O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a urgência de ações concretas na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), sediada em Belém. Em artigo divulgado nesta quinta-feira, o presidente conclamou líderes mundiais a se comprometerem com medidas multilaterais eficazes, alertando que a inércia pode abalar a confiança da sociedade nas COPs e na política internacional.
Lula destacou que a COP30 representa “a hora da ação”, instando os participantes a transformarem promessas em planos tangíveis. Ele ressaltou que o Brasil, ao sediar a conferência no coração da Amazônia, busca expor a realidade da região aos tomadores de decisão globais. A intenção é que políticos, diplomatas, cientistas, ativistas e jornalistas testemunhem de perto os desafios ambientais e sociais da maior floresta tropical do mundo.
O presidente defendeu o aumento do financiamento climático, especialmente para os países do Sul Global, argumentando que essa é uma questão de justiça, dada a histórica contribuição dos países ricos para a crise climática. Ele enfatizou que esses países devem honrar seus compromissos financeiros.
Lula também abordou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa de investimento que visa remunerar aqueles que mantêm suas florestas preservadas e aqueles que investem no fundo. O Brasil anunciou um investimento de US$ 1 bilhão no TFFF, e o presidente espera que outros países sigam o exemplo com compromissos igualmente ambiciosos.
O presidente também mencionou a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, que se compromete a reduzir suas emissões entre 59% e 67% até 2035, abrangendo todos os gases de efeito estufa e setores da economia.
Além disso, Lula defendeu o uso dos recursos da exploração de petróleo para financiar uma transição energética justa. Ele previu que empresas petroleiras, como a Petrobras, se transformarão em empresas de energia à medida que o mundo se afasta dos combustíveis fósseis.
Lula ainda expressou a necessidade de maior participação popular nas decisões sobre o clima e a transição energética, destacando que os setores mais vulneráveis da sociedade são os mais afetados pelas mudanças climáticas. Nesse sentido, ele anunciou o lançamento de uma Declaração sobre Fome, Pobreza e Clima, enfatizando a importância de combater a fome em conjunto com a luta contra o aquecimento global.
Finalmente, o presidente defendeu a reforma da governança global, com foco no multilateralismo. Ele propôs a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU, vinculado à Assembleia Geral, com o objetivo de garantir que os países cumpram suas promessas climáticas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



