Ações decisivas da Prefeitura do Rio de Janeiro culminaram nesta terça-feira, 6 de fevereiro, no início da demolição de um prédio irregular e inacabado de oito andares no bairro do Pechincha, na Zona Sudoeste da cidade. Localizado na Avenida Geremário Dantas, 1069, próximo à Freguesia, o edifício representava um grave risco de desabamento, conforme atestado por um laudo recente da Defesa Civil. A demolição de prédio é a resposta do poder público a uma estrutura que, além de comprometer a segurança da população e das edificações vizinhas, desrespeitava flagrantemente as normas urbanísticas da região, estabelecidas para garantir o desenvolvimento ordenado e sustentável do Pechincha. Este marco na gestão urbana da cidade encerra um longo e complexo impasse judicial e administrativo, reabrindo discussões sobre a fiscalização de obras, a responsabilidade civil e a importância da aderência às leis urbanísticas.
O longo histórico de uma construção irregular e abandonada
A estrutura em questão, um imponente esqueleto de oito pavimentos, permaneceu por anos como uma cicatriz na paisagem do Pechincha. Originalmente, o projeto previa a construção de 24 salas comerciais, um empreendimento que, se concluído, excederia em muito os parâmetros urbanísticos da área. As obras foram paralisadas em algum momento no passado, transformando o local em um foco de preocupação e um ponto de risco para a comunidade. A paralisação resultou no abandono total do edifício, que, segundo relatos de moradores e apuração da própria Prefeitura do Rio, desde 2023 estava desocupado, servindo apenas como abrigo precário para pessoas em situação de rua. Este cenário de abandono não apenas gerava problemas de segurança pública e salubridade, mas também intensificava o risco estrutural do imóvel.
Do projeto à paralisação: um edifício fora dos padrões
O principal problema do prédio, além de seu estado de abandono e risco, residia em sua irregularidade construtiva. A legislação urbanística vigente para a região do Pechincha estabelece um limite máximo de três andares para edificações. Embora exista a possibilidade de atingir até cinco pavimentos, isso só é permitido mediante o pagamento de uma mais-valia, um instrumento urbanístico que compensa o município pelo benefício da construção acima do padrão básico estabelecido. O prédio em questão, com seus oito andares, desrespeitava essa norma de forma significativa, sem qualquer permissão ou pagamento de compensação, configurando uma obra ilegal desde sua concepção. Essa discrepância demonstra uma clara violação do Plano Diretor e das leis de uso e ocupação do solo, que visam controlar o adensamento populacional e garantir a infraestrutura necessária para a qualidade de vida dos cidadãos. A não conformidade com tais regras pode sobrecarregar serviços públicos, impactar a mobilidade urbana e alterar drasticamente a característica arquitetônica e social de um bairro.
Risco iminente e a batalha judicial pela demolição
A situação do prédio no Pechincha alcançou um ponto crítico quando um novo laudo técnico da Defesa Civil reconheceu formalmente a existência de um risco iminente de desabamento. Esta avaliação técnica foi crucial para acelerar as ações do poder público, uma vez que a ameaça à vida dos transeuntes, dos moradores vizinhos e das pessoas que ocupavam o imóvel informalmente se tornou inegável. A decisão de demolir, contudo, não foi imediata. Ela foi precedida por um longo e tortuoso processo legal.
Laudos da Defesa Civil e a urgência da intervenção
Um laudo da Defesa Civil não é apenas um relatório; é um documento técnico que detalha a condição estrutural de uma edificação, identificando falhas, patologias e o grau de risco que ela representa. No caso do prédio na Avenida Geremário Dantas, a avaliação apontou para uma instabilidade que poderia culminar em colapso a qualquer momento, especialmente sob condições climáticas adversas ou vibrações externas. Esse tipo de risco exige uma intervenção imediata, pois a falha estrutural de um edifício de oito andares pode ter consequências catastróficas, atingindo edificações vizinhas, vias públicas e, o mais grave, ceifando vidas. Diante dessa constatação técnica, a urgência da demolição tornou-se uma prioridade inadiável para as autoridades municipais. A Prefeitura do Rio, através de suas secretarias, mobilizou seus esforços para obter a autorização legal necessária para a intervenção.
A derrubada da estrutura já estava agendada para ocorrer em 2023, mas foi impedida por uma decisão liminar, solicitada pelo proprietário do prédio. Uma liminar é uma medida provisória concedida pela justiça que visa proteger um direito alegado até que o mérito da causa seja julgado. Neste caso, o proprietário buscava evitar a demolição, prolongando o impasse. No entanto, a persistência da Prefeitura e a gravidade do novo laudo da Defesa Civil foram determinantes para que a liminar fosse finalmente derrubada. Com a queda da barreira legal, agentes da Secretaria de Ordem Pública (Seop) e da Subprefeitura de Jacarepaguá foram prontamente mobilizados para iniciar os trabalhos de demolição, marcando um avanço significativo na resolução do problema. Essa vitória judicial da prefeitura demonstra o compromisso em zelar pela segurança e pelo cumprimento da lei, mesmo diante de contestações.
O processo de demolição e o futuro da área
Com a luz verde da justiça e a constatação do risco iminente, o processo de demolição foi iniciado. A derrubada de um edifício de oito andares em uma área urbana densamente povoada é uma operação complexa que exige planejamento meticuloso e rigorosos protocolos de segurança para proteger tanto os trabalhadores envolvidos quanto a população e as propriedades vizinhas. A Secretaria de Ordem Pública (Seop) e a Subprefeitura de Jacarepaguá assumiram a coordenação no local, garantindo que todas as etapas fossem executadas de maneira controlada.
Segurança e desafios operacionais na derrubada
A demolição de uma estrutura de oito pavimentos no coração de um bairro como o Pechincha apresenta desafios significativos. É necessário isolar a área, controlar o tráfego de pedestres e veículos, e mitigar o impacto de poeira e ruído. Equipes especializadas com maquinário pesado, como escavadeiras de longo alcance e guindastes, são empregadas para desmantelar a estrutura de cima para baixo, pavimento por pavimento, garantindo que o colapso seja controlado e direcionado. A segurança dos engenheiros, operários e técnicos é primordial, com o uso de equipamentos de proteção individual e a observância de todas as normas de segurança do trabalho.
A demolição, segundo a Seop, deve se estender ao longo dos próximos dias, dada a complexidade e o porte da edificação. Após a completa remoção da estrutura, o destino do terreno será definido. O local, atualmente uma área de preocupação, poderá ser reintegrado ao tecido urbano de forma mais adequada, respeitando as normas urbanísticas e contribuindo positivamente para o desenvolvimento do bairro. A Prefeitura terá a oportunidade de planejar um futuro para o terreno que esteja em conformidade com o Plano Diretor, seja para uma nova construção que respeite os limites de altura, seja para a criação de um espaço público ou outra utilização que beneficie a comunidade do Pechincha.
Impacto e lições de um caso emblemático
A demolição do prédio irregular e de risco no Pechincha não é apenas a remoção física de uma estrutura; é um símbolo da firmeza do poder público na fiscalização das leis urbanísticas e na garantia da segurança de seus cidadãos. Este caso emblemático serve como um alerta para construtores e proprietários sobre as consequências de desrespeitar as normas de edificação e de não cumprir com as responsabilidades sociais e legais. A ação reforça a mensagem de que a ordem urbana e a segurança da população são prioridades inegociáveis. Ao mesmo tempo, destaca a importância da atuação conjunta entre diferentes órgãos municipais — Defesa Civil, Seop e Subprefeitura — e a essencialidade do respaldo judicial para a concretização de medidas protetivas. O desfecho dessa longa saga no Pechincha é uma vitória para a comunidade, que vê um risco iminente ser eliminado e a ordem ser restaurada, abrindo caminho para um futuro mais seguro e planejado para o bairro.
Perguntas frequentes sobre a demolição no Pechincha
Por que a demolição foi iniciada somente agora?
A demolição estava agendada para 2023, mas foi interrompida por uma decisão liminar solicitada pelo proprietário do prédio. Somente após a derrubada dessa liminar, com base em um novo laudo da Defesa Civil que atestava o risco de desabamento, a Prefeitura pôde prosseguir com a intervenção.
Qual era a irregularidade principal do prédio?
O principal problema era a altura da edificação. O prédio tinha oito andares, enquanto a legislação urbanística da região do Pechincha permite no máximo três andares, ou até cinco mediante pagamento de mais-valia. A construção excedia largamente esse limite sem qualquer autorização.
Quais riscos o edifício representava para a comunidade?
O prédio representava um risco iminente de desabamento, confirmado por um laudo da Defesa Civil. Isso ameaçava a segurança de moradores vizinhos, pedestres na Avenida Geremário Dantas e pessoas em situação de rua que ocupavam o imóvel.
Quem está à frente da operação de demolição?
A operação de demolição está sendo coordenada pela Secretaria de Ordem Pública (Seop) e pela Subprefeitura de Jacarepaguá, com base nas análises e recomendações da Defesa Civil e o respaldo da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Mantenha-se informado sobre as regulamentações urbanísticas de sua região e contribua para a segurança coletiva reportando construções suspeitas às autoridades competentes.
Fonte: https://temporealrj.com



