A complexidade do mercado financeiro exige mais do que a mera observação de indicadores ou padrões gráficos. Para Flávio Lemos, uma das vozes mais experientes da análise técnica no Brasil, o sucesso operacional reside na capacidade de interpretar o fluxo de capital, compreender os momentos ideais para agir e, crucialmente, calibrar o risco de cada operação. Esta metodologia operacional transcende o básico, transformando movimentos aleatórios em decisões estratégicas e profissionais. Lemos enfatiza que a tendência de mercado é impulsionada por dinheiro, metaforicamente comparando o mercado a um balão que sobe com ar quente e cai ao perdê-lo. É uma abordagem que busca capturar movimentos relevantes enquanto evita as armadilhas comuns do dia a dia de negociações.
A essência da metodologia operacional de Flávio Lemos
Flávio Lemos condensa sua abordagem ao trading em três pilares fundamentais: o que comprar, quando entrar na operação e como estruturar o trade de forma eficaz. Esta tríade serve como um guia para navegadores em um mar de dados e especulações.
As três perguntas fundamentais do trade
Para Lemos, o timing é, sem dúvida, o aspecto mais negligenciado por aqueles que iniciam no universo da análise técnica. Muitos confundem a solidez dos fundamentos de um ativo com o momento oportuno para executar uma transação. Ele salienta que cada decisão técnica é intrinsecamente ligada ao contexto atual do mercado, à volatilidade presente e aos objetivos específicos da operação. Não existe uma fórmula mágica, ou um “santo graal”, pois o mercado é um organismo em constante mutação, exigindo adaptabilidade contínua dos operadores. Reconhecer essa dinâmica é o primeiro passo para desenvolver uma leitura de mercado mais apurada e menos suscetível a surpresas.
Priorizando a tendência e o fluxo
A necessidade de acertar o momento certo das operações conduz a um segundo ponto vital na leitura técnica: a identificação da tendência dominante do mercado. Lemos reforça que determinar se o mercado está em tendência de alta, baixa ou lateralidade é uma prioridade absoluta antes de qualquer outro movimento ou análise de indicadores. O volume de negociação, a atuação dos grandes players e a dinâmica do fluxo de ordens são elementos determinantes para confirmar a direção prevalecente. Ele explica que a observação da evolução dos players ao longo do tempo revela se há um interesse genuíno e crescente em um determinado ativo, funcionando como um termômetro da força por trás de um movimento.
Entendendo o fluxo e os horários decisivos
Um dos pontos mais críticos da metodologia de Lemos envolve a compreensão de como o fluxo institucional molda o comportamento do mercado ao longo do dia, e a identificação dos momentos de maior risco e oportunidade.
Armadilhas da abertura e o fluxo institucional
Lemos adverte que o horário de abertura do pregão é um dos piores momentos para se posicionar, especialmente para traders iniciantes. Nesse período, o fluxo de ordens ainda está desalinhado e altamente suscetível a movimentos bruscos e manipulativos, provocados por grandes players. Ele descreve esses movimentos iniciais como “puxadas” que podem enganar, levando o trader a tomar posições precipitadas que frequentemente resultam em perdas. A recomendação é aguardar. Idealmente, o trader deve esperar que o mercado americano absorva as notícias, que os grandes bancos ajustem suas ordens e que o fluxo real de negociações se estabeleça. Segundo Lemos, o primeiro bom trade do dia geralmente surge cerca de trinta minutos após a abertura da bolsa de Nova York, quando o cenário se torna mais claro e as ordens institucionais revelam uma direção mais consistente.
Os riscos do final do pregão
Além da abertura, Lemos também destaca o final do pregão como um período de alto risco, sendo o menos favorável para operações estratégicas. As características desse momento incluem alta volatilidade, liquidez em queda e um volume significativo de posições sendo zeradas, muitas vezes por necessidade de encerramento do dia e não por estratégia de mercado. Ele compara o final do pregão a uma “roleta russa”, onde traders, tanto comprados quanto vendidos, são forçados a liquidar suas posições, criando movimentos erráticos e imprevisíveis que podem facilmente consumir lucros ou ampliar perdas. A cautela é, portanto, primordial nessas fases.
Indicadores estratégicos e o papel do volume
Embora domine uma vasta gama de técnicas e indicadores, Flávio Lemos enfatiza que a escolha das ferramentas precisa ser consciente e respeitar o ambiente de mercado predominante. A adaptação é a chave para a eficácia.
Adequando indicadores ao ambiente de mercado
Lemos explica que não existe um indicador universalmente eficaz; a funcionalidade de cada um depende do contexto. Em dias de forte tendência, indicadores como médias móveis, ADX e cruzamentos podem oferecer sinais claros e confiáveis. Por outro lado, em mercados laterais, onde o preço se move em uma faixa definida, osciladores como o estocástico e o TRIX ganham relevância, ajudando a identificar pontos de sobrecompra e sobrevenda. Ele critica a aplicação indiscriminada de indicadores, advertindo que usar uma média móvel quando não há tendência, por exemplo, é uma prática que apenas “deixa a corretora mais rica”, sem gerar valor real para o trader. A compreensão profunda do ambiente de mercado é, portanto, um pré-requisito antes de aplicar qualquer ferramenta de análise.
O volume como filtro essencial
Por fim, Lemos ressalta o papel indispensável do volume de negociação como um elemento crucial na leitura da força e da validade de um movimento de preço. O volume atua como um confirmador, indicando se há real interesse por trás de uma alta ou queda. Em mercados laterais, onde os preços oscilam sem uma direção clara, o volume se torna ainda mais importante, ajudando a filtrar falsos rompimentos e a antecipar possíveis reversões. Ele expressa sua satisfação com a transparência do volume no mercado brasileiro, considerando-o uma ferramenta valiosa que contribui significativamente para uma análise mais precisa.
Risco, capital e disciplina: pilares inabaláveis
Flávio Lemos é taxativo: a gestão de risco e a disciplina emocional superam qualquer estratégia ou sinal de entrada em importância para a longevidade e o sucesso no trading.
A gestão de risco acima do sinal de entrada
Independentemente da técnica ou do setup utilizado, Lemos argumenta que o dimensionamento da posição é o fator mais crítico. Ele recomenda que o trader trabalhe com um risco entre 1% e 2% do capital total por operação. Essa abordagem conservadora permite suportar sequências negativas de trades sem comprometer significativamente o capital nem abandonar o plano operacional. Lemos adverte que o medo de perder pode paralisar o trader, impedindo-o de aproveitar oportunidades, mas enfatiza que isso não deve ser confundido com a imprudência de apostar todo o capital em uma única operação. O equilíbrio entre a ousadia e a cautela é fundamental para a sobrevivência no mercado.
A importância do estômago na resiliência do trader
Lemos vai além da técnica, afirmando que o “estômago” – e não a cabeça – é o órgão mais importante para um trader. Essa metáfora se refere à capacidade de manter a calma e a disciplina diante das inevitáveis oscilações e adversidades do mercado. A resiliência emocional, a paciência para aguardar o momento certo e a firmeza para não romper o plano operacional diante da pressão são qualidades que separam os traders profissionais dos que desistem. É a capacidade de aguentar o “calor” do mercado sem se desviar da estratégia que define quem permanece e quem prospera a longo prazo.
Conclusão
A metodologia de Flávio Lemos para o mercado financeiro transcende a superficialidade dos indicadores, propondo uma abordagem holística enraizada na compreensão do timing, na interpretação do fluxo institucional e na gestão rigorosa do risco. Sua visão ressalta que o sucesso no trade é uma combinação de técnica adaptativa, paciência estratégica e, sobretudo, disciplina emocional inabalável. Ao desvendar as armadilhas da abertura e do fechamento, priorizar a leitura da tendência e do volume, e enfatizar a importância do capital e do “estômago” do trader, Lemos oferece um guia valioso para transformar operações em decisões profissionais. Seu ensinamento final é claro: o mercado exige constante aprendizado e adaptabilidade para aqueles que buscam longevidade e rentabilidade.
FAQ
1. Qual o principal erro de traders iniciantes segundo Flávio Lemos?
O principal erro de traders iniciantes, segundo Flávio Lemos, é negligenciar o timing das operações, confundindo fundamentos sólidos com o momento adequado de execução, e operar na abertura do pregão, um período de grande manipulação e fluxo desalinhado.
2. Por que o horário de abertura do mercado é considerado perigoso para operações?
O horário de abertura é perigoso porque o fluxo de ordens ainda está desalinhado e sujeito a movimentos provocados por grandes players institucionais, que podem gerar falsos sinais e armadilhas, especialmente para traders menos experientes.
3. Como Flávio Lemos recomenda a gestão de risco por operação?
Flávio Lemos é categórico ao afirmar que o tamanho da posição é mais importante que o sinal de entrada. Ele recomenda trabalhar com um risco entre 1% e 2% do capital total por operação, permitindo ao trader suportar sequências negativas sem abandonar o plano ou comprometer seu capital.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br



