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Acordo Mercosul-União Europeia pode ser assinado em cúpula
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Acordo Mercosul-União Europeia pode ser assinado em cúpula

Última Atualizacão 15/12/2025 17:03
PainelRJ
Publicado 15/12/2025
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© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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A expectativa em torno da assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) atinge seu ponto alto, com o governo brasileiro trabalhando para que o documento seja formalizado durante a 67ª Cúpula do Mercosul e Estados Associados. Este encontro, agendado para o próximo sábado, dia 20, em Foz do Iguaçu (PR), representa um marco potencial em negociações que se arrastam por mais de duas décadas. No entanto, a euforia é temperada por significativas preocupações em relação às salvaguardas que o bloco europeu pretende impor. A complexidade do cenário e a magnitude econômica deste acordo, que abrange um mercado de 720 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22 trilhões, destacam a importância dos debates que se desenrolarão nos próximos dias.

O Acordo Histórico e as Preocupações de Salvaguarda

Expectativa de assinatura e os desafios latentes

O governo brasileiro expressou uma forte expectativa de que o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia seja finalmente assinado no sábado, dia 20 de julho. Esta data coincide com a realização da 67ª Cúpula do Mercosul e Estados Associados, que reunirá chefes de Estado em Foz do Iguaçu, no Paraná. A presença confirmada da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sublinha a relevância do evento e a seriedade das intenções de concretizar o pacto. No entanto, a Secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Gisela Padovan, destacou que, embora a intenção seja assinar, as salvaguardas propostas pela UE são um ponto de “preocupação” para o Brasil. Esta ressalva indica que, mesmo na véspera de uma potencial assinatura, há detalhes críticos que ainda geram fricção entre os blocos. O acordo, negociado por cerca de 26 anos, representa um esforço diplomático e comercial de longa data, buscando consolidar uma parceria econômica estratégica entre duas das maiores regiões comerciais do mundo.

As controversas salvaguardas europeias

As salvaguardas citadas pela diplomacia brasileira referem-se a mecanismos criados pelo parlamento europeu com o objetivo de proteger o mercado da UE, particularmente o setor agropecuário, da concorrência dos produtos do Mercosul. Muitos produtos sul-americanos, como a carne bovina, são vistos como tendo condições de concorrência mais favoráveis, o que gera apreensão entre os produtores europeus. A França, maior produtor de carne bovina da União Europeia, tem sido o país mais vocal e intransigente nas negociações, chegando a classificar o acordo como “inaceitável” em diversas ocasiões. Os argumentos franceses e de outros países europeus frequentemente invocam a necessidade de o Mercosul atender a exigências ambientais mais rigorosas na produção agrícola e industrial. Agricultores europeus têm promovido protestos alegando que o acordo permitiria a importação de commodities baratas da América do Sul, especialmente carne bovina, que não estariam em conformidade com os padrões de segurança alimentar e ecológicos do bloco europeu. Do lado brasileiro, a preocupação é recíproca. Existe o temor de que as práticas sustentáveis defendidas pela UE possam, na verdade, ser utilizadas como pretextos para aplicar medidas protecionistas, limitando o acesso de produtos de países de fora do bloco ao seu vasto mercado. Essa tensão entre a abertura comercial e a proteção de mercados locais configura um dos maiores entraves para a plena ratificação e implementação do acordo.

A Pauta Ampla da 67ª Cúpula do Mercosul

Expansão do bloco e novas aproximações

Além das discussões sobre o acordo com a União Europeia, a 67ª Cúpula do Mercosul terá uma pauta interna e externa abrangente. No dia 19, véspera do encontro de chefes de Estado, ministros das áreas econômicas dos países membros e associados se reunirão para uma série de discussões preliminares. Entre os temas centrais, destaca-se a entrada de novos membros no bloco. O Brasil tem trabalhado ativamente para incluir a Bolívia como Estado Parte do Mercosul, um objetivo que tem sido alvo de diversas reuniões e análises para garantir que o país cumpra os pré-requisitos necessários para sua adesão plena. Gisela Padovan ressaltou a agilidade desejada para a entrada da Bolívia, indicando a importância estratégica dessa expansão para o bloco. Adicionalmente, o Mercosul busca estreitar laços com países da América Central e do Caribe, com conversas promissoras em andamento com a República Dominicana, visando uma maior integração regional e ampliação do alcance comercial do bloco sul-americano.

Harmonização tarifária e desafios compartilhados

Outro ponto crucial na agenda do Mercosul, historicamente defendido pelo Brasil, é a integração dos setores automotivo e açucareiro na Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco. Atualmente, esses setores operam sob exceções ou acordos bilaterais específicos, como o existente entre Brasil e Argentina. A meta é avançar para uma política comum gradual, que elimine distorções e promova uma maior harmonização e competitividade dentro do Mercosul como um todo. Além das questões econômicas e de expansão, a cúpula também abordará temas de interesse comum e de grande relevância global, como os desafios impostos pelas mudanças climáticas. A busca por soluções conjuntas para a mitigação de seus efeitos e a adaptação a novas realidades ambientais será um dos focos das discussões. Uma inovação nesta edição será a realização de uma cúpula social, que oferecerá um espaço para que entidades da sociedade civil possam apresentar suas demandas e questões diretamente aos chefes de Estado, garantindo uma participação mais ampla e representativa da sociedade nas deliberações do bloco.

Próximos Passos e a Complexidade da Ratificação

A conclusão das negociações sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia ocorreu em dezembro passado, após aproximadamente 25 anos de tratativas. Este entendimento resultará na formalização de dois textos distintos: um de natureza econômico-comercial, que terá vigência provisória, e um acordo completo, que deverá substituí-lo posteriormente. Em setembro, ambos os documentos foram formalmente submetidos pela Comissão Europeia ao Parlamento Europeu e aos estados-membros do bloco.

O processo de ratificação na União Europeia é intrincado e pode demandar vários anos. Para que o acordo seja aprovado no Parlamento Europeu, é necessário o voto favorável de 50% mais um dos deputados. Esta etapa já apresenta potenciais focos de resistência, especialmente por parte de países como a França, que manifestam questionamentos significativos sobre os termos do acordo. Após a aprovação parlamentar, o texto completo precisa ser ratificado por pelo menos 15 dos 27 países membros, desde que estes representem, em conjunto, no mínimo 65% da população total da União Europeia. Essa dupla exigência legal e demográfica torna o caminho para a entrada em vigor do acordo completo longo e sujeito a diversas influências políticas e econômicas.

Por parte dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), o processo também envolve a submissão do documento final aos seus respectivos parlamentos para aprovação. No entanto, a entrada em vigor do acordo é individual para cada nação do bloco. Isso significa que não é necessário aguardar a aprovação simultânea de todos os parlamentos dos quatro estados-membros para que o acordo comece a produzir efeitos em cada país, o que pode agilizar a implementação regional, apesar da complexidade na UE.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quando o acordo Mercosul-UE pode ser assinado?
O governo brasileiro trabalha com a expectativa de que o acordo de livre comércio seja assinado no próximo sábado, dia 20 de julho, durante a 67ª Cúpula do Mercosul e Estados Associados.

Quais são as principais preocupações do Brasil em relação às salvaguardas europeias?
A principal preocupação do Brasil reside nas salvaguardas propostas pela União Europeia, que visam proteger o mercado europeu de produtos agropecuários do Mercosul. O Brasil teme que estas medidas possam ser usadas como barreiras protecionistas disfarçadas, especialmente sob o pretexto de exigências ambientais.

Qual a importância da entrada da Bolívia para o Mercosul?
A entrada da Bolívia como Estado Parte do Mercosul é vista como um movimento estratégico para a expansão e integração regional do bloco. O Brasil tem feito esforços para acelerar esse processo, condicionado ao cumprimento de pré-requisitos pelo país andino.

Por que a França se opõe ao acordo Mercosul-UE?
A França é um dos países mais críticos ao acordo, principalmente devido à preocupação com a concorrência de produtos agropecuários sul-americanos, como a carne bovina. Alega-se que estes produtos não cumprem os mesmos padrões ambientais e de segurança alimentar europeus, levando a temores de importações “inaceitáveis” e protestos de agricultores.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste acordo histórico e seu impacto na economia global. Acompanhe as notícias para entender as próximas etapas e desafios que moldarão as relações comerciais entre os blocos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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