A proximidade da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) intensifica o foco sobre o Brasil, não apenas como sede do evento, mas como um potencial líder climático global.
Investidor com vasta experiência em energias renováveis e soluções climáticas, Tony Lent, da Capital For Climate, propõe que o Brasil tem potencial para se tornar um centro de referência em “soluções baseadas na natureza”, semelhante ao papel da China nas tecnologias de transição energética. Essa visão implica que o país poderia servir de modelo para outros e atrair investimentos internacionais significativos.
As soluções baseadas na natureza englobam a utilização de ecossistemas naturais para sequestrar carbono, preservar a biodiversidade e impulsionar o desenvolvimento sustentável, sendo um componente crucial na transição ecológica mundial. “O mundo inteiro viria ao Brasil para aprender como implementar essa solução em seus países”, afirma Lent.
Apesar dos desafios políticos, como o impacto de políticas menos favoráveis, Lent observa que a transição energética continua a ganhar força. Ele destaca o crescimento contínuo de setores como o de energia solar e a liderança da China em tecnologias como veículos elétricos e armazenamento de energia.
Marina Cançado, da Converge Capital, corrobora essa visão, enfatizando que os investimentos em soluções para a crise climática seguem em expansão, impulsionados pelo setor privado. Cerca de dois terços do capital destinado a essa transição provêm de investidores privados, sinalizando uma mudança na dinâmica dos financiamentos climáticos.
Segundo Cançado, a “década da implementação” na agenda climática global está começando. O setor privado pode contribuir com pragmatismo e capacidade de escala. Há também uma mudança na narrativa global, com foco em prosperidade e inovação.
Lent argumenta que os países que optam por não participar da transição energética estão prejudicando seus próprios interesses econômicos e estratégicos. A transição está intrinsecamente ligada à geopolítica e à segurança nacional, promovendo maior controle sobre recursos energéticos e menor vulnerabilidade a choques externos.
Ao abordar as soluções baseadas na natureza, Lent compara-as às tecnologias de energia renovável. A restauração de pastagens degradadas, a implementação de agroflorestas em larga escala, a reconstrução de florestas e a agricultura regenerativa representam avanços significativos. O Brasil, segundo ele, possui o potencial para liderar globalmente essas soluções e reduzir seus custos.
Lent destaca a capacidade única do Brasil de operar projetos agrícolas em grande escala, uma vantagem competitiva decisiva. Nos últimos anos, o país desenvolveu um ambiente político e regulatório favorável à bioeconomia e à transição ecológica, incluindo iniciativas como o Plano de Transição Ecológica e o desenvolvimento de veículos financeiros inovadores.
Para a COP30, Lent espera que o Brasil apresente um inventário de projetos escaláveis em soluções baseadas na natureza. Será anunciado que o país já opera soluções desse tipo em vasta área, com crescimento e atração de capital institucional. Há comprometimento de gestores de ativos e instituições financeiras em investir bilhões até 2027, um sinal de profissionalização e amadurecimento do setor.
O investidor ressalta que a convergência das agendas de clima e biodiversidade impulsionou a formação de fundos especializados em natureza e atraiu capital para o Brasil. Soluções baseadas na natureza podem fornecer uma parcela significativa das reduções de emissões necessárias, a um custo menor do que outras alternativas, tornando esse tipo de investimento eficiente.
Fonte: www.infomoney.com.br



