A celebração do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, marco da morte de Zumbi dos Palmares, reflete avanços significativos na igualdade racial no Brasil nos últimos 60 anos. Essa é a avaliação de João Jorge Santos Rodrigues, presidente da Fundação Palmares.
Rodrigues destaca que os esforços do movimento negro e de figuras como Abdias Nascimento e Lélia Gonzalez impulsionaram a construção de uma sociedade mais democrática. Ele reconhece conquistas como as cotas raciais, a criação do Ministério da Igualdade Racial e a proteção de territórios quilombolas demarcados.
Contudo, Rodrigues alerta que o cenário ainda não é o ideal. Ele compara o racismo brasileiro a um “racismo sistêmico, um crime continuado, sofisticado e permanente,” que busca impedir que a população negra usufrua de ações afirmativas, citando as chacinas no Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo.
O presidente enfatiza o papel da Fundação Cultural Palmares na proteção e valorização da Serra da Barriga, local do Quilombo dos Palmares, em Alagoas, onde se encontra o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, dedicado à memória, resistência e cultura afro-brasileira.
Rodrigues ressalta que, após um período sem atividades comemorativas na Serra da Barriga, o feriado nacional do Dia da Consciência Negra, instituído pelo governo federal, permite pautar a justiça e a igualdade de oportunidades para a população negra, que representa a terceira maior população negra do mundo, com 113 milhões de pessoas.
Ele defende uma série de reparações históricas para o povo negro, em andamento, embora não na velocidade desejada. Ele menciona melhorias na preservação e acesso ao quilombo histórico da Serra da Barriga, tanto para visitantes brasileiros quanto estrangeiros.
Rodrigues destaca a importância de edificar a memória do povo brasileiro, incluindo mulheres, indígenas, população negra e participantes de revoltas como Canudos e Malês, que foram historicamente ocultados.
Larissa Santiago, secretária-executiva do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), também avalia que houve avanços na igualdade racial no Brasil, com maior clareza e capilaridade na discussão sobre o tema. Ela atribui isso ao avanço nas políticas de educação, com a consolidação das leis de cotas nas universidades e no serviço público, que aumentaram a presença de pessoas negras nesses espaços.
Santiago reconhece que o Brasil ainda enfrenta desafios, como garantir acesso à saúde plena e segurança pública para toda a população, especialmente em um país de dimensão continental com uma população negra espalhada. Ela enfatiza que a política de igualdade racial deve ser transversal, com desafios em diversas áreas das políticas públicas, especialmente saúde e segurança.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



