diferentes bairros do Rio de Janeiro, foram completamente paralisadas. Entre elas, destacam-se a linha 222, que conecta Vila Isabel à Gamboa; a 432, ligando Vila Isabel à Gávea; a 538, que opera entre a Rocinha e o Leme; a SV112, com trajeto entre o Terminal Gentileza e a Gávea; e a 439, que estabelece a ligação entre Vila Isabel e o Leblon. A paralisação destas rotas essenciais deixou milhares de passageiros sem opção de transporte ou forçou-os a buscar alternativas em horários de pico. Adicionalmente, outras oito linhas gerenciadas pelas mesmas empresas operaram com frota reduzida, resultando em maior tempo de espera nos pontos e superlotação dos veículos disponíveis. Embora o sindicato tenha sinalizado que o serviço seria retomado ainda no mesmo dia, o impacto inicial na rotina dos cariocas foi inegável, evidenciando a fragilidade do sistema de transporte público diante de crises trabalhistas.
Crise sistêmica: o panorama financeiro das empresas de ônibus
Histórico de atrasos e desafios operacionais
A recente mobilização dos rodoviários não é um evento isolado, mas sim o mais recente capítulo de uma longa e complexa crise que assola as empresas Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel. Ao longo do ano passado, as duas companhias foram palco de diversas paralisações e greves motivadas pelos mesmos problemas: atrasos salariais e no pagamento de benefícios. A repetição desses episódios sublinha uma dificuldade financeira estrutural que afeta não apenas os trabalhadores, mas também a capacidade operacional e a qualidade do serviço oferecido à população do Rio de Janeiro. A falta de recolhimento de FGTS e INSS por mais de um ano levanta sérias preocupações sobre a gestão fiscal das empresas e o futuro previdenciário de seus empregados.
Os desafios operacionais das empresas vão além das questões trabalhistas. Relatos recentes apontam para problemas crônicos de abastecimento de diesel, um insumo fundamental para a circulação da frota. Na segunda-feira anterior à paralisação, 12 de fevereiro, apenas 57 ônibus das duas empresas estavam em operação nas ruas da cidade, uma fração mínima da capacidade total, supostamente devido à escassez de combustível. Este cenário de precariedade no abastecimento indica que as dificuldades financeiras das companhias podem estar comprometendo até mesmo as operações básicas, colocando em xeque a sustentabilidade do transporte público. A combinação de salários e benefícios atrasados com a falta de recursos para manter os veículos em funcionamento pinta um quadro de instabilidade que exige atenção urgente das autoridades e do setor. A intermitência dos serviços afeta diretamente a economia da cidade, prejudicando o deslocamento de trabalhadores, estudantes e impactando a produtividade geral.
O posicionamento das autoridades e as perspectivas futuras
Diálogo entre poder público, sindicato e empresas
Diante da grave situação e do impacto no transporte público, a Prefeitura do Rio de Janeiro se manifestou por meio de nota, assegurando que os repasses de subsídios aos consórcios de ônibus da cidade estão “em dia”. A administração municipal reiterou seu compromisso com a manutenção do sistema, afirmando que a situação é monitorada ativamente pelo Centro Integrado de Mobilidade Urbana (CIMU), órgão responsável por acompanhar e gerenciar a fluidez e a operação do transporte. Essa declaração sugere que, na visão do poder público, a raiz dos problemas financeiros das empresas não estaria na falta de apoio governamental, mas em questões internas de gestão das próprias companhias.
Por sua vez, a Rio Ônibus, sindicato patronal que representa as empresas de ônibus, informou que está em diálogo com o Sindicato dos Rodoviários para buscar uma solução para o impasse. No entanto, até o momento da publicação d A ausência de um posicionamento direto das empresas agrava a incerteza sobre como e quando os débitos serão quitados e como as crises operacionais e financeiras serão endereçadas. A continuidade das negociações é crucial para evitar novas paralisações e garantir a estabilidade do serviço de transporte, essencial para a mobilidade de milhões de cariocas. A pressão dos trabalhadores, o acompanhamento das autoridades e o diálogo entre as partes serão determinantes para o desfecho desta complexa situação e para a garantia dos direitos dos rodoviários.
Perguntas frequentes sobre a paralisação de ônibus no Rio
1. Por que os funcionários da Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel realizaram a paralisação?
Os funcionários protestaram para cobrar o pagamento de benefícios atrasados, incluindo férias, 13º salário e vale-alimentação. Além disso, denunciaram a falta de recolhimento de FGTS e INSS desde abril do ano passado e o não pagamento de verbas rescisórias para ex-funcionários.
2. Quais linhas de ônibus foram afetadas pela manifestação?
Pelo menos cinco linhas foram completamente paralisadas: 222 (Vila Isabel-Gamboa), 432 (Vila Isabel-Gávea), 538 (Rocinha-Leme), SV112 (Terminal Gentileza-Gávea) e 439 (Vila Isabel-Leblon). Outras oito linhas tiveram sua frota circulando parcialmente.
3. A Prefeitura do Rio de Janeiro está em dia com os repasses de subsídios às empresas de ônibus?
Sim, a Prefeitura do Rio informou em nota que os repasses de subsídios aos consórcios de ônibus estão “em dia” e que a situação é monitorada pelo Centro Integrado de Mobilidade Urbana (CIMU).
4. Houve outros problemas recentes nas empresas Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel?
Sim, as empresas enfrentaram diversas greves e paralisações por atrasos de pagamento ao longo do ano passado. Além disso, houve relatos de que, na semana anterior, apenas 57 ônibus das duas empresas circularam devido à falta de abastecimento de diesel.
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Fonte: https://temporealrj.com



