Após uma queda acentuada de 18% em suas ações, motivada pela divulgação de uma receita do terceiro trimestre aquém do esperado, investidores e analistas voltam suas atenções para a Marcopolo (POMO4). Especialistas buscam identificar os próximos gatilhos que poderão influenciar o desempenho da empresa.
Um ponto de atenção imediato é a divulgação dos resultados do terceiro trimestre da NFI, subsidiária canadense da Marcopolo, agendada para 6 de novembro. Os números da NFI, que serão consolidados no balanço da Marcopolo no quarto trimestre, deverão refletir o impacto do alerta de lucro emitido em setembro, quando a empresa canadense reportou atrasos nas entregas e uma provisão significativa relacionada ao recall de baterias.
O mercado aguarda para ver se o lucro líquido da NFI corresponderá às expectativas, que, segundo o consenso Bloomberg, apontam para aproximadamente US$ 13 milhões. Esse valor é significativamente inferior aos US$ 25 milhões esperados antes do alerta de resultado. Um novo prejuízo trimestral da NFI poderia acentuar a pressão sobre as ações da Marcopolo, considerando a participação de 8,1% que a empresa brasileira detém na canadense.
Apesar das recentes turbulências, a Marcopolo apresenta um cenário promissor no horizonte. A expectativa é de que a empresa distribua R$ 635 milhões em dividendos em 2026, considerando um payout de 50% sobre o lucro estimado de R$ 1,27 bilhão em 2025. Esse valor representaria um dividend yield de aproximadamente 8%.
Analistas apontam que essa estimativa pode ser conservadora. Com um caixa líquido robusto e um capex sob controle, a Marcopolo teria espaço para aumentar o payout para 70%, o que elevaria os dividendos para uma faixa entre R$ 800 milhões e R$ 977 milhões, resultando em um dividend yield de 10% a 12%.
Atualmente, as ações da Marcopolo estão sendo negociadas próximas ao limite inferior da média dos últimos dois anos, a cerca de 6,0 vezes o Preço sobre Lucro (P/L) estimado para 2026. O múltiplo Valor da Empresa/EBITDA (EV/Ebitda) está em 4,7 vezes para 2026. A margem bruta da Marcopolo tem se mantido em torno de 25% nos últimos trimestres.
Além disso, há catalisadores positivos no curto prazo, como uma nova rodada do programa Caminho da Escola, a recuperação econômica na Argentina, entregas do Ministério da Saúde acima do esperado e a possibilidade de um dividendo extraordinário. Este último ponto ganha relevância diante das discussões sobre a tributação de dividendos no Brasil no próximo ano. Se a empresa optasse por distribuir reservas de capital, o dividend yield total poderia chegar a 13%.
Fonte: www.infomoney.com.br



