Vinte e quatro horas após a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), o silêncio das principais autoridades do estado chama a atenção. Nem o governador Cláudio Castro (PL), aliado de longa data do parlamentar, nem o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), se manifestaram diretamente sobre a detenção.
Na manhã desta quinta-feira, Castro era esperado para participar de um evento na Sala Cecília Meireles, na Lapa, o pré-Cosud, encontro que antecede as reuniões do Consórcio de Integração do Sul e Sudeste. O evento contaria com a presença do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. No entanto, Castro não compareceu ao evento.
Sua única manifestação pública após a prisão de Bacellar foi um vídeo nas redes sociais sobre o combate ao incêndio na Ceasa, sem mencionar a prisão do presidente afastado da Assembleia Legislativa.
Eduardo Paes, também evitou o assunto e não compareceu à coletiva de imprensa no Copacabana Palace, na Zona Sul, onde falaria sobre a organização do réveillon deste ano. Nas redes sociais, Paes preferiu comentar o título brasileiro do Flamengo: “Um saco esse negócio de ser institucional como prefeito do Rio. Mas vamos lá: Parabéns Flamengo pelo título do brasileiro! Em tempo: vamos ao que interessa”, escreveu no X, sem mencionar a prisão de Bacellar.
A prisão de Rodrigo Bacellar foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Unha e Carne. O deputado foi detido na manhã de quarta-feira na sede da Polícia Federal, no Rio, e a decisão também determinou seu afastamento da presidência da Assembleia.
Segundo Moraes, existem “fortes indícios” de participação de Bacellar em organização criminosa. A Polícia Federal suspeita que o parlamentar vazou informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, que prendeu o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias, acusado de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e atuação como uma das lideranças do Comando Vermelho.
A suspeita surgiu após a análise de materiais apreendidos na Operação Zargun. Trocas de mensagens entre Bacellar e TH Jóias indicam o possível vazamento. De acordo com a decisão judicial, Bacellar “teve conhecimento prévio da operação policial, comunicou-se com Thiego – principal alvo da ação – e ainda o orientou quanto à retirada de objetos de interesse investigativo”.
Na quarta-feira, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em quatro endereços ligados ao deputado, além do gabinete na Alerj. TH Jóias também foi levado para depor na sede da PF, onde permaneceu por cerca de 1h20, mas optou por permanecer em silêncio.
Bacellar está detido na Superintendência da Polícia Federal no Rio.
A Alerj informou, em nota, que ainda não havia sido oficialmente comunicada sobre a operação.
Fonte: diariodorio.com



