Em países de baixa e média renda, um número alarmante de 417 milhões de crianças enfrenta privações severas em pelo menos duas áreas consideradas cruciais para seu desenvolvimento, saúde e bem-estar. Este dado preocupante, representando uma em cada cinco crianças nos 130 países avaliados, foi revelado em um relatório recente.
O estudo, com o objetivo de avaliar a extensão da pobreza multidimensional, analisou privações em seis categorias fundamentais: educação, saúde, moradia, nutrição, saneamento e acesso à água. A análise revela que 118 milhões de crianças em todo o mundo sofrem com três ou mais privações simultâneas, enquanto 17 milhões enfrentam quatro ou mais.
As maiores concentrações de pobreza multidimensional infantil foram identificadas na África Subsaariana e no Sul da Ásia. No Chade, por exemplo, cerca de 64% das crianças vivem com duas ou mais privações severas.
A falta de saneamento básico é uma das privações mais impactantes, afetando 65% das crianças que não têm acesso a banheiros em países de baixa renda, 26% em países de renda média-baixa e 11% em países de renda média-alta. Essa carência aumenta significativamente a exposição das crianças a doenças graves.
Embora o relatório aponte desafios persistentes, também destaca progressos significativos. Entre 2013 e 2023, a proporção de crianças enfrentando uma ou mais privações severas em países de baixa e média renda diminuiu de 51% para 41%. Esse avanço é atribuído, em grande parte, à priorização dos direitos da criança nas políticas públicas nacionais e no planejamento econômico.
Exemplos de sucesso incluem a Tanzânia, que reduziu a pobreza infantil multidimensional em 46 pontos percentuais entre 2000 e 2023, impulsionada por programas de transferência de renda e empoderamento familiar. Bangladesh também registrou uma queda de 32 pontos percentuais na pobreza infantil no mesmo período, como resultado de iniciativas governamentais que expandiram o acesso à educação e à eletricidade, melhoraram a qualidade das moradias e investiram em serviços de água e saneamento.
O relatório também analisa a pobreza monetária, revelando que mais de 19% das crianças em todo o mundo vivem em pobreza monetária extrema, sobrevivendo com menos de US$ 3 por dia. Quase 90% dessas crianças residem na África Subsaariana e no Sul da Ásia. Em 37 países de alta renda, cerca de 50 milhões de crianças (23% da população infantil) vivem em pobreza monetária relativa.
Embora a pobreza tenha diminuído em 2,5% nos países de alta renda entre 2013 e 2023, o progresso estagnou ou retrocedeu em muitos casos. Em países como França, Suíça e Reino Unido, a pobreza infantil aumentou mais de 20%. Por outro lado, a Eslovênia reduziu sua taxa de pobreza em mais de um quarto, graças a um sistema robusto de benefícios familiares e legislação sobre salário mínimo.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



